quinta-feira, 21 de junho de 2018

MORO PREPARA MASSACRE CONTRA LULA DURANTE CAMPANHA ELEITORAL


A decisão do juiz do PSDB Sérgio Moro de marcar depoimentos de Lula para o mês de setembro entrega sua estratégia de tentar influir nas eleições, oferecendo munição eleitoral para a mídia golpista da qual é vassalo e favorecendo o candidato tucano

Já convencido de que será impossível manter Lula fora da disputa eleitoral, seja como candidato, seja como principal "player", como os analistas políticos o vêm chamando, Moro decide entrar na disputa eleitoral produzindo notícias negativas contra o ex-presidente, de modo a tentar limitar sua poderosa influência no processo eleitoral

Porém, se como vassalo dos EUA e da Rede Globo o juiz de Curitiba apelidado de Mazzaropi pela construtora Odebrecht obteve sucesso, como estrategista tem-se revelado um fiasco do tamanho de suas pretensões.

Sua decisão de encarcerar Lula sem provas, longe de limitar a influência do petista, consolidou essa influência e, segundo várias pesquisas, a ampliou. Ao marcar os depoimentos para setembro, o que o tosco juiz do PSDB faz é atrair o foco para Lula.

Em todas as oportunidades em que Lula e Moro se enfrentaram, o resultado foi o mesmo: o juiz expõe sua estatura de figura intelectual extremamente limitada, ao passo que o ex-presidente produz sequências antológicas que se multiplicam pelas redes sociais.

O que ocorre é que o precário magistrado, afeito a iniciativas arbitrárias e aos holofotes da fama, percebeu que o período eleitoral o deixaria à sombra, então resolveu pegar carona na popularidade de Lula. Porém, como diz o provérbio popular: "Tanto vai o jarro à fonte, que um dia ele se rompe". Tanto é o amor de Moro pelas luzes do picadeiro que, mais hora, menos hora, ele cairá do trapézio, o que será fatal, pois a rede de proteção que o livrou de muitos tombos já apresenta inúmeros rombos, dois dos quais feitos pelo próprio STF recentemente.


JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

GOLPE É JOGO BRUTO, COM STF, COM TUDO

E efeito diluente e altamente corrosivo que a resistência de Lula produz no campo da articulação golpista é devastador: cai Hulk, cai Barbosa, cai Aécio, Alckmin patina, Temer afunda, STF se desmoraliza, Moro se desmascara. Porém, golpe é golpe, é jogo bruto, com STF, com tudo.

A estratégia de Lula de empurrar para as urnas o mal estar que o golpe impôs ao país até o momento tem tido resultados inesperados para os golpistas, mas previstos pelo próprio Lula. Ele mesmo já dissera que não dariam um golpe contra Dilma para permitirem numa boa, dois anos depois, a volta do PT ao poder numa candidatura Lula. E também foi o primeiro a afirmar que sua prisão era para impedir que vencesse as eleições, o que se vai verificando na prática, pois é campeão de intenções de voto em todos os cenários.

Sucede que, ainda que desmoralizados e arruinados, PMDB e PSDB não escolherão armas para darem prosseguimento à pauta ultraneoliberal que afundou os trabalhadores num desemprego recorde e numa falta de perspectiva em relação ao futuro desesperadora.

A aposta de Lula é a de que seguirá, embora sequestrado pela Al Qaeda de Curitiba, se consolidando como voz do povo até o limite máximo do jogo eleitoral, que é a apuração final das urnas. Os golpistas estão dispostos a tudo, mas não comem merda, nem rasgam dinheiro. Se Lula passar o bastão, perde o controle do processo eleitoral que hoje está todo em suas mãos - daí a pressão para que ele saia do jogo: uma vez fora, os golpistas deitarão e rolarão.

Lula jogará o jogo, seja como for, até depois de as urnas apuradas. Como diz Gonzaguinha em Cama de Gato:
No campo do adversário
É bom jogar com muita calma
Pocurando pela brecha
Pra poder ganhar


JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

SÃO AS ELEIÇÕES, ESTÚPIDO!


A articulação criminosa - com Supremo, com tudo -, que assumiu o poder a partir da sequência de golpes conta a presidenta Dilma e a coalizão em torno de Lula, apostou até sua última ficha que a prisão do ex-presidente seria o cheque-mate do jogo sujo que instaurou no país com sua estratégia de vale-tudo. Porém nem a deposição de Dilma se deu como essas forças planejaram, nem um mar de rosas neoliberal floresceu no país, nem a prisão de Lula encerrou o jogo.

Empurradas para as urnas - uma vez que cogitaram inclusive adiar as eleições -, esses agentes se dão conta de que a cada golpe de sua sequência de golpes em série, Lula, Dilma e a esquerda recuperaram terreno na arena política, e o próprio campo golpista se foi esfarelando.

O PSDB de São Paulo, o mais consistente até as eleições de 2014, virou pó junto com Aécio. Seu candidato a presidente, o protofascista Geraldo Alckmin, foi traído por seu cafajeste favorito, Dória, que tentou esfaqueá-lo para se tornar o candidato do partido a presidente. Não consumando sua traição inteiramente, este se fez engolir a seco como candidato a governador, quando Alckmin jogava todas as suas fichas em Márcio França, seu vice.

Hoje a situação dos tucanos de rapina de São Paulo é esta:
  • seu candidato a presidente patina nos 5%  do eleitorado, perde para Lula e Bolsonaro no estado em que o tucanato governa há um quarto de século, e que deu a Aécio, em 2014, nada menos de que 66,5% dos votos;
  • seu candidato a governador, Dória, vê seus índices de rejeição na Capital explodirem, após abandonar o governo, de péssima gestão, após 15 meses de posse e nada de governo - e é rejeitado pelo próprio candidato a presidente do partido;
  • o governo do estado foi entregue a Márcio França, impedido de apoiar Alckmin, pois está obrigado pelo PSB a apoiar o candidato do próprio PSB, Joaquim Barbosa;
  • Dória e França, ambos da base tucana, se esfaqueiam mutuamente - o primeiro tentando atrair o eleitor tucano, que não se identifica a priori com ele, pois sua identidade é mais DEM do que PSDB; o segundo, se apoiando na máquina do governo e na articulação de com as 645 prefeituras do estado.

Esse, o de São Paulo, é o melhor PSDB do Brasil hoje. No Rio de Janeiro e em Minas, os tucanos estão completamente destruídos. O MDB-máfia de Temer-Jucá  tenta a todo custo se reerguer da lama  e com a lama ocupando o espaço do finado tucanato local desses estados. A intervenção militar no Rio era parte desse golpe, mas todos são unânimes: fracassou.

A tentativa de golpe contra Pimentel em Minas é uma jogada de risco, e não parece de fácil consecução. A provocação, na forma de intervenção federal no estado do Maranhão, também não dá sinais de ir em frente, pois o próprio Temer é posto na defensiva em face novas e consistentes denúncias sobre sua sabida liderança no esquema podre de corrupção pesada no porto de Santos.

Embora a mídia golpista faça contorcionismo para eliminar Lula dos noticiários, desde que que o roteiro de seu encarceramento foi sacramentado pelo STF, Lula não sai do topo das redes sociais, muito mais influentes hoje do que a rede Globo - prova-o massacre midiático sofrido por Lula e o aumento de seu prestígio junto à população, medido pelos mesmos institutos mantidos por essa mídia prostituída.

Quanto mais o golpe impôs sua agenda e sua estratégia de extermínio de Lula, de Dilma, do PT e da esquerda, mais a esquerda se consolidou e aumentou seu prestígio - e mais o próprio polo golpista se esfarelou. A se manter essa polarização (esquerda X golpistas), as eleições de 2018 serão plebiscitárias: o pior dos mundo para a direita, para os traidores do Brasil e para a corja golpista, encrustada nos três poderes da República, máfia que enoja o país e o atirou numa de suas piores crises políticas, econômicas e morais da história.


JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


quinta-feira, 26 de abril de 2018

MEC sob o golpe: um esgoto de negociatas podres


Reproduzo a seguir o esclarecedor desabafo de João Escosteguy Filho sobre o esgoto de negociatas podres em que se tornou o MEC após o golpe de Estado que pôs Temer no poder e Mendonça Filho no comando do mesmo Ministério. O esgoto brota a céu aberto.

Uma pequena história dos dias de hoje
Por: João Escosteguy Filho


Se você já leu alguma publicação minha, peço que leia esta também. E contribua para a discussão. Uma pequena história dos dias de hoje. Vamos acompanhar.

Em janeiro de 2018, o SEB comprou o AZ (colégio e curso pré-vestibular do Rio de Janeiro) por 45 milhões de reais. SEB, ou Sistema Educacional Brasileiro, detinha o antigo COC (Colégio Oswaldo Cruz), um gigante do setor privado da educação nascido em 1986, em São Paulo, e vendido em 2011 para a Pearson PLC.

A Pearson PLC é uma multinacional com sede em Londres, criada em 1844 e que, dentre outras, é dona do Financial Times e de metade do The Economist. Em 2009, a The Economist afirmou, em artigo, que a "má qualidade da educação brasileira" é o grande fator de entrave para o desenvolvimento do país.

A mesma revista, em 2012, colocou o Brasil em penúltimo lugar em educação num ranking de 40 nações. Esse estudo foi encomendado pela... Pearson PLC. A mesma que comprou o COC, que era da SEB, que comprou o AZ. A mesma que é dona de metade da... The Economist. Liguem os pontos.Vamos para outro lado da questão:

O fundador da SEB, que vendeu parte imensa da empresa para a Pearson PLC, se chama Chaim Zaher. Chaim Zaher é amigo pessoal do ministro da Educação, Mendonça Filho, e também da secretária executiva do MEC, segunda em comando, Maria Helena Guimarães de Castro. Chaim Zaher sugeriu a Mendonça Filho levar o Prouni e o Fies ao ensino secundário. No qual o SEB é um gigante.

Mendonça Filho, nosso ministro, já afirmou que o Ensino Médio brasileiro precisa de "mudanças urgentes". Maria Helena Guimarães de Castro, segunda em comando, já afirmou que custeio das universidades públicas é insustentável. E que é preciso sintonizar o Brasil com o resto do mundo (desconfio do que isso significa...)

Para Maria Helena, o fundador do SEB, Chaim Zaher (aliás, seu amigo pessoal de mais de 25 anos), é um sujeito dedicado, inteligente, batalhador e "tem feito um trabalho muito importante na educação". O SEB também tem universidades privadas. O Pearson PLC, idem. Liguem os pontos.Vamos avançando.A Pearson PLC também comprou, em 2013, a Wizard, o Yázigi e o Skill (todos os três cursinhos de inglês). E também era dona, até 2017, da Microlins e da SOS computadores (cursos profissionalizantes).

O Novo Ensino Médio tornou inglês disciplina obrigatória. E tornou a educação profissionalizante um "itinerário formativo" nos moldes da profissionalização das décadas passadas (isto é, descolada de qualquer concepção integral de ensino). Pelo modelo do MEC, quem faz ensino profissionalizante não faz Enem. Ou faz com muito mais dificuldade. Basta ligar os pontos.

Adiante:

A relação SEB-Pearson PLC é só a face mais recente de um processo mais amplo.Desde 2011, jjá haviam sido vendidos o pH, o Pensi e o Elite. Todos cursos-colégios do Rio de Janeiro. Rede privada. O pH foi comprado pela Abril Educação. Que depois se tornou o grupo Somos Educação. Que também é dono do sistema Anglo, da rede ETB (escolas técnicas do Brasil), e também das editoras Ática, Scipione e Saraiva. Essas editoras fazem livros didáticos.A venda de livros no Brasil representou, em 2017, algo em torno de 5,2 bilhões de reais. Metade desse valor foi de livros didáticos e compras pelo governo.

Os livros didáticos precisam seguir orientações do MEC. Que promoveu a Base Nacional Comum Curricular, o Novo Ensino Médio e reformulou o Enem, alterando, com isso, a dinâmica desse mercado editorial. Liguem os pontos.

A Abril Educação, como o nome indica, é parte da Editora Abril. A Abril não apenas publica o Guia do Estudante (que inclusive faz rankings de universidades), mas também as revistas Exame, Veja, e Você S/A.

Todas as três são grandes defensoras da privatização da educação. Todas as três louvam o mundo empresarial da educação, formado, dentre outros, pelo Somos, pelo SEB e por demais conglomerados. Os pontos, aqui, já viraram uma estrada.

Vamos que vamos:

O Pensi e o Elite foram comprados pelo grupo Eleva. O Eleva é parte de um fundo de capital chamado Gera Venture. Esse fundo tem como principal investidor (isto é, na prática, o big boss) o banqueiro Jorge Paulo Lemann.

Lemann é apenas o homem mais rico do Brasil. Dono de uns 20 bilhões de dólares. É também dono da Heinz, do Burguer King, da Budweiser, dentre outras. Para inúmeras publicações, o Eleva é dono de algumas das "melhores escolas do país". Por que melhores? Porque estão entre os melhores colocados no ranking do Enem. Para nossa mídia, estar bem colocado no ranking do Enem é sinal de sucesso educacional. O Pensi e o Elite ficam normalmente entre as primeiras colocações no Rio de Janeiro no ranking do Enem. O Pensi e o Elite, dentre outros, forjam seus resultados no ranking do Enem reunindo "elites" de alunos que só entram nas redes a partir do último ano do Ensino Médio. A mídia hegemônica costuma achar que isso, porém, é sinal de sucesso. E deseja esse modelo para o Brasil. Liguem os pontos.

Quase finalizando:

Isso que descrevi acima não contempla nem perto de tudo que rola nesse mundo. Nem mencionei, por exemplo, o Kroton, maior grupo educacional do mundo (do MUNDO). Vocês não acham bizarro que o Brasil, sempre extremamente criticado pela sua educação, sempre extremamente criticado nos rankings educacionais internacionais, seja o lar da maior empresa privada de educação DO MUNDO? O Kroton foi fundado em Belo Horizonte. E já tentou comprar a Estácio de Sá e o próprio SEB. Ambos os negócio só não foram pra frente porque o CADE, à época, embarreirou. Liguem os pontos!

Concluindo:

Enquanto as principais discussões educacionais giram em torno do "Escola sem Partido" e congêneres (e são discussões, de fato, fundamentais), esse movimento de gigantes vem, nos últimos 10 anos, promovendo uma nova face do imperialismo e do privatismo na educação. Sim: é preciso recuperar o conceito de imperialismo.

Não se trata apenas de negócios. Se trata, também, de uma profunda alteração nos sentidos da educação pública no país. 80% dos alunos do Brasil pertencem às redes públicas. Esse negócio bilionário não está aqui apenas para alcançar os demais 20%. Porque, não se enganem, a menina dos olhos de todos esses grupos é a rede pública mais robusta. Especialmente universidades estaduais e federais, IF, Faetec e similares etc.

Prestemos atenção à UERJ. Ali é um grande laboratório do desmonte que será seguido por ataques desses grupos. A grande batalha da próxima década na educação será contra o privatismo. Impossível entender qualquer discussão sobre educação no Brasil, hoje, sem levar em conta esse gigantesco movimento de bastidores.

(Não coloquei links para as informações para não sobrecarregar o texto de referências. Mas basta uma pesquisada na rede para confirmar todos os dados aí.)

EDIT: Dois outros aspectos que, acho, merecem ser mencionados.1) Esse mega-movimento do mercado educacional não seria possível sem o acompanhamento da construção de um consenso que elogia, defende, valoriza esse movimento. Quanto mais defendermos, em escolas públicas, essa lógica como a "correta", mais estaremos oferecendo ao carrasco não só nosso pescoço, mas o pescoço de uma concepção verdadeiramente libertária de educação.Em outras palavras: o que movimenta esse mercado é também um consenso (cuja construção depende muito também da mídia hegemônica) que permite a naturalização do absurdo. Quando o absurdo fica naturalizado, seu combate se torna bem mais difícil.

2) Como construir, então, uma alternativa? Uma visão contra-consensual? Contra-hegemônica? Certamente NÃO SERÁ a partir de uma visão progressista muito forte hoje, que defende, dentre outras coisas, questões culturais isoladas do contexto sócio-econômico.Digo isso pois, apesar de entender a imensa importância desse viés mais culturalista, entendo que essa lógica educacional privatista tem suficiente espaço para acomodar esse elemento de crítica cultural.

Não podemos esquecer um dado fundamental: UM DOS PRIMEIROS ALVOS DO ESCOLA SEM PARTIDO, MAIS DE 10 ANOS ATRÁS, FOI, JUSTAMENTE, O SISTEMA COC. As apostilas eram consideradas muito esquerdistas. Outro alvo do escola sem partido foi o SISTEMA ANGLO, a partir da atuação de um professor que foi mega perseguido por ser muito "petralha" em sala.Estou falando de DEZ-DOZE ANOS ATRÁS.

A luta contra os retrocessos mais culturais (como o Escola sem Partido) precisa vir acompanhada da luta contra esse imperialismo privatista. Senão vamos apenas trocar a frigideira pelo forno.EDIT 2: Leonardo Custodio de Jesus me alertou que a Pearson já vendeu a Microlins e a SOS. Mas isso não muda nada do que escrevi, porque: 1) Essa venda se deu após todo o processo que descrevi (a transação se deu em meados de 2017; as fontes que vi eram anteriores a isso); 2) A interpretação geral ainda se sustenta, já que o grupo Prepara, que comprou essa fatia, está na mesma lógica. Mas agradeço, Leo, a indicação! Incorporei no texto.

EDIT 3: Fiz algumas mudanças pontuais no texto para corrigir questões pontuais de interpretação (SEB e COC, por exemplo, não são a mesma coisa; o COC era parte do SEB, que é, portanto, maior que o COC). O significado e a interpretação geral, porém, continuam os mesmos.

EDIT 4: Fui convidado a ampliar o texto para publicação em um grupo. Aproveitei para incorporar mais alguns aspectos que vasculhei pela rede.

Para ficar em uma: o Somos, dono do pH, pertence ao fundo Tarpon. Um dos sócios do fundo Tarpon (e presidente do Somos), Eduardo Mufarej, é também fundador do movimento Renova Brasil.O movimento Renova Brasil é, atualmente, o grande articulador da campanha do Luciano Huck à presidência...


Esse buraco é bem fundo mesmo.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.



terça-feira, 17 de abril de 2018

COPA DO MUNDO: O que está por detrás dos gramados


A Copa do Mundo de Futebol está chegando, e esta é uma excelente oportunidade para despertar em adolescentes e jovens o interesse na leitura. O Diário Secreto das Copas é um livro de leitura agradável e instigante que faz o leitor viajar pelas Copas do Mundo, desde 1930, no Uruguai, até a edição mais recente, no Brasil, de 2014, precedida por manifestações de protesto que varreram o país.

O livro, na forma de ficção, contextualiza na história cada edição da Copa, e detalha segredos e eventos (nem sempre conhecidos do público, nem exatamente alegres) que acompanharam as seleções nos gramados, tais como o uso político do futebol, a exemplo da Itália fascista de Mussolini, em 1934, ou do terremoto que destruiu o Chile e quase inviabilizou a Copa de 1962.

Tudo isso ocorre a partir do diário de uma avó deixado em segredo como herança para a neta. Casada com um jornalista esportivo, a avó viajou o mundo, atravessando continentes, enfrentando tragédias (como a II Guerra, que interrompeu a disputa da Copa) e ditaduras (como as de Argentina e Brasil, que se enfrentaram em campo em 1978), mas também vivendo as glórias da vitória sobre o III Reich, as emoções da campanha das Direta Já e as tensões das megamanifestações de 2013, muitas das quais contrárias à Copa no Brasil. Mas muito além de todas as Copas, um segredo vital unirá a avó e a neta.



JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

terça-feira, 10 de abril de 2018

A EQUAÇÃO LULA É UM FURACÃO


As forças, muitas das quais escondidas na sombra, a exemplo dos EUA, não conseguem resolver uma equação que julgaram simples demais: a equação Lula.

Com o golpe contra a presidenta Dilma e o encarceramento de Lula, as forças do golpe de Estado davam por certo livre o caminho para fazerem do país uma neocolônia de exploração exclusiva dos EUA. Porém a forma como Dilma resistiu e vem resistindo e a forma como Lula reage às cartas marcadas dos gorilas de Curitiba, retomando sempre a ofensiva, acrescentam incógnitas sobre incógnitas à equação que, assim, se vai complicando e assumindo feições de verdadeira metamorfose ambulante.

Os golpistas julgaram que a prisão de Lula solucionava a equação principal do golpe, o que lhes abriria um verdadeiro clarão no tabuleiro do xadrez político que armaram. Porém vão descobrindo que cada movimento contra Lula tem como resultado algum efeito colateral fortemente desastroso para o próprio golpe, resultante das reações inesperadas do próprio Lula. A equação cresce em progressão e em complexidade, gira, forma um vórtice e vai engolindo tudo a sua volta.

O mandado ilegal de prisão - não impetrado, mas cometido, pois se trata de um ato que afronta o próprio STF -  deu a Lula um palanque global. No país e no mundo as atenções estão voltadas para Lula e os próximos episódios de sua jornada épica. Moro não tem mais o que fazer em seu xadrez tosco: perdeu seu último movimento no tabuleiro jurídico e assiste agora o jogo saltar para a arena política. Lula está preso, mas a um palanque colossal que o vaidoso e limitado juiz de província foi montando como um enxoval de noiva.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 8 de abril de 2018

UM NASCE PARA OS BRAÇOS DO POVO, OUTROS PARA ENFEITE DE PUTEIRO

E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

As duas imagens mais simbólicas produzidas pela realidade brasileira nos últimos dias são a do presidente Lula carregado nos braços do povo e a da homenagem de Oscar Maroni, proprietário do puteiro de luxo Bahamas, em Moema, São Paulo, a Sérgio Moro e Carmen Lúcia.

Após a negação do habeas corpus a Lula, na 4a. feira passada (04/04/18), e a decretação de prisão expedida por Moro, sem que o STF tivesse tido sequer tempo de publicar sua decisão, a mídia golpista entrou em frenesi à cata da imagem perfeita para estampar em seus noticiários e suas capas de jornais e revistas.

Porém a decisão tomada por Lula de resistir à prisão, tanto quanto o mandado de prisão ilegal de Moro, deixou essa mesma mídia carniceira como barata tonta. Sobrevoando o Sindicato dos Metalúrgicos, a Rede Globo, roubando o sinal da TVT, tentava a todo custo a primeira imagem de Lula preso. Gastou fortuna em combustível, e saiu frustrada.

Demais emissoras e jornais tentavam antecipar, como abutres, no interior do Sindicato ou em sua porta, o momento da derrota do maior líder que a classe operária já produziu no país. Porém essa derrota não vinha e a iniciativa, que esteve com o STF e depois com o juizeco de Curitiba, agora estava totalmente com Lula, que magistralmente passou a controlar tanto o protocolo de sua apresentação à justiça, quanto a narrativa do momento e (o pior para a mídia e para os próprios golpistas) o monopólio da produção verdadeiramente industrial de imagens - daquelas incessantes de resistência no Sindicato, difundidas pela própria mídia golpista em tempo real durante três dias, àquelas dos protestos em 24 capitais do país em apoio a Lula.

De quinta feira ao momento de sua saída a pé do Sindicato para ingressar no comboio passivo e derrotado da Polícia Federal, depois sua chegada a Curitiba ontem, (07/04/18) com a Polícia do PSDB atirando contra manifestantes, Lula este esteve soberano, e converteu sua prisão num momento apoteótico, de glória e resistência, cujas imagens se espalham agora pelo mundo.

Porém, desse oceano de imagens, duas viralizaram nas redes sociais: a do presidente carregado nos ombros por uma multidão à porta do Sindicato, e a dos retratos de Sérgio Moro e Carmen Lúcia na parde do puteiro de luxo Bahamas, do cafetão condenado e solto pelo STF, Oscar Maroni, que ofereceu cerveja de graça em comemoração à decisão dos dois data venia ilustres magistrados. E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

(A foto histórica de Lula nos braços do povo é do jovem de 18 anos Francisco Proner).

DISCURSO DE LULA ONTEM

Eu tenho dito em todo discurso: não adianta tentar de me impedir de andar por este país, porque tem milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste país para andar por mim. Não adianta tentar acabar com as minhas idéias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês", disse Lula.

Não adianta achar que tudo vai parar o dia que o Lula tiver um infarto, é bobagem, porque o meu coração baterá pelos corações de vocês, e são milhões de corações. Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque eu não sou um ser humano, sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês, e eu tenho certeza que companheiros como os sem-terra, o MTST, os companheiros da CUT e do movimento sindical sabem, e esta é uma prova, esta é uma prova, eu vou cumprir o mandado e vocês vão ter de se transformar, cada um de vocês, vocês não vão se chamar chiquinho, zezinho, joãozinho, albertinho...

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.




terça-feira, 3 de abril de 2018

O CINEASTA DA BALA E SEU MEGANHISMO

Nova entrevista com o cineasta da bala baseado em fatos surreais antecipa próximos episódios de seu meganhismo.

OH!GranDIOsoFÁ: Você ficou dodói com a chuva de balas críticas que o seu Meganhismo vem recebendo pelas redes sociais. Você estava preparado para a troca de bala com bala com balacobaco?

Zé Meganha: Ó grandioso, achei que estava blindado, mas só que não. Veio sapecada de onde eu não imaginava. Se não é o colete a prova de balas da Folha, do Estadão e da Globo, meu Meganhismo tinha ido pro saco.

OH!GranDIOsoFÁ: Mas você não sabe que meganha que não anda na linha acaba levando invertida?

Zé Meganha: Aí foi vacilo meu. Autoconfiança demais, né... Depois do Tropa de Celulite, achei que tava tudo dominado... era só entrar chutando a porta do barraco e coisa e tal...

OH!GranDIOsoFÁ: Parece que não foi bem assim.

Zé Meganha: Não foi e não tá sendo. Todo dia tenho que dar entrevista defendendo o Meganhismo na imprensa amiga, senão os caras deixam cair o moral da tropa e interrompem a série.

OH!GranDIOsoFÁ: Corre esse risco, mesmo, mermão?

Zé Meganha: Putz! Se pá, pum! Pensei que os donos do quartel estavam mais interessados em bang bang, mas os caras só pensam em dinheiro. Quando perguntaram pra mim se eu tinha bala na agulha, pensei que fosse calibre 38, 45, tal e pá. Mas não, bala na agulha para eles é dólar.

OH!GranDIOsoFÁ: Quer dizer que se a patacoada que tu faz não encher os bolsos da Netqualquercoisa, teu Meganhismo vira presunto vencido?

Zé Meganha: Tá uma pressão foderosa em cima de moá, véi. Já apareci até com boné camuflado para ver se a maré vira, mas tá mais é virando pra cima de moá.

OH!GranDIOsoFÁ: Será que seu Maganhismo saiu pela culatra?

Zé Meganha: Meu, já xinguei a esquerda de tudo que é nome pra ver se paravam de cancelar assinatura da Netqualquercoisa. Entrei até na campanha pra prender neguinho (branquinho da Barra da Tijuca, não) na segunda martelada do juiz, mas parece que o morro desceu pra cima de moá, e não era Carnaval.

OH!GranDIOsoFÁ: Tu achou que ia se dar bem, né não?

Zé Meganha: Achei, véi. Pior que achei. Agora acho que entrei de Zé e tou saindo de mané.

OH!GranDIOsoFÁ: Já dizia o Kid Moringueira: "Erro de malandro é achar que todo mundo é otário".

Zé Meganha: Pódicrê, Grandioso. Vacilei, virei borsa.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.



sexta-feira, 30 de março de 2018

O MEGANHISMO DO CINEASTA MARIA BATALHÃO

Entrevista baseada em fatos livremente surreais do cineasta meganha.

OH!GranDIOsoFÁ: Querido, de onde você tirou essa ideia de jerico?

Zé Meganha: Qual delas? Você sabe, sou muito criativo, e as ideias vão surgindo assim numa verdadeira... numa verdadeira....

OH!GranDIOsoFÁ: Diarreia mental?

Zé Meganha: Isso, totalmente descontrolada.

OH!GranDIOsoFÁ: Falo da série O Meganhismo, que está bombando nos apês classe média paneleira.

Zé Meganha: Ah, isso vem do primeiro revólver de brinquedo que ganhei na infância. Sempre gostei de me imaginar metendo bala a torto e a direito. Como não tive coragem de virar nem bandido nem polícia, virei cineasta rs rs rs. Assim invento porrada e todo mundo manda bala à vontade kkkk.

OH!GranDIOsoFÁ: Putz, que criativo. Não sei como ninguém tinha pensado nisso antes, tipo assim, John Wayne, Rambo, Sergio Leone...

Zé Meganha: Esses caras até tinham talendo, mas faltou a eles...

OH!GranDIOsoFÁ: A Mentelixo?

Zé Meganha: Isso. Os caras faziam filme pra passar em cinema... Isso já era. Cinema tá com nada, o negócio é TV, cara, isso é a evolução da sétima arte.

OH!GranDIOsoFÁ: Por que tu enfiou conversa de um na boca de outro no seu Meganhismo.

Zé Meganha: Ah, isso foi outra sacada de infância. Quando ganhei o boneco do Falcon, aquela porra não falava, então eu tinha que ficar inventando as falas dele para conversar com ele. Como não conseguia inventar, decorei o que meus pais falavam e, quando era a deixa do Falcon, eu imitava a voz deles.

OH!GranDIOsoFÁ: Tipo assim... papagaio.

Zé Meganha: O conceito é esse... Deu certo com o Falcon, então inovei a arte cinematográfica com essa puta sacada...

OH!GranDIOsoFÁ: Pô, Zeca, mas as meninas vivem conversando com suas bonecas e o diálogo entre elas rola solto, sem essa, meu!

Zé Meganha: Pódi crê, mas eu não conseguia imaginar a fala da porra do boneco, então a saída de decorar o que os outros falavam e repetir na vez do boneco deu certo pacarai.

OH!GranDIOsoFÁ: Você acha que deu certo n' O Maganhismo também? Tá rolando umas críticas aí...

Zé Meganha: Tudo invejoso que não conseguiu virar nem bandido, nem policial nem cineasta da bala. Olha, se os atores não se comportassem como bonecos, não teria dado certo, mas eles fizeram certinho o papel do Falcon, então encaixou tudo numa nice, undestand? Nem precisou de muito ensaio. Agora, teve uns que erraram sua fala e lascaram a fala do outro, mas a porra tá tão zoada que ninguém percebeu, nem eu kkk.

OH!GranDIOsoFÁ: E esse seu tesão por cara fardado?

Zé Meganha: Ah... Também vem do Falcon. Ele tinha várias roupinhas, mas a que eu mais gostava era a de soldado com uniforme camuflado. Tenho ele até hoje sob o abajur lilás do meu criado mudo.

OH!GranDIOsoFÁ: Qual seu próximo projeto?

Zé Meganha: Vou refilmar o Bambi do Walt Disney, tudo com dublagem do Alexandre Frota. Vai ser uma loucura...

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quinta-feira, 15 de março de 2018

CAMISAS AMARELAS: VOCÊS SÃO OS MANDANTES


A jovem guerreira e vereadora carioca do PSol, Marielle Franco, foi vítima de um ato covarde, como é praxe em um mundo cão em que criminosos e policiais falam o mesmo idioma, comungam os mesmos objetivos, rezam a mesma cartilha e agem do mesmo modo. Criminosos como esses não agem por motivação própria: são paus mandados, capitães do mato, jagunços contemporâneos a fazerem o serviço sujo a mando daqueles que, para manter seus privilégios, fazem qualquer negócio. Junto com ela, foi vitimado seu motorista, um trabalhador, Anderson Pedro Gomes, que com o suor de seu trabalho defendia sua família.

Eu acuso aqueles que saíram às ruas para defender o golpe de Estado em curso por esse ato covarde e vergonhoso. A manada de camisas amarelas é culpada por esse e outros crimes já ocorridos recentemente e outros que estão por vir, infelizmente.

Ao idolatrarem torturadores, ao pedirem intervenção militar, ao atiçarem o linchamento de militantes de causas humanitárias e sociais, ao emprestarem base social e financeira para o golpe de Estado, esses cretinos furiosos deram a senha para os matadores com os quais sempre contaram, que estão saindo das sombras já sem qualquer inibição.

Ou o país retorna à normalidade democrática e põe fim a esse golpe, ou dias tormentosos nos esperam. Quando Ivan Lins escreveu "Muita água rolou nos olhos do povo. Pelo que vejo agora, neném, vai rolar de novo", nem imaginava que, ao constatar uma realidade da década de 1970, fazia igualmente uma profecia aziaga.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

NÃO VAI TER COPA NOVAMENTE?

 São Paulo, 17 de junho de 2013.
O diário secreto das Copas é uma ficção que explora fatos históricos relacionados diretamente às edições da Copa do Mundo. Iniciando-se no ano de 2013, o enredo retorna nas páginas do diário ao distante ano de 1930, quanto a então adolescente Kátia, de treze anos de idade, encontra na capital do Uruguai, durante a primeira Copa do Mundo, o amor de sua vida, Martin, quatro anos mais velho.  Ambos são brasileiros em viagem, e nem sempre o tempo e a história estarão a seu favor.

Daí em diante, todas as Copas do Mundo serão visitadas, inclusive a de 2014, do Brasil, cujo período preparatório envolve  as megamanifestações de junho de 2013, ocorridas no âmbito da Copa das Confederações, e objetivos pouco claros, mas cujo roteiro ia da manifestação pacífica inicial ao quebra-quebra e à violência final, de consequência imprevisíveis e que, tudo indica, projeta sombras, expectativas e receios sobre junho de 2014.
Seleção da Itália faz saudação fascista a Mussolini.
Copa da Itália, 1934.
Cada capítulo do diário tem uma abertura com sinopse precisa da respectiva Copa,  o texto da ficção e uma contextualização histórica, que serve de pano de fundo para ambos. Amor, saudade, alegria, tristezas, terremotos, vitórias, revoluções, guerras, impeachment, manifestações de jovens e protestos gigantescos realmente ocorridos formam o  túnel do tempo em que o diário e seus personagens viajam.

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Em O diário secreto das Copas amor e aventura, verdade e ficção científica se misturam, a partir do contexto oferecido pelas Copas do Mundo, de 1930 a 2014. Quando em 2013 Kátia, amiga de turma da adolescente Lubna, desaparece inexplicavelmente, um enredo de mistério e amizade, eventos esportivos e paixão, história brasileira e mundial se desenrola vertiginosamente.

Kátia é filha de um talento científico russo que, ainda jovem, quando do fim da União Soviética, fugiu da perseguição dos serviços secretos do novo regime. No Brasil, iniciou pesquisas, e também misteriosamente desapareceu.

Em meio a esses sumiços inexplicáveis, a avó de Lubna morre, mas lhe deixa de herança um diário no qual amor, amizade, cataclismos geológicos, guerras, revoluções e um segredo estão depositados.

A ascensão do fascismo e do nazismo na Europa, por exemplo, é descrita a partir de pesquisa cuidadosa, que situa o papel destinado  ao esporte por Mussolini e Hitler na propaganda de guerra que estão preparando. Em 1938, na copa da França, Alemanha e Itália foram vaiadas. Na foto acima, seleção italiana, sob vaia, saúda torcedores franceses com gesto fascista. Alíás, nessa Copa, a seleção italiana, empregou em várias ocasiões, ao invés de seu tradicional uniforme azul e branco, um uniforme preto, empregado pelas milícias fascistas.


JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

ACIMA DE DEUS, A BURGUESIA E SEUS EMPREGADOS DE LUXO: OS JUÍZES


Os supersalários e a vida de sultão dos juízes se justificam: eles exercem no Estado a função de guardiões do cofre da burguesia. Se falhar tudo no sistema capitalista, incluso as Forças Armadas, e o povo sonhar assumir o poder, resta ainda essa muralha inexpugnável : o poder judiciário.

ACIMA DE DEUS, A BURGUESIA E SEUS EMPREGADOS DE LUXO
Soneto 22

Quando era bem pequeno, eu olhava para cima
Crendo que depois das nuvens e do azul
Havia um Deus de barba branca e justo,
Porém ao crescer descobri Dele acima a burguesia.

Ela mais que Ele está em todo lugar, tudo controla, tudo vê.
O olho descuidado de Deus tantas vezes erra.
Errou logo de cara, prova-o o caso de Adão e Eva,
Porém não erram  os milhões de olhos de celulares e TVs.

Acima de Deus a burguesia ainda promoveu
Uma malta entojada de mór desinfelizes
Cuja moral hipócrita enoja o pior fariseu 

Com suas poses ridículas e togas bregas - os juízes.
Estes, sem ter onde enfiar tanta grana que a burguesia lhes deu,
Torram-na em toalete como sói acontecer a ricas meretrizes.

(Cibio Bote. A burguesia e seus amigos).

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Los três mofinos

Cães da guarda da burguesia imoral que tomou o poder no país atiçada pela máfia midiática, os juízes da Lava Jato retribuem com bônus o dinheiro de supersalários, que recebem exatamente para fazer o que estão fazendo. Por essa razão, merecem ser lembrados para sempre.

MALANDRO MÓR
Soneto 23

Encontrando pela frente um bandido
Todos têm a chance de se sair bem:
Se o vilão dá um cochilo
É mandá-lo para o além.

Outro tipo descarado também
De se dar mal corre sério risco:
O diabo sabe que não convém
Encher o saco de Jesus Cristo.

Mas existe na natureza um tipo
Para quem o diabo é aprendiz
E a malandragem do bandido

É mesmo de fazer rir.
Encontrá-lo é o maior perigo:
Esse tipo é o juiz.

(Cibio Bote. A burguesia e seus amigos).

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 20 de janeiro de 2018

CAMINHOS QUE LEVAM À FÉ

Num momento em que a intolerância, o ódio e o racismo vicejam nas redes sociais – a bem da verdade cada vez mais combatidos e em franca defensiva – um samba enredo de São Paulo responde aos iracundos não na mesma moeda, mas com a moeda de ouro da beleza. Assim, a escola de samba Colorado do Brás, vermelha até no nome, vem para o Carnaval de 2018 com um belíssimo samba enredo que encaixa em todos os sentidos.

O ritmo e a cadência de CAMINHOS DA FÉ vai num crescendo contagiante que torna impossível a quem o ouve ficar parado um só instante. A força dos tambores africanos atravessam a pele, a musculatura, os nervos, os ossos e atintem diretamente o coração, que passa então a pulsar na frequência portentosa da bateria. Quem participa dos ensaios da Colorado do Brás sai dizendo que sentiu o sangue fluir quente pelo corpo:

Mãe África derrame seu Axé
Semeando a cultura
Em teu sangue a bravura
Aos ventos de Orum Ori Aláfia
Eparrey Oyá

Não só o ritmo encaixa: a harmonia encaixa perfeita na letra, que articula línguas, culturas e religiões de Brasil e África. É um verdadeiro poema hibrido em que Brasil e África se abraçam numa comunhão de idiomas, mas também de almas. A saudação a Oxóssi, ligado às forças da floresta, fauna e flora, abre uma segunda estrofe do samba que é uma saudação ao orixá caçador, mas é também um chamado contagiante à cultura e à religiosidade de matriz afro:

Okê Arô Ora Yêyêo
Odoya Kawo Kabecilê
Salubá Nãnã Atotô Obaluaê
Ogunhê Arroboboy Oxumarê

O refrão mescla apelo ao ecumenismo, súplica humilde de filho e exaltação das raízes, tem uma força de atração e de sentido que por si só age como antídoto poderoso contra a intolerância.

Bahia de todos os santos
Acolhe teus filhos herdeiros da força
De seus ancestrais

O samba enredo é coroado com versos que convidam à retomada de seu próprio início, numa metáfora de abre alas de rara beleza: o ciclo da vida, das águas, da festa precisa ser sempre retomado, eternamente:

Hoje vai ter Xirê. Hoje vai ter Xirê.
Roda baiana. Salve todos orixás.
Axé! Colorado vai passar.

Dessa forma a Colorado do Brás dá seu recado a esse tempo confuso em que vivemos: com um samba cuja beleza em todos os sentidos deixa racistas, perseguidores da cultura afro, intolerantes e “donos da verdade” simplesmente mudos, catatônicos, sem chão debaixo dos pés para sambar.


Compositores: Marcio Pessi, Edson Dafféh, Gilson Caffé, Magrão da Caprichosos e Hermes Sobral.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.