sábado, 19 de agosto de 2017

GALINHA LOUCA NÃO GOSTA DE OVOS

Miguel Costa, que foi secretário de cultura de Carapicuíba (SP), filho do legendário general Miguel  Costa (cuja coluna compôs depois a não menos legendária Coluna Prestes, e que dá nome a estação de trem da CPTM de Carapicuíba), nos idos dos anos 80, já bem idoso, me contou como teria nascido o apelido "galinhas verdes", dado aos integralistas - versão brasileira do fascismo.

Segundo ele, numa reunião dos integralistas no Theatro Municipal de São Paulo, no início da década de 1930, um militante da juventude comunista, do alto de um dos balcões, atirou uma galinha pintada de verde sobre os participantes. A galinha, segundo ele, voava mal e curto, mas teria dado trabalho para ser apanhada pelos os camisas-verdes, furiosos com a brincadeira, que os destruiu pela piada.

Anos depois, ouvi a mesma história e um idoso militante comunista de São Paulo, porém a versão é de que a reunião havia se dado nas escadarias do Theatro Municipal, não dentro, e que a galinha fora atirada de uma das janelas superiores do mesmo Theatro Municipal, com igual efeito humorístico de caçada furiosa à galinha verde.

Muitos anos depois, no Rio de Janeiro, ouvi a versão da escadaria, porém o Theatro teria sido o do Rio de Janeiro, não o de São Paulo.

Seja como for, o fascismo brasileiro desde a origem ligações diretas com galinhas enlouquecidas pintadas de verde. A data de 7 de outubro de 1934 é marcada pelo confronto entre sindicatos, associações e organizações de esquerda comunistas, trotskistas e anarquisatas contra os integralistas, na praça de Sé, em São Paulo. A efeméride ficou conhecida como "Revoada das Galinhas Verdes"

Segundo Mário Pedrosa:

Toda a esquerda se uniu contra a manifestação integralista que seria realizada naquele dia. O objetivo dos integralistas era atacar a organização da classe operária, a sede da Federação Sindical de São Paulo e os sindicatos que tinham sede no edifício Santa Helena, na frente do qual haviam planejado o desfile. Nós lutamos contra os fascistas e impedimos a realização da manifestação.

Uma São Paulo que você tem que conhecer.
Nestes dias de agosto e 2017, os fascistas reencontraram sua histórica ligação com galináceos: Dória, Antônio Carlos Magalhães Neto e Bolsonaro, em busca ensandecida por holofotes, conquistaram, diante das câmeras, saraivadas de ovos voadores.

Ainda bastante jovens, eu e um amigo, agora professor e artista plásitico Claudinei Roberto, conversávamos sobre ações violentas de neonazistas em São Paulo. O pai dele, sr. Gumercindo, já falecido, cantor, músico e sambista da velha guarda, interrompeu nossa conversa e proclamou: "Esses tipos aí, deixem vir que a gente avacalha".

A melhor arma contra essa gente, certo estava seu Gumercindo, é a galhofa. Observando bem cacarejo, gestos, poses e caretas, Hitler e seus seguidores não parecem mesmo galinhas loucas?


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

INTERROMPER O GOLPE ANTES QUE ELE INAUGURE UM CICLO LONGO

O golpe de Estado em curso tem continuação no ano de 2018. Sem coragem para interrompê-lo, ele iniciará um outro ciclo de longuíssimo prazo.

A fase do golpe de Estado em que nos encontramos articula a transição do atual ciclo, para uma fase longa, que tem no ano de 2018 um ponto crucial de viragem. Não é a toa que Dória já se lança em campanha antecipada: ele quer ser a ponta de lança de um longo ciclo obscurantista, reacionário e de prevalência do pensamento de direita neoliberal.
http://www.lojanovaalexandria.com.br/catalogsearch/result/?q=era+uma+vez+no+meu+bairro
São Paulo em romance.
Se é muitíssimo difícil interromper o golpe agora, não só é possível como é absolutamente necessário abortar o ciclo que eles pretendem iniciar em 2018. Isso impõe pressão crescente sobre o governo Temer, de modo a desestabilizá-lo a todo custo, pois ele é peça chave nessa transição ultraconservadora que se gesta no maior país da América Latina.

As estratégias dos partidos de esquerda, por isso, precisam intensificar a mobilização popular, sem a qual o país entrará cego no ano 2018 - e sairá dele surdo, mudo, mutilado e dilacerado por movimentos de ultradireita.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 6 de agosto de 2017

O TRIBUNAL NAZISTA DA FAMÍLIA MESQUITA

Empregando a mesma estratégia e prática dos nazistas para eliminar judeus, jornal O Estado de S. Paulo inicia a solução final contra Lula, ao pôr em cena Thompson Flores, presidente Tribunal Federal da 4a. Região, instância da justiça encarregada de, na prática, julgar o presidente Lula pela segunda vez por um crime sem provas.

Antecipando o próprio julgamento, Thompson Flores se adianta aos desembargadores do TRF- 4 que analisarão os recursos da defesa do ex-presidente da República, condenando Lula no tribunal da família Mesquita. A entrevista do presidente do Tribunal Federal da 4a. Região, Thompson Flores é inequívoca: seu resumo é a condenação fora dos autos, pelas páginas do jornal, do ex-presidente Lula, seja comunicando a sentença já proferida em off, seja agindo para que colegas sentenciem sob a coação da imprensa golpista.
Uma São Paulo que você tem que conhecer.
Como não poderia entrevistar os próprios desembargadores responsáveis pelo julgamento de Lula em segunda instância, uma vez que eles são impedidos de se pronunciarem em público sobre o processo em curso, o jornal da família Mesquita procurou usar o próprio presidente do Tribunal como uma espécie de porta-voz qualificado do colegiado que julgará Lula e como menino de recados dos golpistas.
Justiça brasileira não acerta nem na placa do "Edifícil".
Na entrevista, Thompson elogia a decisão de Moro como "irrepreensível" e, embora reconheça a contradição de não se ter provado na sentença de 1a. Instância a propriedade do Triplex, declara que a confirmaria se fizesse parte do colegiado responsável pelo julgamento dos recursos.

O Judiciário vai assim confirmando sua vocação reacionária de guardião do cofre da burguesia.

O jornalista Artur Scanove revela que Thompson tem relações diretas com setores golpistas das Forças Armadas.

Consulte a entrevista clicando aqui.

Grato pela leitura. Entre uma correção de prova e outra, vou escrevendo estes textos.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.