terça-feira, 17 de abril de 2018

COPA DO MUNDO: O que está por detrás dos gramados


A Copa do Mundo de Futebol está chegando, e esta é uma excelente oportunidade para despertar em adolescentes e jovens o interesse na leitura. O Diário Secreto das Copas é um livro de leitura agradável e instigante que faz o leitor viajar pelas Copas do Mundo, desde 1930, no Uruguai, até a edição mais recente, no Brasil, de 2014, precedida por manifestações de protesto que varreram o país.

O livro, na forma de ficção, contextualiza na história cada edição da Copa, e detalha segredos e eventos (nem sempre conhecidos do público, nem exatamente alegres) que acompanharam as seleções nos gramados, tais como o uso político do futebol, a exemplo da Itália fascista de Mussolini, em 1934, ou do terremoto que destruiu o Chile e quase inviabilizou a Copa de 1962.

Tudo isso ocorre a partir do diário de uma avó deixado em segredo como herança para a neta. Casada com um jornalista esportivo, a avó viajou o mundo, atravessando continentes, enfrentando tragédias (como a II Guerra, que interrompeu a disputa da Copa) e ditaduras (como as de Argentina e Brasil, que se enfrentaram em campo em 1978), mas também vivendo as glórias da vitória sobre o III Reich, as emoções da campanha das Direta Já e as tensões das megamanifestações de 2013, muitas das quais contrárias à Copa no Brasil. Mas muito além de todas as Copas, um segredo vital unirá a avó e a neta.



JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

terça-feira, 10 de abril de 2018

A EQUAÇÃO LULA É UM FURACÃO


As forças, muitas das quais escondidas na sombra, a exemplo dos EUA, não conseguem resolver uma equação que julgaram simples demais: a equação Lula.

Com o golpe contra a presidenta Dilma e o encarceramento de Lula, as forças do golpe de Estado davam por certo livre o caminho para fazerem do país uma neocolônia de exploração exclusiva dos EUA. Porém a forma como Dilma resistiu e vem resistindo e a forma como Lula reage às cartas marcadas dos gorilas de Curitiba, retomando sempre a ofensiva, acrescentam incógnitas sobre incógnitas à equação que, assim, se vai complicando e assumindo feições de verdadeira metamorfose ambulante.

Os golpistas julgaram que a prisão de Lula solucionava a equação principal do golpe, o que lhes abriria um verdadeiro clarão no tabuleiro do xadrez político que armaram. Porém vão descobrindo que cada movimento contra Lula tem como resultado algum efeito colateral fortemente desastroso para o próprio golpe, resultante das reações inesperadas do próprio Lula. A equação cresce em progressão e em complexidade, gira, forma um vórtice e vai engolindo tudo a sua volta.

O mandado ilegal de prisão - não impetrado, mas cometido, pois se trata de um ato que afronta o próprio STF -  deu a Lula um palanque global. No país e no mundo as atenções estão voltadas para Lula e os próximos episódios de sua jornada épica. Moro não tem mais o que fazer em seu xadrez tosco: perdeu seu último movimento no tabuleiro jurídico e assiste agora o jogo saltar para a arena política. Lula está preso, mas a um palanque colossal que o vaidoso e limitado juiz de província foi montando como um enxoval de noiva.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 8 de abril de 2018

UM NASCE PARA OS BRAÇOS DO POVO, OUTROS PARA ENFEITE DE PUTEIRO

E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

As duas imagens mais simbólicas produzidas pela realidade brasileira nos últimos dias são a do presidente Lula carregado nos braços do povo e a da homenagem de Oscar Maroni, proprietário do puteiro de luxo Bahamas, em Moema, São Paulo, a Sérgio Moro e Carmen Lúcia.

Após a negação do habeas corpus a Lula, na 4a. feira passada (04/04/18), e a decretação de prisão expedida por Moro, sem que o STF tivesse tido sequer tempo de publicar sua decisão, a mídia golpista entrou em frenesi à cata da imagem perfeita para estampar em seus noticiários e suas capas de jornais e revistas.

Porém a decisão tomada por Lula de resistir à prisão, tanto quanto o mandado de prisão ilegal de Moro, deixou essa mesma mídia carniceira como barata tonta. Sobrevoando o Sindicato dos Metalúrgicos, a Rede Globo, roubando o sinal da TVT, tentava a todo custo a primeira imagem de Lula preso. Gastou fortuna em combustível, e saiu frustrada.

Demais emissoras e jornais tentavam antecipar, como abutres, no interior do Sindicato ou em sua porta, o momento da derrota do maior líder que a classe operária já produziu no país. Porém essa derrota não vinha e a iniciativa, que esteve com o STF e depois com o juizeco de Curitiba, agora estava totalmente com Lula, que magistralmente passou a controlar tanto o protocolo de sua apresentação à justiça, quanto a narrativa do momento e (o pior para a mídia e para os próprios golpistas) o monopólio da produção verdadeiramente industrial de imagens - daquelas incessantes de resistência no Sindicato, difundidas pela própria mídia golpista em tempo real durante três dias, àquelas dos protestos em 24 capitais do país em apoio a Lula.

De quinta feira ao momento de sua saída a pé do Sindicato para ingressar no comboio passivo e derrotado da Polícia Federal, depois sua chegada a Curitiba ontem, (07/04/18) com a Polícia do PSDB atirando contra manifestantes, Lula este esteve soberano, e converteu sua prisão num momento apoteótico, de glória e resistência, cujas imagens se espalham agora pelo mundo.

Porém, desse oceano de imagens, duas viralizaram nas redes sociais: a do presidente carregado nos ombros por uma multidão à porta do Sindicato, e a dos retratos de Sérgio Moro e Carmen Lúcia na parde do puteiro de luxo Bahamas, do cafetão condenado e solto pelo STF, Oscar Maroni, que ofereceu cerveja de graça em comemoração à decisão dos dois data venia ilustres magistrados. E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

(A foto histórica de Lula nos braços do povo é do jovem de 18 anos Francisco Proner).

DISCURSO DE LULA ONTEM

Eu tenho dito em todo discurso: não adianta tentar de me impedir de andar por este país, porque tem milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste país para andar por mim. Não adianta tentar acabar com as minhas idéias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês", disse Lula.

Não adianta achar que tudo vai parar o dia que o Lula tiver um infarto, é bobagem, porque o meu coração baterá pelos corações de vocês, e são milhões de corações. Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque eu não sou um ser humano, sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês, e eu tenho certeza que companheiros como os sem-terra, o MTST, os companheiros da CUT e do movimento sindical sabem, e esta é uma prova, esta é uma prova, eu vou cumprir o mandado e vocês vão ter de se transformar, cada um de vocês, vocês não vão se chamar chiquinho, zezinho, joãozinho, albertinho...

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.




terça-feira, 3 de abril de 2018

O CINEASTA DA BALA E SEU MEGANHISMO

Nova entrevista com o cineasta da bala baseado em fatos surreais antecipa próximos episódios de seu meganhismo.

OH!GranDIOsoFÁ: Você ficou dodói com a chuva de balas críticas que o seu Meganhismo vem recebendo pelas redes sociais. Você estava preparado para a troca de bala com bala com balacobaco?

Zé Meganha: Ó grandioso, achei que estava blindado, mas só que não. Veio sapecada de onde eu não imaginava. Se não é o colete a prova de balas da Folha, do Estadão e da Globo, meu Meganhismo tinha ido pro saco.

OH!GranDIOsoFÁ: Mas você não sabe que meganha que não anda na linha acaba levando invertida?

Zé Meganha: Aí foi vacilo meu. Autoconfiança demais, né... Depois do Tropa de Celulite, achei que tava tudo dominado... era só entrar chutando a porta do barraco e coisa e tal...

OH!GranDIOsoFÁ: Parece que não foi bem assim.

Zé Meganha: Não foi e não tá sendo. Todo dia tenho que dar entrevista defendendo o Meganhismo na imprensa amiga, senão os caras deixam cair o moral da tropa e interrompem a série.

OH!GranDIOsoFÁ: Corre esse risco, mesmo, mermão?

Zé Meganha: Putz! Se pá, pum! Pensei que os donos do quartel estavam mais interessados em bang bang, mas os caras só pensam em dinheiro. Quando perguntaram pra mim se eu tinha bala na agulha, pensei que fosse calibre 38, 45, tal e pá. Mas não, bala na agulha para eles é dólar.

OH!GranDIOsoFÁ: Quer dizer que se a patacoada que tu faz não encher os bolsos da Netqualquercoisa, teu Meganhismo vira presunto vencido?

Zé Meganha: Tá uma pressão foderosa em cima de moá, véi. Já apareci até com boné camuflado para ver se a maré vira, mas tá mais é virando pra cima de moá.

OH!GranDIOsoFÁ: Será que seu Maganhismo saiu pela culatra?

Zé Meganha: Meu, já xinguei a esquerda de tudo que é nome pra ver se paravam de cancelar assinatura da Netqualquercoisa. Entrei até na campanha pra prender neguinho (branquinho da Barra da Tijuca, não) na segunda martelada do juiz, mas parece que o morro desceu pra cima de moá, e não era Carnaval.

OH!GranDIOsoFÁ: Tu achou que ia se dar bem, né não?

Zé Meganha: Achei, véi. Pior que achei. Agora acho que entrei de Zé e tou saindo de mané.

OH!GranDIOsoFÁ: Já dizia o Kid Moringueira: "Erro de malandro é achar que todo mundo é otário".

Zé Meganha: Pódicrê, Grandioso. Vacilei, virei borsa.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.



sexta-feira, 30 de março de 2018

O MEGANHISMO DO CINEASTA MARIA BATALHÃO

Entrevista baseada em fatos livremente surreais do cineasta meganha.

OH!GranDIOsoFÁ: Querido, de onde você tirou essa ideia de jerico?

Zé Meganha: Qual delas? Você sabe, sou muito criativo, e as ideias vão surgindo assim numa verdadeira... numa verdadeira....

OH!GranDIOsoFÁ: Diarreia mental?

Zé Meganha: Isso, totalmente descontrolada.

OH!GranDIOsoFÁ: Falo da série O Meganhismo, que está bombando nos apês classe média paneleira.

Zé Meganha: Ah, isso vem do primeiro revólver de brinquedo que ganhei na infância. Sempre gostei de me imaginar metendo bala a torto e a direito. Como não tive coragem de virar nem bandido nem polícia, virei cineasta rs rs rs. Assim invento porrada e todo mundo manda bala à vontade kkkk.

OH!GranDIOsoFÁ: Putz, que criativo. Não sei como ninguém tinha pensado nisso antes, tipo assim, John Wayne, Rambo, Sergio Leone...

Zé Meganha: Esses caras até tinham talendo, mas faltou a eles...

OH!GranDIOsoFÁ: A Mentelixo?

Zé Meganha: Isso. Os caras faziam filme pra passar em cinema... Isso já era. Cinema tá com nada, o negócio é TV, cara, isso é a evolução da sétima arte.

OH!GranDIOsoFÁ: Por que tu enfiou conversa de um na boca de outro no seu Meganhismo.

Zé Meganha: Ah, isso foi outra sacada de infância. Quando ganhei o boneco do Falcon, aquela porra não falava, então eu tinha que ficar inventando as falas dele para conversar com ele. Como não conseguia inventar, decorei o que meus pais falavam e, quando era a deixa do Falcon, eu imitava a voz deles.

OH!GranDIOsoFÁ: Tipo assim... papagaio.

Zé Meganha: O conceito é esse... Deu certo com o Falcon, então inovei a arte cinematográfica com essa puta sacada...

OH!GranDIOsoFÁ: Pô, Zeca, mas as meninas vivem conversando com suas bonecas e o diálogo entre elas rola solto, sem essa, meu!

Zé Meganha: Pódi crê, mas eu não conseguia imaginar a fala da porra do boneco, então a saída de decorar o que os outros falavam e repetir na vez do boneco deu certo pacarai.

OH!GranDIOsoFÁ: Você acha que deu certo n' O Maganhismo também? Tá rolando umas críticas aí...

Zé Meganha: Tudo invejoso que não conseguiu virar nem bandido, nem policial nem cineasta da bala. Olha, se os atores não se comportassem como bonecos, não teria dado certo, mas eles fizeram certinho o papel do Falcon, então encaixou tudo numa nice, undestand? Nem precisou de muito ensaio. Agora, teve uns que erraram sua fala e lascaram a fala do outro, mas a porra tá tão zoada que ninguém percebeu, nem eu kkk.

OH!GranDIOsoFÁ: E esse seu tesão por cara fardado?

Zé Meganha: Ah... Também vem do Falcon. Ele tinha várias roupinhas, mas a que eu mais gostava era a de soldado com uniforme camuflado. Tenho ele até hoje sob o abajur lilás do meu criado mudo.

OH!GranDIOsoFÁ: Qual seu próximo projeto?

Zé Meganha: Vou refilmar o Bambi do Walt Disney, tudo com dublagem do Alexandre Frota. Vai ser uma loucura...

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quinta-feira, 15 de março de 2018

CAMISAS AMARELAS: VOCÊS SÃO OS MANDANTES


A jovem guerreira e vereadora carioca do PSol, Marielle Franco, foi vítima de um ato covarde, como é praxe em um mundo cão em que criminosos e policiais falam o mesmo idioma, comungam os mesmos objetivos, rezam a mesma cartilha e agem do mesmo modo. Criminosos como esses não agem por motivação própria: são paus mandados, capitães do mato, jagunços contemporâneos a fazerem o serviço sujo a mando daqueles que, para manter seus privilégios, fazem qualquer negócio. Junto com ela, foi vitimado seu motorista, um trabalhador, Anderson Pedro Gomes, que com o suor de seu trabalho defendia sua família.

Eu acuso aqueles que saíram às ruas para defender o golpe de Estado em curso por esse ato covarde e vergonhoso. A manada de camisas amarelas é culpada por esse e outros crimes já ocorridos recentemente e outros que estão por vir, infelizmente.

Ao idolatrarem torturadores, ao pedirem intervenção militar, ao atiçarem o linchamento de militantes de causas humanitárias e sociais, ao emprestarem base social e financeira para o golpe de Estado, esses cretinos furiosos deram a senha para os matadores com os quais sempre contaram, que estão saindo das sombras já sem qualquer inibição.

Ou o país retorna à normalidade democrática e põe fim a esse golpe, ou dias tormentosos nos esperam. Quando Ivan Lins escreveu "Muita água rolou nos olhos do povo. Pelo que vejo agora, neném, vai rolar de novo", nem imaginava que, ao constatar uma realidade da década de 1970, fazia igualmente uma profecia aziaga.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

NÃO VAI TER COPA NOVAMENTE?

 São Paulo, 17 de junho de 2013.
O diário secreto das Copas é uma ficção que explora fatos históricos relacionados diretamente às edições da Copa do Mundo. Iniciando-se no ano de 2013, o enredo retorna nas páginas do diário ao distante ano de 1930, quanto a então adolescente Kátia, de treze anos de idade, encontra na capital do Uruguai, durante a primeira Copa do Mundo, o amor de sua vida, Martin, quatro anos mais velho.  Ambos são brasileiros em viagem, e nem sempre o tempo e a história estarão a seu favor.

Daí em diante, todas as Copas do Mundo serão visitadas, inclusive a de 2014, do Brasil, cujo período preparatório envolve  as megamanifestações de junho de 2013, ocorridas no âmbito da Copa das Confederações, e objetivos pouco claros, mas cujo roteiro ia da manifestação pacífica inicial ao quebra-quebra e à violência final, de consequência imprevisíveis e que, tudo indica, projeta sombras, expectativas e receios sobre junho de 2014.
Seleção da Itália faz saudação fascista a Mussolini.
Copa da Itália, 1934.
Cada capítulo do diário tem uma abertura com sinopse precisa da respectiva Copa,  o texto da ficção e uma contextualização histórica, que serve de pano de fundo para ambos. Amor, saudade, alegria, tristezas, terremotos, vitórias, revoluções, guerras, impeachment, manifestações de jovens e protestos gigantescos realmente ocorridos formam o  túnel do tempo em que o diário e seus personagens viajam.

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Em O diário secreto das Copas amor e aventura, verdade e ficção científica se misturam, a partir do contexto oferecido pelas Copas do Mundo, de 1930 a 2014. Quando em 2013 Kátia, amiga de turma da adolescente Lubna, desaparece inexplicavelmente, um enredo de mistério e amizade, eventos esportivos e paixão, história brasileira e mundial se desenrola vertiginosamente.

Kátia é filha de um talento científico russo que, ainda jovem, quando do fim da União Soviética, fugiu da perseguição dos serviços secretos do novo regime. No Brasil, iniciou pesquisas, e também misteriosamente desapareceu.

Em meio a esses sumiços inexplicáveis, a avó de Lubna morre, mas lhe deixa de herança um diário no qual amor, amizade, cataclismos geológicos, guerras, revoluções e um segredo estão depositados.

A ascensão do fascismo e do nazismo na Europa, por exemplo, é descrita a partir de pesquisa cuidadosa, que situa o papel destinado  ao esporte por Mussolini e Hitler na propaganda de guerra que estão preparando. Em 1938, na copa da França, Alemanha e Itália foram vaiadas. Na foto acima, seleção italiana, sob vaia, saúda torcedores franceses com gesto fascista. Alíás, nessa Copa, a seleção italiana, empregou em várias ocasiões, ao invés de seu tradicional uniforme azul e branco, um uniforme preto, empregado pelas milícias fascistas.


JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

ACIMA DE DEUS, A BURGUESIA E SEUS EMPREGADOS DE LUXO: OS JUÍZES


Os supersalários e a vida de sultão dos juízes se justificam: eles exercem no Estado a função de guardiões do cofre da burguesia. Se falhar tudo no sistema capitalista, incluso as Forças Armadas, e o povo sonhar assumir o poder, resta ainda essa muralha inexpugnável : o poder judiciário.

ACIMA DE DEUS, A BURGUESIA E SEUS EMPREGADOS DE LUXO
Soneto 22

Quando era bem pequeno, eu olhava para cima
Crendo que depois das nuvens e do azul
Havia um Deus de barba branca e justo,
Porém ao crescer descobri Dele acima a burguesia.

Ela mais que Ele está em todo lugar, tudo controla, tudo vê.
O olho descuidado de Deus tantas vezes erra.
Errou logo de cara, prova-o o caso de Adão e Eva,
Porém não erram  os milhões de olhos de celulares e TVs.

Acima de Deus a burguesia ainda promoveu
Uma malta entojada de mór desinfelizes
Cuja moral hipócrita enoja o pior fariseu 

Com suas poses ridículas e togas bregas - os juízes.
Estes, sem ter onde enfiar tanta grana que a burguesia lhes deu,
Torram-na em toalete como sói acontecer a ricas meretrizes.

(Cibio Bote. A burguesia e seus amigos).

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Los três mofinos

Cães da guarda da burguesia imoral que tomou o poder no país atiçada pela máfia midiática, os juízes da Lava Jato retribuem com bônus o dinheiro de supersalários, que recebem exatamente para fazer o que estão fazendo. Por essa razão, merecem ser lembrados para sempre.

MALANDRO MÓR
Soneto 23

Encontrando pela frente um bandido
Todos têm a chance de se sair bem:
Se o vilão dá um cochilo
É mandá-lo para o além.

Outro tipo descarado também
De se dar mal corre sério risco:
O diabo sabe que não convém
Encher o saco de Jesus Cristo.

Mas existe na natureza um tipo
Para quem o diabo é aprendiz
E a malandragem do bandido

É mesmo de fazer rir.
Encontrá-lo é o maior perigo:
Esse tipo é o juiz.

(Cibio Bote. A burguesia e seus amigos).

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 20 de janeiro de 2018

CAMINHOS QUE LEVAM À FÉ

Num momento em que a intolerância, o ódio e o racismo vicejam nas redes sociais – a bem da verdade cada vez mais combatidos e em franca defensiva – um samba enredo de São Paulo responde aos iracundos não na mesma moeda, mas com a moeda de ouro da beleza. Assim, a escola de samba Colorado do Brás, vermelha até no nome, vem para o Carnaval de 2018 com um belíssimo samba enredo que encaixa em todos os sentidos.

O ritmo e a cadência de CAMINHOS DA FÉ vai num crescendo contagiante que torna impossível a quem o ouve ficar parado um só instante. A força dos tambores africanos atravessam a pele, a musculatura, os nervos, os ossos e atintem diretamente o coração, que passa então a pulsar na frequência portentosa da bateria. Quem participa dos ensaios da Colorado do Brás sai dizendo que sentiu o sangue fluir quente pelo corpo:

Mãe África derrame seu Axé
Semeando a cultura
Em teu sangue a bravura
Aos ventos de Orum Ori Aláfia
Eparrey Oyá

Não só o ritmo encaixa: a harmonia encaixa perfeita na letra, que articula línguas, culturas e religiões de Brasil e África. É um verdadeiro poema hibrido em que Brasil e África se abraçam numa comunhão de idiomas, mas também de almas. A saudação a Oxóssi, ligado às forças da floresta, fauna e flora, abre uma segunda estrofe do samba que é uma saudação ao orixá caçador, mas é também um chamado contagiante à cultura e à religiosidade de matriz afro:

Okê Arô Ora Yêyêo
Odoya Kawo Kabecilê
Salubá Nãnã Atotô Obaluaê
Ogunhê Arroboboy Oxumarê

O refrão mescla apelo ao ecumenismo, súplica humilde de filho e exaltação das raízes, tem uma força de atração e de sentido que por si só age como antídoto poderoso contra a intolerância.

Bahia de todos os santos
Acolhe teus filhos herdeiros da força
De seus ancestrais

O samba enredo é coroado com versos que convidam à retomada de seu próprio início, numa metáfora de abre alas de rara beleza: o ciclo da vida, das águas, da festa precisa ser sempre retomado, eternamente:

Hoje vai ter Xirê. Hoje vai ter Xirê.
Roda baiana. Salve todos orixás.
Axé! Colorado vai passar.

Dessa forma a Colorado do Brás dá seu recado a esse tempo confuso em que vivemos: com um samba cuja beleza em todos os sentidos deixa racistas, perseguidores da cultura afro, intolerantes e “donos da verdade” simplesmente mudos, catatônicos, sem chão debaixo dos pés para sambar.


Compositores: Marcio Pessi, Edson Dafféh, Gilson Caffé, Magrão da Caprichosos e Hermes Sobral.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

AGORA NÃO CABE O MENOR VACILO

Há momentos na história das pessoas, das comunidades e dos povos em que não cabe vacilação. Nesses momentos, ações decididas e firmes determinam a superação de situações críticas. Por outro lado, a hesitação implica em longos períodos de infelicidade e dor.

Por essa razão intelectuais e artistas nos reuniremos com Lula no próximo dia 18 de janeiro em São Paulo, na Casa de Portugal (av. Libverdazde, 602), 19h. Não se trata apenas de defender o direito de Lula a ser candidato à presidência da República nas eleições de 2018: trata-se de dar um basta no arbítrio que tomou conta do país a partir de um conluio criminoso de setores do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público com PSDB, PMDB e DEM. 

Contamos com seu apoio e sua presença nesse dia. Por favor, compartilhe.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.





terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Mau juiz, mau caráter e mau casado

Quando Sérgio Moro envereda pela perseguição, abandonando os autos dos processos para proferir suas sentenças eivadas de prepotência, autoritarismo e ódio, torna-se um juiz da pior espécie, parcial e corrupto, aquele que emprega o cargo não para os fins da promoção da justiça, mas para atingir desafetos e para favorecer membros de seu grupo político, que todos sabem é o PSDB.

Quando monta um esquema que envolve, além de juízes e promotores comparsas, hordas de imbecis tangidos como gado pela mídia, age como pau mandado de máfia, cujos interesses estão no início, nos meios e nos fins de todas as ações, sejam elas nos tribunais, sejam elas diante das câmeras.

Quando emprega a foto da esposa, acusada de envolvimento em venda de sentenças e delações premiadas e desvio de verbas milionárias da APAE, para se autopromover nas redes sociais, ou assume que tem consciência do que ela faz, assumindo, em decorrência, coautoria nos crimes de que ela é acusada; ou é por ela feito de idiota - hipótese bem pouco provável, haja vista as denúncias de Tacla Duran.

No primeiro caso, é mau juiz, no segundo, mau caráter; no terceiro, na melhor das hipótese, mau (com u mesmo) casado.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.