quinta-feira, 26 de abril de 2018

MEC sob o golpe: um esgoto de negociatas podres


Reproduzo a seguir o esclarecedor desabafo de João Escosteguy Filho sobre o esgoto de negociatas podres em que se tornou o MEC após o golpe de Estado que pôs Temer no poder e Mendonça Filho no comando do mesmo Ministério. O esgoto brota a céu aberto.

Uma pequena história dos dias de hoje
Por: João Escosteguy Filho


Se você já leu alguma publicação minha, peço que leia esta também. E contribua para a discussão. Uma pequena história dos dias de hoje. Vamos acompanhar.

Em janeiro de 2018, o SEB comprou o AZ (colégio e curso pré-vestibular do Rio de Janeiro) por 45 milhões de reais. SEB, ou Sistema Educacional Brasileiro, detinha o antigo COC (Colégio Oswaldo Cruz), um gigante do setor privado da educação nascido em 1986, em São Paulo, e vendido em 2011 para a Pearson PLC.

A Pearson PLC é uma multinacional com sede em Londres, criada em 1844 e que, dentre outras, é dona do Financial Times e de metade do The Economist. Em 2009, a The Economist afirmou, em artigo, que a "má qualidade da educação brasileira" é o grande fator de entrave para o desenvolvimento do país.

A mesma revista, em 2012, colocou o Brasil em penúltimo lugar em educação num ranking de 40 nações. Esse estudo foi encomendado pela... Pearson PLC. A mesma que comprou o COC, que era da SEB, que comprou o AZ. A mesma que é dona de metade da... The Economist. Liguem os pontos.Vamos para outro lado da questão:

O fundador da SEB, que vendeu parte imensa da empresa para a Pearson PLC, se chama Chaim Zaher. Chaim Zaher é amigo pessoal do ministro da Educação, Mendonça Filho, e também da secretária executiva do MEC, segunda em comando, Maria Helena Guimarães de Castro. Chaim Zaher sugeriu a Mendonça Filho levar o Prouni e o Fies ao ensino secundário. No qual o SEB é um gigante.

Mendonça Filho, nosso ministro, já afirmou que o Ensino Médio brasileiro precisa de "mudanças urgentes". Maria Helena Guimarães de Castro, segunda em comando, já afirmou que custeio das universidades públicas é insustentável. E que é preciso sintonizar o Brasil com o resto do mundo (desconfio do que isso significa...)

Para Maria Helena, o fundador do SEB, Chaim Zaher (aliás, seu amigo pessoal de mais de 25 anos), é um sujeito dedicado, inteligente, batalhador e "tem feito um trabalho muito importante na educação". O SEB também tem universidades privadas. O Pearson PLC, idem. Liguem os pontos.Vamos avançando.A Pearson PLC também comprou, em 2013, a Wizard, o Yázigi e o Skill (todos os três cursinhos de inglês). E também era dona, até 2017, da Microlins e da SOS computadores (cursos profissionalizantes).

O Novo Ensino Médio tornou inglês disciplina obrigatória. E tornou a educação profissionalizante um "itinerário formativo" nos moldes da profissionalização das décadas passadas (isto é, descolada de qualquer concepção integral de ensino). Pelo modelo do MEC, quem faz ensino profissionalizante não faz Enem. Ou faz com muito mais dificuldade. Basta ligar os pontos.

Adiante:

A relação SEB-Pearson PLC é só a face mais recente de um processo mais amplo.Desde 2011, jjá haviam sido vendidos o pH, o Pensi e o Elite. Todos cursos-colégios do Rio de Janeiro. Rede privada. O pH foi comprado pela Abril Educação. Que depois se tornou o grupo Somos Educação. Que também é dono do sistema Anglo, da rede ETB (escolas técnicas do Brasil), e também das editoras Ática, Scipione e Saraiva. Essas editoras fazem livros didáticos.A venda de livros no Brasil representou, em 2017, algo em torno de 5,2 bilhões de reais. Metade desse valor foi de livros didáticos e compras pelo governo.

Os livros didáticos precisam seguir orientações do MEC. Que promoveu a Base Nacional Comum Curricular, o Novo Ensino Médio e reformulou o Enem, alterando, com isso, a dinâmica desse mercado editorial. Liguem os pontos.

A Abril Educação, como o nome indica, é parte da Editora Abril. A Abril não apenas publica o Guia do Estudante (que inclusive faz rankings de universidades), mas também as revistas Exame, Veja, e Você S/A.

Todas as três são grandes defensoras da privatização da educação. Todas as três louvam o mundo empresarial da educação, formado, dentre outros, pelo Somos, pelo SEB e por demais conglomerados. Os pontos, aqui, já viraram uma estrada.

Vamos que vamos:

O Pensi e o Elite foram comprados pelo grupo Eleva. O Eleva é parte de um fundo de capital chamado Gera Venture. Esse fundo tem como principal investidor (isto é, na prática, o big boss) o banqueiro Jorge Paulo Lemann.

Lemann é apenas o homem mais rico do Brasil. Dono de uns 20 bilhões de dólares. É também dono da Heinz, do Burguer King, da Budweiser, dentre outras. Para inúmeras publicações, o Eleva é dono de algumas das "melhores escolas do país". Por que melhores? Porque estão entre os melhores colocados no ranking do Enem. Para nossa mídia, estar bem colocado no ranking do Enem é sinal de sucesso educacional. O Pensi e o Elite ficam normalmente entre as primeiras colocações no Rio de Janeiro no ranking do Enem. O Pensi e o Elite, dentre outros, forjam seus resultados no ranking do Enem reunindo "elites" de alunos que só entram nas redes a partir do último ano do Ensino Médio. A mídia hegemônica costuma achar que isso, porém, é sinal de sucesso. E deseja esse modelo para o Brasil. Liguem os pontos.

Quase finalizando:

Isso que descrevi acima não contempla nem perto de tudo que rola nesse mundo. Nem mencionei, por exemplo, o Kroton, maior grupo educacional do mundo (do MUNDO). Vocês não acham bizarro que o Brasil, sempre extremamente criticado pela sua educação, sempre extremamente criticado nos rankings educacionais internacionais, seja o lar da maior empresa privada de educação DO MUNDO? O Kroton foi fundado em Belo Horizonte. E já tentou comprar a Estácio de Sá e o próprio SEB. Ambos os negócio só não foram pra frente porque o CADE, à época, embarreirou. Liguem os pontos!

Concluindo:

Enquanto as principais discussões educacionais giram em torno do "Escola sem Partido" e congêneres (e são discussões, de fato, fundamentais), esse movimento de gigantes vem, nos últimos 10 anos, promovendo uma nova face do imperialismo e do privatismo na educação. Sim: é preciso recuperar o conceito de imperialismo.

Não se trata apenas de negócios. Se trata, também, de uma profunda alteração nos sentidos da educação pública no país. 80% dos alunos do Brasil pertencem às redes públicas. Esse negócio bilionário não está aqui apenas para alcançar os demais 20%. Porque, não se enganem, a menina dos olhos de todos esses grupos é a rede pública mais robusta. Especialmente universidades estaduais e federais, IF, Faetec e similares etc.

Prestemos atenção à UERJ. Ali é um grande laboratório do desmonte que será seguido por ataques desses grupos. A grande batalha da próxima década na educação será contra o privatismo. Impossível entender qualquer discussão sobre educação no Brasil, hoje, sem levar em conta esse gigantesco movimento de bastidores.

(Não coloquei links para as informações para não sobrecarregar o texto de referências. Mas basta uma pesquisada na rede para confirmar todos os dados aí.)

EDIT: Dois outros aspectos que, acho, merecem ser mencionados.1) Esse mega-movimento do mercado educacional não seria possível sem o acompanhamento da construção de um consenso que elogia, defende, valoriza esse movimento. Quanto mais defendermos, em escolas públicas, essa lógica como a "correta", mais estaremos oferecendo ao carrasco não só nosso pescoço, mas o pescoço de uma concepção verdadeiramente libertária de educação.Em outras palavras: o que movimenta esse mercado é também um consenso (cuja construção depende muito também da mídia hegemônica) que permite a naturalização do absurdo. Quando o absurdo fica naturalizado, seu combate se torna bem mais difícil.

2) Como construir, então, uma alternativa? Uma visão contra-consensual? Contra-hegemônica? Certamente NÃO SERÁ a partir de uma visão progressista muito forte hoje, que defende, dentre outras coisas, questões culturais isoladas do contexto sócio-econômico.Digo isso pois, apesar de entender a imensa importância desse viés mais culturalista, entendo que essa lógica educacional privatista tem suficiente espaço para acomodar esse elemento de crítica cultural.

Não podemos esquecer um dado fundamental: UM DOS PRIMEIROS ALVOS DO ESCOLA SEM PARTIDO, MAIS DE 10 ANOS ATRÁS, FOI, JUSTAMENTE, O SISTEMA COC. As apostilas eram consideradas muito esquerdistas. Outro alvo do escola sem partido foi o SISTEMA ANGLO, a partir da atuação de um professor que foi mega perseguido por ser muito "petralha" em sala.Estou falando de DEZ-DOZE ANOS ATRÁS.

A luta contra os retrocessos mais culturais (como o Escola sem Partido) precisa vir acompanhada da luta contra esse imperialismo privatista. Senão vamos apenas trocar a frigideira pelo forno.EDIT 2: Leonardo Custodio de Jesus me alertou que a Pearson já vendeu a Microlins e a SOS. Mas isso não muda nada do que escrevi, porque: 1) Essa venda se deu após todo o processo que descrevi (a transação se deu em meados de 2017; as fontes que vi eram anteriores a isso); 2) A interpretação geral ainda se sustenta, já que o grupo Prepara, que comprou essa fatia, está na mesma lógica. Mas agradeço, Leo, a indicação! Incorporei no texto.

EDIT 3: Fiz algumas mudanças pontuais no texto para corrigir questões pontuais de interpretação (SEB e COC, por exemplo, não são a mesma coisa; o COC era parte do SEB, que é, portanto, maior que o COC). O significado e a interpretação geral, porém, continuam os mesmos.

EDIT 4: Fui convidado a ampliar o texto para publicação em um grupo. Aproveitei para incorporar mais alguns aspectos que vasculhei pela rede.

Para ficar em uma: o Somos, dono do pH, pertence ao fundo Tarpon. Um dos sócios do fundo Tarpon (e presidente do Somos), Eduardo Mufarej, é também fundador do movimento Renova Brasil.O movimento Renova Brasil é, atualmente, o grande articulador da campanha do Luciano Huck à presidência...


Esse buraco é bem fundo mesmo.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.



terça-feira, 17 de abril de 2018

COPA DO MUNDO: O que está por detrás dos gramados


A Copa do Mundo de Futebol está chegando, e esta é uma excelente oportunidade para despertar em adolescentes e jovens o interesse na leitura. O Diário Secreto das Copas é um livro de leitura agradável e instigante que faz o leitor viajar pelas Copas do Mundo, desde 1930, no Uruguai, até a edição mais recente, no Brasil, de 2014, precedida por manifestações de protesto que varreram o país.

O livro, na forma de ficção, contextualiza na história cada edição da Copa, e detalha segredos e eventos (nem sempre conhecidos do público, nem exatamente alegres) que acompanharam as seleções nos gramados, tais como o uso político do futebol, a exemplo da Itália fascista de Mussolini, em 1934, ou do terremoto que destruiu o Chile e quase inviabilizou a Copa de 1962.

Tudo isso ocorre a partir do diário de uma avó deixado em segredo como herança para a neta. Casada com um jornalista esportivo, a avó viajou o mundo, atravessando continentes, enfrentando tragédias (como a II Guerra, que interrompeu a disputa da Copa) e ditaduras (como as de Argentina e Brasil, que se enfrentaram em campo em 1978), mas também vivendo as glórias da vitória sobre o III Reich, as emoções da campanha das Direta Já e as tensões das megamanifestações de 2013, muitas das quais contrárias à Copa no Brasil. Mas muito além de todas as Copas, um segredo vital unirá a avó e a neta.



JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

terça-feira, 10 de abril de 2018

A EQUAÇÃO LULA É UM FURACÃO


As forças, muitas das quais escondidas na sombra, a exemplo dos EUA, não conseguem resolver uma equação que julgaram simples demais: a equação Lula.

Com o golpe contra a presidenta Dilma e o encarceramento de Lula, as forças do golpe de Estado davam por certo livre o caminho para fazerem do país uma neocolônia de exploração exclusiva dos EUA. Porém a forma como Dilma resistiu e vem resistindo e a forma como Lula reage às cartas marcadas dos gorilas de Curitiba, retomando sempre a ofensiva, acrescentam incógnitas sobre incógnitas à equação que, assim, se vai complicando e assumindo feições de verdadeira metamorfose ambulante.

Os golpistas julgaram que a prisão de Lula solucionava a equação principal do golpe, o que lhes abriria um verdadeiro clarão no tabuleiro do xadrez político que armaram. Porém vão descobrindo que cada movimento contra Lula tem como resultado algum efeito colateral fortemente desastroso para o próprio golpe, resultante das reações inesperadas do próprio Lula. A equação cresce em progressão e em complexidade, gira, forma um vórtice e vai engolindo tudo a sua volta.

O mandado ilegal de prisão - não impetrado, mas cometido, pois se trata de um ato que afronta o próprio STF -  deu a Lula um palanque global. No país e no mundo as atenções estão voltadas para Lula e os próximos episódios de sua jornada épica. Moro não tem mais o que fazer em seu xadrez tosco: perdeu seu último movimento no tabuleiro jurídico e assiste agora o jogo saltar para a arena política. Lula está preso, mas a um palanque colossal que o vaidoso e limitado juiz de província foi montando como um enxoval de noiva.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 8 de abril de 2018

UM NASCE PARA OS BRAÇOS DO POVO, OUTROS PARA ENFEITE DE PUTEIRO

E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

As duas imagens mais simbólicas produzidas pela realidade brasileira nos últimos dias são a do presidente Lula carregado nos braços do povo e a da homenagem de Oscar Maroni, proprietário do puteiro de luxo Bahamas, em Moema, São Paulo, a Sérgio Moro e Carmen Lúcia.

Após a negação do habeas corpus a Lula, na 4a. feira passada (04/04/18), e a decretação de prisão expedida por Moro, sem que o STF tivesse tido sequer tempo de publicar sua decisão, a mídia golpista entrou em frenesi à cata da imagem perfeita para estampar em seus noticiários e suas capas de jornais e revistas.

Porém a decisão tomada por Lula de resistir à prisão, tanto quanto o mandado de prisão ilegal de Moro, deixou essa mesma mídia carniceira como barata tonta. Sobrevoando o Sindicato dos Metalúrgicos, a Rede Globo, roubando o sinal da TVT, tentava a todo custo a primeira imagem de Lula preso. Gastou fortuna em combustível, e saiu frustrada.

Demais emissoras e jornais tentavam antecipar, como abutres, no interior do Sindicato ou em sua porta, o momento da derrota do maior líder que a classe operária já produziu no país. Porém essa derrota não vinha e a iniciativa, que esteve com o STF e depois com o juizeco de Curitiba, agora estava totalmente com Lula, que magistralmente passou a controlar tanto o protocolo de sua apresentação à justiça, quanto a narrativa do momento e (o pior para a mídia e para os próprios golpistas) o monopólio da produção verdadeiramente industrial de imagens - daquelas incessantes de resistência no Sindicato, difundidas pela própria mídia golpista em tempo real durante três dias, àquelas dos protestos em 24 capitais do país em apoio a Lula.

De quinta feira ao momento de sua saída a pé do Sindicato para ingressar no comboio passivo e derrotado da Polícia Federal, depois sua chegada a Curitiba ontem, (07/04/18) com a Polícia do PSDB atirando contra manifestantes, Lula este esteve soberano, e converteu sua prisão num momento apoteótico, de glória e resistência, cujas imagens se espalham agora pelo mundo.

Porém, desse oceano de imagens, duas viralizaram nas redes sociais: a do presidente carregado nos ombros por uma multidão à porta do Sindicato, e a dos retratos de Sérgio Moro e Carmen Lúcia na parde do puteiro de luxo Bahamas, do cafetão condenado e solto pelo STF, Oscar Maroni, que ofereceu cerveja de graça em comemoração à decisão dos dois data venia ilustres magistrados. E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

(A foto histórica de Lula nos braços do povo é do jovem de 18 anos Francisco Proner).

DISCURSO DE LULA ONTEM

Eu tenho dito em todo discurso: não adianta tentar de me impedir de andar por este país, porque tem milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste país para andar por mim. Não adianta tentar acabar com as minhas idéias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês", disse Lula.

Não adianta achar que tudo vai parar o dia que o Lula tiver um infarto, é bobagem, porque o meu coração baterá pelos corações de vocês, e são milhões de corações. Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque eu não sou um ser humano, sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês, e eu tenho certeza que companheiros como os sem-terra, o MTST, os companheiros da CUT e do movimento sindical sabem, e esta é uma prova, esta é uma prova, eu vou cumprir o mandado e vocês vão ter de se transformar, cada um de vocês, vocês não vão se chamar chiquinho, zezinho, joãozinho, albertinho...

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.




terça-feira, 3 de abril de 2018

O CINEASTA DA BALA E SEU MEGANHISMO

Nova entrevista com o cineasta da bala baseado em fatos surreais antecipa próximos episódios de seu meganhismo.

OH!GranDIOsoFÁ: Você ficou dodói com a chuva de balas críticas que o seu Meganhismo vem recebendo pelas redes sociais. Você estava preparado para a troca de bala com bala com balacobaco?

Zé Meganha: Ó grandioso, achei que estava blindado, mas só que não. Veio sapecada de onde eu não imaginava. Se não é o colete a prova de balas da Folha, do Estadão e da Globo, meu Meganhismo tinha ido pro saco.

OH!GranDIOsoFÁ: Mas você não sabe que meganha que não anda na linha acaba levando invertida?

Zé Meganha: Aí foi vacilo meu. Autoconfiança demais, né... Depois do Tropa de Celulite, achei que tava tudo dominado... era só entrar chutando a porta do barraco e coisa e tal...

OH!GranDIOsoFÁ: Parece que não foi bem assim.

Zé Meganha: Não foi e não tá sendo. Todo dia tenho que dar entrevista defendendo o Meganhismo na imprensa amiga, senão os caras deixam cair o moral da tropa e interrompem a série.

OH!GranDIOsoFÁ: Corre esse risco, mesmo, mermão?

Zé Meganha: Putz! Se pá, pum! Pensei que os donos do quartel estavam mais interessados em bang bang, mas os caras só pensam em dinheiro. Quando perguntaram pra mim se eu tinha bala na agulha, pensei que fosse calibre 38, 45, tal e pá. Mas não, bala na agulha para eles é dólar.

OH!GranDIOsoFÁ: Quer dizer que se a patacoada que tu faz não encher os bolsos da Netqualquercoisa, teu Meganhismo vira presunto vencido?

Zé Meganha: Tá uma pressão foderosa em cima de moá, véi. Já apareci até com boné camuflado para ver se a maré vira, mas tá mais é virando pra cima de moá.

OH!GranDIOsoFÁ: Será que seu Maganhismo saiu pela culatra?

Zé Meganha: Meu, já xinguei a esquerda de tudo que é nome pra ver se paravam de cancelar assinatura da Netqualquercoisa. Entrei até na campanha pra prender neguinho (branquinho da Barra da Tijuca, não) na segunda martelada do juiz, mas parece que o morro desceu pra cima de moá, e não era Carnaval.

OH!GranDIOsoFÁ: Tu achou que ia se dar bem, né não?

Zé Meganha: Achei, véi. Pior que achei. Agora acho que entrei de Zé e tou saindo de mané.

OH!GranDIOsoFÁ: Já dizia o Kid Moringueira: "Erro de malandro é achar que todo mundo é otário".

Zé Meganha: Pódicrê, Grandioso. Vacilei, virei borsa.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.