sexta-feira, 3 de março de 2017

A força simbólica das palavras


A linguagem, ou a língua, aqui tomadas como sinônimos, pode assumir, a grosso modo, duas dimensões: a pragmática (prática) e a simbólica, sendo que nem a primeira nem a segunda são puras: tanto a dimensão predominantemente pragmática está mesclada com expressões de natureza simbólica, quanto a dimensão simbólica está contaminada pela dimensão pragmática da linguagem.

dimensão pragmática da linguagem diz respeito ao uso cotidiano e prático da língua. Nela, os sentidos das palavras estão próximos e relacionados diretamente com os significados delas no dicionário linguístico: a palavra "caneta" representa um objeto empregado na escrita que se diferencia do lápis, feito com grafite, pelo emprego de tinta. Podemos, ao ouvir ou escrever "caneta", imaginar uma infinidade de formas, tamanhos e cores de caneta, porém a palavra está associada diretamente aos objetos possíveis de comporem um conjunto formado pelos diversos modelos de caneta. Ao chegarmos ao balcão de uma papelaria e pedirmos uma caneta esferográfica azul, o funcionário rapidamente exporá a nossa frente as que tiver para vender: escrita fina, escrita grossa, com cilindro colorido ou transparente etc. Todas, canetas.

Do mesmo modo, no uso didático, as palavras assumem por função esclarecer ideias, tirar dúvidas, exemplificar, refletir sobre aspectos da aprendizagem entre outros significados. As palavras aqui tendem a evitar duplos sentidos, buscam expressar ideias, conceitos, fórmulas, pensamentos com a maior exatidão possível, eliminando tanto quanto possível ambiguidades que induzam ao erro.

O mesmo se dá nas linguagens científica (sejam elas no campo das ciências exatas, no das humanas ou ainda no das linguagens) e informativa (ou jornalística), que também tendem à exatidão para comunicar conceitos, modelos científicos, fórmulas, fatos, sistematizar experiências ou experimentos etc.

Na dimensão pragmática o peso interpretativo é mínimo e o descritivo, máximo. Tanto que para os cientistas a partir do século XIX a ciência é antes de tudo uma descrição da realidade.

Em muitos sentidos, a dimensão simbólica é oposta à pragmática. Nela, ao contrário do que se disse até aqui, a linguagem se distancia da exatidão, as palavras se afastam de seus significados no dicionário linguístico e assumem francamente caráter ambíguo (de múltiplos sentidos).

Num romance, conto ou poema em que uma personagem está o tempo todo com uma caneta na mão a rabiscar, rascunhar, escrever, a palavra "caneta" é mais que um objeto destinado à escrita: ela simboliza todas tensões vividas pela personagem, seus sonhos, ansiedades, fantasmas, expectativas, traumas, desejos etc. etc. etc. Quando em posse dessa caneta em movimento, a personagem pode estar se sentido realizada ou torturada, em êxtase ou em sofrimento profundo, próxima do gozo ou à beira do suicídio.

Aqui o uso pragmático da linguagem cedeu espaço ao uso simbólico, que carece não apenas do dicionário linguístico, se bem que também aqui ele tenha lugar, mas de dois outros tipos de "dicionários" desordenados que estão depositados na mente e no coração do leitor: seu repertório de imagens (visuais, auditivas, olfativas, palatais e táteis) e seu repertório próprio linguístico.

Para se penetrar na dimensão simbólica da linguagem, ambos esses repertórios precisam ser ativados - e não basta isso: enquanto essa ativação não for automática e rápida, os sentidos relacionados às palavras não se constituirão no espirito do leitor (é como um computador que entrou em looping, que gira, gira, gira, mas não abre a página desejada e acaba por travar).

Embora os significados das palavras no dicionário sejam a base do sentido simbólico (afinal a palavra "caneta" significa caneta mesmo, e remete à imagem da caneta), para alcançar os infinitos sentidos simbólicos de uma palavra ou expressão (conjunto organizado delas), é preciso interpretar a  palavra enquanto representação de símbolos e imagens, que remetem a sensações, sentimentos, pensamentos, ideias, conceitos, lembranças, experiências alegres ou dolorosas de vida repousadas em nosso inconsciente.

O símbolo "caneta" precisa suscitar em nossa lembrança o prazer de se ter usado pela primeira vez esse objeto. Quando nossa professora falou "Agora vocês podem usar a caneta", foi como se tivéssemos "ficado maiores", mais responsáveis, como se tivéssemos "crescido". Mas também o símbolo "caneta" remete seguramente a experiências que nos fizeram sofrer, por exemplo, aquela prova em que confundimos as alternativas na hora de fazer o X e marcamos por engano as erradas, embora soubéssemos as corretas.

Quanto mais imagens lembrarmos, quanto mais mobilizarmos nosso repertório de imagens, sensações, impressões visuais, auditivas, olfativas, palatais, táteis, conceituais (ideias e pensamento), maiores nossas chances de compreendermos as palavras-símbolo, que são o alfabeto da literatura.

Se a personagem inventada logo acima, presente em um texto de ficção, o tempo todo a rabiscar, escrever, anotar, num dado momento atira a caneta contra a parede e, não contente, a destrói com pisões, não é apenas uma caneta que está sendo destruída, mas talvez um sonho de escritor, poeta e de toda uma vida. Na caneta-símbolo destruída está selado o próprio destino de quem nela depositou tanta esperança subitamente frustrada.

Se essa personagem, arrependida, recolheu a caneta, guardou-a com carinho e a substituiu por outra para ressuscitar seu sonho no papel em branco, impulsos de vida triunfaram sobre os impulsos de morte. Porém se a personagem com a destruição da caneta pôs fim a seu sonho, enterrando-o definitivamente, podemos supor e mesmo deduzir, e mesmo apostar que o caminho de sua autodestruição se abriu como a boca de um dragão infernal. Daí para frente assistiremos à degradação de alguém que tinha tudo para dar certo, mas que perdeu-se definitivamente ao perder seu sonho.

A literatura depende dessa habilidade imaginativa do leitor, que pode e deve ser desenvolvida por meio de jogos simbólicos e práticas criativas de conversão da palavra-símbolo em imagens e da associação delas com situações, sensações, sentimentos, ideias, pensamentos já vividos por nós realmente (na forma de lembranças de experiências boas ou ruins) ou simbolicamente (filmes, músicas, peças de teatro a que assistimos, ou ainda jogos, brincadeiras, diversões prazerosas em que nos envolvemos durante a vida).

Quem não consegue imaginar, não acha graça em uma personagem ou situação hilária, porque simplesmente não a viu em sua mente, por conseguinte não a sentiu em seu espírito. Como rir do que, por não conseguirmos associar a nada, sequer visualizamos ou sentimos?

A cena da personagem pisoteando a caneta pode assumir um caráter trágico. Para captar essa tragédia,  precisamos visualizá-la em detalhes. Porém, o autor pode introduzir um elemento de humor para "avisar o leitor" de que, afinal, o drama da personagem não é assim tão grave, e que seus exageros um tanto ridículos representam o ridículo a que todos nós estamos sujeitos quando perdemos o controle sobre nossas emoções.

No cinema, Chaplin foi campeão em extrair o riso dessas situações constrangedoras em que nos envolvemos sem querer, que parecem o fim do mundo, quando na verdade são apenas raiva momentânea e humanamente aceitável, digna de tudo, não de lágrimas.

A interpretação envolve assim a mobilização de dois repertórios interiores, o imagético e o linguístico, numa conversão (quanto mais automática possível, melhor) de palavras em imagens e símbolos, e destes novamente em palavras, que trazem para a consciência os segredos e mistérios embutidos nas imagens e nos símbolos.

Se não captamos a piada implícita, perdemos a oportunidade de rir e de extrair do riso a possibilidade de superação da dor que mora atrás ou no fundo de cada piada. Porém para captar a ironia do riso, é preciso imaginar a cena toda e deduzir dela o ridículo, o engraçado, o vexame, o humor.

Assim, quem "não gosta" de literatura tem antes de tudo uma questão a resolver com sua própria imaginação. Sem imaginar, não dá para sentir, gozar, ter prazer - aliás, nem com literatura, nem com coisa nenhuma.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


quinta-feira, 2 de março de 2017

NINA E O POÇO CEGO DENTRO DE SI

Quando foi expulsa do útero de sua mãe, Nina sentiu-se completamente desprotegida, solta num mundo que se lhe apresentou hostil e no qual não teria chance alguma de sobreviver sozinha. Até aquele momento guardada no ninho morno e aconchegante, protegida dos ruídos doloridos, da luz ofensiva e do ar frio, agora ela teria, além de enfrentar esses desconfortos, que respirar e se alimentar por conta própria, pois, cortado o cordão umbilical, sua mãe não lhe deixou outra alternativa. Essas foram as primeiras impressões que se gravaram no corpo e no inconsciente de Nina tão logo ela se separou da mãe.

Tomado o primeiro banho, Nina foi levada à mãe, que a conchegou no colo nu e a fez sentir o calor morno dos seios inchados de colostro - e depois de leite. Nina sentiu-se confortável, olhou para cima e viu de maneira embaçada uma imagem. Essa imagem lhe falava em voz doce. Em seu corpo, Nina sentiu o toque agradável das mãos e dos braços maternos. A imagem embaçada do rosto, aquela voz, aquele calor, aquele toque foram das primeiras imagens visuais, sonoras e táteis impressas no corpo e na psique de Nina - e eram imagens boas, afinal, o mundo do lado de fora se tornava menos hostil em face desse acolhimento amoroso e confortável.

Alojada no colo, agora a mãe a leva ao seio. Porém Nina não sabe o que fazer, pois até a pouco se alimentava pelo cordão umbilical. A mãe insiste, besuntando os lábios da filha com o líquido espeço que vaza da mama. Ainda não sabe o que é sabor (imagem gustativa), mas Nina sente um cheiro que, ao se associar com as imagens agradáveis anteriores (o rosto a inspirar segurança, a voz doce, o calor e o toque prazerosos), ganha um sinal de positivo em suas impressões iniciais do mundo.

Espera! Esse cheiro vem desse líquido espesso... Será que é bom?

Depois de várias tentativas, Nina descobre o que fazer: sugar. O líquido entrando pela boca, descendo pelo aparelho digestivo dá um grande prazer. A dor na barriga desaparece, a irritação vai embora e, enquanto suga o colostro, Nina olha para cima e, em pouco tempo, não no mesmo dia, talvez nem nos próximos, vai enxergando mais nitidamente aquele rosto amoroso, aquele olhos doces e associando-os ao imenso prazer de mamar e... cochilar deliciosamente.

Ao longo de sua vida, bilhões de imagens visuais, sonoras, táteis, palatais, olfativas (agradáveis e desagradáveis; prazerosas ou profundamente traumáticas) se imprimirão no corpo e na psique de Nina. Muitas dessas "impressões" físicas e psíquicas ficarão, modo de dizer, à flora da pele, outras serão esquecidas e ficarão depositadas, em estado latente, em seu inconsciente. Às vezes aparecerão em sonhos ou pesadelos, às vezes voltarão à tona ao acaso na forma de lembrança: um cheiro que remete a uma situação perdida no tempo; um pôr-de-sol que a fará recuar anos no passado e experimentar com a mesma intensidade de criança uma sensação associada a uma pessoa amada e, miséria das misérias, perdida para sempre.

A verdade é que Nina enlouqueceria caso se lembrasse de tudo que viveu, ou caso sentisse tudo a que seu corpo e sua emoção foram expostos, sem o amortecimento do tempo. Noutras palavras, sem o recalque de um mundo de sensações e impressões físicas e psicológicas, Nina não se teria convertido em menina, moça e mulher.

Sem entrar em muitos meandros que cabem mais aos psicólogos do que a escritores ou professores de língua e literatura, meu caso, o que importa aqui saber é que Nina, como todos nós, é uma parte consciência, outra parte mistério (inconsciência). Com certeza, a parte maior de nós e dela é a que fica encoberta, recalcada, trancada nos porões ou sótãos da nossa psicologia - e dela .

Gosto de empregar a alegoria do poço: nosso inconsciente é um poço cego, profundíssimo, escuro, mas cheio de água - doce ou podre, potável ou infecciosa, clara ou cheia de lodo, plácida ou tormentosa.

Ao longo da vida, nossas experiências convertidas de imagens em sensações (de dor ou prazer, gozo ou frustração, euforia ou medo, entre milhões de outras) escorrem pelas fendas do chão duro da nossa consciência e vão se depositar nos "lençóis freáticos" do nosso inconsciente, de que desconhecemos a profundidade e extensão.

Ao abrir um poço para trazer de volta à tona um pouco dessa água, fizemos uma parte do que é possível para resgatar uma mísera fração de tudo que vivemos e que ficou impresso em nossa própria profundeza.

Porém abrir esse poço é só metade do trabalho: é preciso ter às mãos ao menos  uma corda e um balde, para, com a frequência necessária à nossa sanidade, atirá-lo ao fundo e com ele puxar um tanto dessa água clara ou turva, límpida ou poluída, potável ou venenosa.

Esse poço, essa corda e esse balde, são a linguagem verbal.

É por meio dela que temos a possibilidade de tornar consciente, por meio da conversão de imagens e símbolos em palavras, aquilo que, escorrendo pelas fendas de nossa consciência ao longo dos anos, foi se depositando no fundo desse poço cego que é o nosso inconsciente.

Se não desenvolvemos essa habilidade de ir ao poço do nosso inconsciente munidos ao menos dessa corda e desse balde, manifestações desse inconsciente um belo dia saltarão acidentalmente pelas mesmas fendas de nossa psicologia pelas quais desceram na forma de pesadelos - quando dormimos - ou na forma de sintomas (mal-estar aparentemente sem origem, angústia, depressão - ou mesmos sintomas físicos ou psíquicos compulsivos, que requererão auxílio de profissional especializado).

E onde é que a literatura entre nessa conversa?

A literatura (ficção ou poesia), linguagem em potência máxima, é por excelência o kit perfeito para furar poços, com corda, balde e sarilho junto. Não é à toa que o pai da psicanálise, Sigmund Freud, foi buscar na literatura clássica grega os modelos para o desenvolvimento de sua ciência.

A literatura é um grande laboratório da vida. Todas as possibilidade individuas e coletivas, psicológicas e sociais, íntimas e históricas têm nela livre curso. Nossos medos e fantasmas, nossa coragem e covardia, nossa capacidade para a generosidade ou para a monstruosidade, para o amor e o ódio, a lealdade ou a traição, nossa feiura e nossa beleza, nossos sonhos e nossos pesadelos estão nela esperando por nós ou esperando que soltemos ou projetemos nela nossos anjos e demônios.

Não é preciso se expor à violência para se experimentar todo seu potencial de destruição: há poemas, peças teatrais, romances, contos que nos fornecem farto material para sentirmos e refletirmos sobre ela.

Ainda que por uma razão absolutamente prática, a literatura permite que o indivíduo antecipe consequências de situações na vida real similares àquelas representadas literariamente. Não é preciso se envolver com pessoas cruéis para se saber do que elas são capazes: a literatura universal está repleta de personagens cujas características foram extraídas de pessoas existidas, existentes e possíveis de virem a existir no futuro.

A literatura está repleta de maníacos, de gente sórdida, repulsiva, interesseira, abjeta, capaz de tudo, inclusive de impor os piores sofrimentos a outras pessoas, para atingirem seus objetivos ou simplesmente para obter prazer. Seria ótimo se essas representações não tivessem referência na vida real. Mas já que têm, sempre é bom conhecê-as por meio dos experimentos que a literatura oferece - até porque o monstro pode ser a gente mesmo.

Do mesmo modo, a literatura universal transborda de personagens os mais generosos, corajosos, lutadores, solidários, éticos, bonitos moralmente (e o Corcunda de Notre Dame não é exemplo solitário de feio-lindo) - e também os conflituosos, meios médicos, meios monstros.

Ao nos habilitar em converter imagens e símbolos em palavras e vice-versa, a literatura nos entrega de bandeja os instrumentos para que penetremos nos estágios mais profundos de nossa condição humana e de nossos próprios inconscientes de indivíduos.

Assim fica explicado por que tantos dizem não gostar de literatura: não conseguem converter imagens e símbolos em palavras, e muito menos o processo inverso: converter palavras em imagens e símbolos, que por sua vez se relacionam complexamente com sensações, sentimentos, lembranças, ideias e conceitos. Ou seja, não conseguem mobilizar seu infinito repertório de imagens simbólicas (visuais, auditivas, táteis, palatais, olfativas) acumulado em si mesmos ao longo dos anos. Estão sem poço, sem corda e sem balde para puxar a água de suas próprias profundezas.

Como ninguém gosta de sofrer, ao não se extrair das palavras nada que dê prazer, é comum a rejeição à literatura sob o argumento: "não gosto", que na verdade quer dizer "não consigo": não consigo
converter palavras em imagens visuais, auditivas, palatais, olfativas, táteis, conceituais... - e, por conseguinte, "não consigo sentir  nada".

Porém, ao rejeitar a literatura, ainda que por uma culpa que só não lhe cabe em parte, o indivíduo estará a léguas da humanidade e de si mesmo - e a compreensão que terá dela e de si será sempre, na melhor das hipóteses, infantil e rasa.

Nina não é assim, pois bem cedo descobriu o prazer em jogar o balde bem fundo dentro de si e puxar desse fundo sem fundo um tanto de mundo e outro tanto de si. A literatura é sua terapeuta, seu laboratório de vida e sonhos. Por meio dela ela pode viajar a mundos futuros, mas também imaginar a deliciosa sensação de conforto do seio, do leite e mesmo de útero materno.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.