terça-feira, 22 de agosto de 2017

UM PAÍS DOENTE SANGRA

A agressão sofrida pela professora Marcia Friggi, na cidade catarinense de Indaial, choca pela imagem, que ela teve a coragem de postar nas redes sociais. Porém, infelizmente, esse é o ápice previsível da rotina de ofensas verbais e atitudinais, e também de ameaças veladas ou explícitas, que tantos de nós professores das redes públicas e privadas do país sofremos todos os dias.

A agressão sofrida pela professora não parou no soco: nas redes sociais, embora em minoria, uma horda de linchadores virtuais entrou na área de comentários da postagem feita por ela para a achincalhar em virtude de sua postura política de esquerda.

Isso decorre do completo desprezo de governantes, de donos de escolas e de pais de alunos pela escola, convertida ora em depósito de crianças marcadas na mão para não repetir refeição, ora em espaço de explosão de conflitos não resolvidos no seio da família, ora em campo de descarga de tensões sociais, potencializadas pelo atual estágio do capitalismo ultraconsumista, que forma uma geração empurrada para a força bruta, educada na intolerância e incentivada ao linchamento.

A lógica do aluno que agrediu covardemente a professora de língua portuguesa e literatura é a mesma de Sérgio Moro, para o qual o que vale é o argumento da força, não a força dos argumentos. Abandonados os protocolos mínimos de civilidade, o que prevalece é o ódio, cego, furioso, que, não encontrando barreiras claras e inequívocas, avança sobre o outro para aniquilá-lo - sem contudo esgotar seu potencial destrutivo e caótico nesse ato de aniquilação.

Uma São Paulo que você tem que conhecer.
O que fez esse jovem é o mesmo que fez uma pequena multidão ensandecida no Guarujá há pouco tempo. Divulgada pelas redes sociais a imagem de uma suposta pedófila, uma senhora foi linchada até a morte. No mesmo dia ficou provado que a vítima cometera o grave crime de ser parecida com a acusada.

Nós professores, todos os dias, assistimos a um mar de gente passar a nossa frente nas extenuantes aulas que ministramos. Salvo raríssimas exceções, é preciso reconhecer, esse mar enfrenta uma ressaca colossal. É nesse mar que nos encontramos todos os dias, professores e estudantes - e é nele que os sinais de um país que se afunda são mais eloquentes, porque gritam... e sangram.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 19 de agosto de 2017

GALINHA LOUCA NÃO GOSTA DE OVOS

Miguel Costa, que foi secretário de cultura de Carapicuíba (SP), filho do legendário general Miguel  Costa (cuja coluna compôs depois a não menos legendária Coluna Prestes, e que dá nome a estação de trem da CPTM de Carapicuíba), nos idos dos anos 80, já bem idoso, me contou como teria nascido o apelido "galinhas verdes", dado aos integralistas - versão brasileira do fascismo.

Segundo ele, numa reunião dos integralistas no Theatro Municipal de São Paulo, no início da década de 1930, um militante da juventude comunista, do alto de um dos balcões, atirou uma galinha pintada de verde sobre os participantes. A galinha, segundo ele, voava mal e curto, mas teria dado trabalho para ser apanhada pelos os camisas-verdes, furiosos com a brincadeira, que os destruiu pela piada.

Anos depois, ouvi a mesma história e um idoso militante comunista de São Paulo, porém a versão é de que a reunião havia se dado nas escadarias do Theatro Municipal, não dentro, e que a galinha fora atirada de uma das janelas superiores do mesmo Theatro Municipal, com igual efeito humorístico de caçada furiosa à galinha verde.

Muitos anos depois, no Rio de Janeiro, ouvi a versão da escadaria, porém o Theatro teria sido o do Rio de Janeiro, não o de São Paulo.

Seja como for, o fascismo brasileiro desde a origem ligações diretas com galinhas enlouquecidas pintadas de verde. A data de 7 de outubro de 1934 é marcada pelo confronto entre sindicatos, associações e organizações de esquerda comunistas, trotskistas e anarquisatas contra os integralistas, na praça de Sé, em São Paulo. A efeméride ficou conhecida como "Revoada das Galinhas Verdes"

Segundo Mário Pedrosa:

Toda a esquerda se uniu contra a manifestação integralista que seria realizada naquele dia. O objetivo dos integralistas era atacar a organização da classe operária, a sede da Federação Sindical de São Paulo e os sindicatos que tinham sede no edifício Santa Helena, na frente do qual haviam planejado o desfile. Nós lutamos contra os fascistas e impedimos a realização da manifestação.

Uma São Paulo que você tem que conhecer.
Nestes dias de agosto e 2017, os fascistas reencontraram sua histórica ligação com galináceos: Dória, Antônio Carlos Magalhães Neto e Bolsonaro, em busca ensandecida por holofotes, conquistaram, diante das câmeras, saraivadas de ovos voadores.

Ainda bastante jovens, eu e um amigo, agora professor e artista plásitico Claudinei Roberto, conversávamos sobre ações violentas de neonazistas em São Paulo. O pai dele, sr. Gumercindo, já falecido, cantor, músico e sambista da velha guarda, interrompeu nossa conversa e proclamou: "Esses tipos aí, deixem vir que a gente avacalha".

A melhor arma contra essa gente, certo estava seu Gumercindo, é a galhofa. Observando bem cacarejo, gestos, poses e caretas, Hitler e seus seguidores não parecem mesmo galinhas loucas?


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

INTERROMPER O GOLPE ANTES QUE ELE INAUGURE UM CICLO LONGO

O golpe de Estado em curso tem continuação no ano de 2018. Sem coragem para interrompê-lo, ele iniciará um outro ciclo de longuíssimo prazo.

A fase do golpe de Estado em que nos encontramos articula a transição do atual ciclo, para uma fase longa, que tem no ano de 2018 um ponto crucial de viragem. Não é a toa que Dória já se lança em campanha antecipada: ele quer ser a ponta de lança de um longo ciclo obscurantista, reacionário e de prevalência do pensamento de direita neoliberal.
http://www.lojanovaalexandria.com.br/catalogsearch/result/?q=era+uma+vez+no+meu+bairro
São Paulo em romance.
Se é muitíssimo difícil interromper o golpe agora, não só é possível como é absolutamente necessário abortar o ciclo que eles pretendem iniciar em 2018. Isso impõe pressão crescente sobre o governo Temer, de modo a desestabilizá-lo a todo custo, pois ele é peça chave nessa transição ultraconservadora que se gesta no maior país da América Latina.

As estratégias dos partidos de esquerda, por isso, precisam intensificar a mobilização popular, sem a qual o país entrará cego no ano 2018 - e sairá dele surdo, mudo, mutilado e dilacerado por movimentos de ultradireita.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 6 de agosto de 2017

O TRIBUNAL NAZISTA DA FAMÍLIA MESQUITA

Empregando a mesma estratégia e prática dos nazistas para eliminar judeus, jornal O Estado de S. Paulo inicia a solução final contra Lula, ao pôr em cena Thompson Flores, presidente Tribunal Federal da 4a. Região, instância da justiça encarregada de, na prática, julgar o presidente Lula pela segunda vez por um crime sem provas.

Antecipando o próprio julgamento, Thompson Flores se adianta aos desembargadores do TRF- 4 que analisarão os recursos da defesa do ex-presidente da República, condenando Lula no tribunal da família Mesquita. A entrevista do presidente do Tribunal Federal da 4a. Região, Thompson Flores é inequívoca: seu resumo é a condenação fora dos autos, pelas páginas do jornal, do ex-presidente Lula, seja comunicando a sentença já proferida em off, seja agindo para que colegas sentenciem sob a coação da imprensa golpista.
Uma São Paulo que você tem que conhecer.
Como não poderia entrevistar os próprios desembargadores responsáveis pelo julgamento de Lula em segunda instância, uma vez que eles são impedidos de se pronunciarem em público sobre o processo em curso, o jornal da família Mesquita procurou usar o próprio presidente do Tribunal como uma espécie de porta-voz qualificado do colegiado que julgará Lula e como menino de recados dos golpistas.
Justiça brasileira não acerta nem na placa do "Edifícil".
Na entrevista, Thompson elogia a decisão de Moro como "irrepreensível" e, embora reconheça a contradição de não se ter provado na sentença de 1a. Instância a propriedade do Triplex, declara que a confirmaria se fizesse parte do colegiado responsável pelo julgamento dos recursos.

O Judiciário vai assim confirmando sua vocação reacionária de guardião do cofre da burguesia.

O jornalista Artur Scanove revela que Thompson tem relações diretas com setores golpistas das Forças Armadas.

Consulte a entrevista clicando aqui.

Grato pela leitura. Entre uma correção de prova e outra, vou escrevendo estes textos.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

ESPERANÇA, CADÊ VOCÊ?

Eu queria enviar hoje uma mensagem de esperança, mas não vai ser possível, não. Não há esperança à vista. Porém, pensando bem, lutar com alegria quando há uma esperança nos esperando na esquina para tomar uma cerveja é fácil. Quero ver é lutar com a mesma garra sem esperança nenhuma nem ali na esquina, nem em nenhum horizonte próximo, por mais que a gente caminhe na direção do sol.

O tempo que vivemos hoje no Brasil, é preciso assumir essa conta dolorosa, não é de esperança - nana, nina nana. Quem está caçando esse combustível no Facebook, no Instagram, no zapzap vai dar com os burros n'água.

Amigo, amiga, não temos que buscar esperança nenhuma, porque ela escafedeu-se deste país já faz algum tempo. Temos, isso sim, que oferecer nossa fé cega na vida e nas voltas que o mundo dá. Temos que oferecer nossa garra de resistir a todo custo, nossa vontade louca e viver do jeito que der, mesmo se não der.
Um romance de resistência
Estamos não às vésperas de uma aurora, mas mergulhados num tempo captado com delicadeza por Mário de Andrade em Meditação sobre o Tietê: "É noite. E tudo é noite".

Tem muita gente afoita por qualquer esperança vagabunda e ilusória. Mas esse tipo de esperança não tem valor, é breve, não presta, e dá azar.

A esperança que interessa está escondida atrás dessa noite, que precisamos atravessar com paciência, e cuidado, meio às cegas, passo a passo, mas sem parar - e mesmo sem expectativas de encontrá-la lá.

Quanto durará essa noite? Só dá para saber se a atravessarmos até o fim. E para a atravessarmos até o fim, é preciso que estejamos, no mínimo, vivos. Façamos, então, um pacto pela vida: resistir, até que a noite desista de nós.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O JORNALISMO AFUNDANDO O BRASIL NA FOSSA

Se o jornal inventa uma infame calúnia, ela lhe foi ditada. Perante o indivíduo que se queixa, ficará quite pedindo desculpas pela grande liberdade. Se for chamado aos tribunais, queixar-se-á de que não lhe foi pedida retificação alguma; mas ele a pedirá? Não, recusa-a rindo, considera seu crime uma bagatela. Enfim, achincalhará a vítima quando ela triunfar. Se for punido, se ele tem muitas multas a pagar, apontará o queixoso como se se tratasse de um inimigo das liberdades, do país e das luzes. Dirá que fulano é um ladrão, ao explicar que é o mais honesto homem do reino. Assim, seus crimes: bagatelas! Seus agressores: monstros! E ele pode em dado tempo fazer crer em tudo que desejar às pessoas que o leem todos os dias. Além disso, nada que o desagrade é patriótico, e jamais estará errado. Ele se servirá da religião contra a religião, da Carta contra o rei; achincalhará a magistratura quando a magistratura o incomodar e a elogiará quando ela tiver servido às paixões populares. Para conseguir os assinantes, inventará as mais comoventes fábulas, pavonear-se-á como o palhaço Bobèche. O jornal serviria o seu próprio pai cru, sem mais tempero que o sal de suas zombarias, para não deixar de interessar ou divertir seu público. Será o ator colocando as cinzas de seu próprio filho na urna para chorar verdadeiramente, a amante sacrificando tudo a seu amado. 
Balzac, em Ilusões perdidas revela as tripas da imprensa.
A ferida é incurável, será cada vez mais maligna, cada vez mais insolente; e quanto maior for o mal, mais ele será tolerado, até o dia em que a confusão se instalará nos jornais, pela sua abundância, como em Babilônia. Todos nós sabemos que os jornais irão mais longe que os reis em ingratidão, mais longe que o mais sujo comércio em especulações e em cálculos, devorando nossas inteligências vendendo-lhes todas as manhãs sua matéria cerebral; mas ali escrevemos à maneira daqueles que exploram uma mina de mercúrio sabendo que ali morrerão.

O jornalismo tem mil pontos de partido semelhante. Trata-se de uma grande catapulta colocada em movimento por pequenos ódios. Você tem ainda vontade de casar? Vernou [infeliz no casamento] não tem mais coração, o fel a tudo invadiu. É por isso o jornalista por excelência, um tigre com duas patas que a tudo devora, como se suas penas [no séc. XIX escrevia-se com penas de aves] tivessem raiva. 
– O senhor realmente se importa com o que escreveu? – disse-lhe Vernou com um ar de zombaria. – Mas somos comerciantes de frases, e vivemos de nosso comércio. Quando o senhor desejar fazer uma grande e bela obra, um livro, enfim, ali sim poderá colocar suas ideias, sua alma, a ela se apegar, defendê-la; mas os artigos, lidos hoje e amanhã esquecidos, valem apenas, a meus olhos, o que se paga por elas. Se o senhor dá importância a tais tolices, fará então o sina da cruz e invocará o Espírito Santo para escrever um prospecto! [...] Todos pareceram surpresos com os escrúpulos de Lucien [que inicialmente se recusou a publicar mentiras] e acabaram por lhe incendiar a toga pretexta [rito de passagem, entre patrícios, da adolescência em Roma] para lhe oferecer a toga viril dos jornalistas.

Trechos do romance Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac, publicado pela primeira vez em 1843.

FONTE: Balzac, Honoré de. Ilusões perdidas. Vol. I. Trad. Leila de Aguiar Costa. São Paulo: Abril, 2010; pp. 367, 368, 393, 433, respectivamente.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

VOCÊ QUER SAÍDA MILAGROSA? EU, NÃO!

Há quem sonhe, deseje, torça e delire por uma solução rápida, salvadora e milagrosa para a atual crise brasileira, eu, não. Desse buraco em que o golpe de Estado nos afundou não se sai nem de uma vez, nem por passe de mágica.

A atual crise e seu desenrolar tem um caráter pedagógico que um eventual "milagre" econômico ou político desperdiçaria. Quando acreditou no golpe ou se manteve neutra em face da deposição de Dilma Rousseff, grande parcela da população apostou sua sorte numa espécie de tudo nada: era só tirar a presidenta que tudo melhoria. Agindo assim, considerou seu voto com o mesmo peso de uma carta de baralho. Mas eleições não são jogo de azar, em que uma rodada ruim pode ser salva por uma onda de sorte.

Na política não há sorte: quando apostou seu emprego, seu poder de compra, sua perspectiva de futuro no cassino viciado do atual Congresso Nacional, o brasileiro que se vestiu de amarelo para xingar Dilma Rousseff e pedir de intervenção militar ao linchamento de quem usasse camisa vermelha, agiu movido por impulsos os piores imagináveis, o principal deles o ódio.

O prolongamento da crise e a falência daqueles nos quais os raivosos da camisa amarela apostaram suas fichas permite que eles, passado o surto psicótico do ódio insuflado pela rede Globo, assistam as consequências de suas ações, reflitam sobre elas e assumam sua parte nesse latifúndio de insensatez.

Sob esse particular, a realidade não tem sido piedosa para com eles - e, por tabela, para com todos os demais: não há um só dia em que as más notícias políticas, econômicas e sociais, fruto da irresponsabilidade para com o voto, não estampem o noticiário dos mesmos meios de comunicação que prometeram o paraíso pós-Dilma.

Não, eu não quero que esse filme seja interrompido agora: quero que ele passe sem cortes, até o fim, e que todos fiquem em suas poltronas até os créditos finais, para que, ao acenderem-se as luzes do cinema, cada qual reflita sobre seu próprio papel nesse filme e nos próximos que virão, ah, virão sim! Até porque "O mundo não acaba hoje, já dei uma olhada na previsão do tempo", disse o poeta.

Por isso, enquanto muitos sonham uma saída milagrosa, eu não: quero que o filme passe por inteiro, cena a cena, quadro a quadro, até as luzes do cinema se acenderem e o lanterninha pôr o último retardatário renitente para fora.

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 1 de julho de 2017

DO ÓDIO À ESPERANÇA NÃO SE VAI DE UMA HORA A OUTRA

Não se vai da aprovação ao ódio de uma hora para a outra. A rede Globo, a revista Veja e seus parceiros traçaram um longo percurso de manipulação do inconsciente das pessoas de modo a pô-las em movimento irracional contra os governos Lula e Dilma. Para isso contaram com o apoio da Polícia e do Ministério Público Federal, do STF, do Congresso Nacional e do inescrupuloso juiz Sérgio Moro.

Quando estouraram as manifestações de 2013, o governo Dilma contava com alta popularidade e a economia respondia com bons resultados (o PIB estava na casa dos quase 2,5 trilhões de dólares - hoje, caiu para próximo de 1,5 trilhão). Insuflando e aproveitando essa explosão irracional, sem base na economia, a rede Globo, seguida por Veja, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e outros órgãos da mídia monopolista, partiu para a ofensiva, intensificando o bombardeio midiático contra Dilma e, por extensão, Lula e a esquerda no poder.

Da aprovação ao governo ao ódio que estourou em 2015, e que está na base do Golpe, a rede Globo capitaneou a manipulação do inconsciente de vasta parcela da população, que sem mecanismo de defesa contra essa manipulação, viu sua esperança e aprovação pelo governo converter-se em apatia, depois em angústia, tristeza, decepção, raiva e por fim ódio - essa força irracional e destrutiva que encontra combustível não  na consciência, mas exatamente nas camadas mais profundas de nosso inconsciente, onde moram nosso medos, impulsos incontroláveis sem o aporte da consciência, fantasias, pesadelos e instintos os mais poderosos em estado bruto.

Esperança aprovação  apatia angústia tristeza decepção → medo  raiva ódio.

Sob esse ponto de vista, as decisões que o STF faz questão de esfregar na cara de todos os brasileiros são um choque de realidade, cujo efeito é positivo e cujo sentido é inverso do que trilharam até o golpe, tangidos como gado pelos mecanismos manipulatórios da grande mídia.
Porém não se vai do ódio à esperança de um salto: será necessário cruzar a dolorosa via crucis que passa pela raiva, a decepção, a tristeza:

Ódio  raiva → medo  decepção  tristeza  angústia  apatia  aprovação  esperança.

As fantasias terão de cair todas por terra, para que, diante da realidade nua e crua, o brasileiro ponha a mão na consciência (ele que estava transido pela irracionalidade), e se mova no sentido da esperança, não sem antes ter confrontado todos os seus fantasmas açulados pela mídia, os quais ele perseguiu como em um surto psicótico.

A escala acima pode ser mais detalhada, porém penso que uma pequena parte da população ainda vive o surto do ódio (parcela identificada com Bolsonaro), porém a imensa maioria me parece ter-se descolado do ódio e da raiva e se encontra hoje, após o papelão do STF no caso Aécio-Rocha Loures, no grau da profunda decepção, a caminho da tristeza e da angústia, mas num sentido progressivo, que se as forças democráticas souberem impulsionar, pode se converter em sentimento e desejo de mudança, outro nome da esperança, polo oposto do ódio.

Em que ponto da escala você se encontra?

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

GILMAR MENDES: A BOCA DE ESGOTO QUE ATERRORIZA O JUDICIÁRIO

Gilmar Mendes não é personagem de deixar ninguém na dúvida. Ele é mau caráter, inescrupuloso, truculento e não é à toa que foi chamado por Joaquim Barbosa, quando este ocupava uma cadeira no STF, de jagunço midiático.

Porém sua presença tanto no STF quanto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não é uma anomalia. Nesses dois Tribunais ele cumpre o papel para o qual foi escalado: defender a todo custo os interesses do empresariado urbano, rural e financeiro - por todos os meios que o dinheiro faculta.

Sua força e poder nessas instâncias não deriva de seu estilo "boca de esgoto" (na verdade isso até o expõe mais do que esses empresários desejariam), mas das estruturas de poder que ele defende com unhas, dentes e, naturalmente, com sua boca infecciosa.
O 6o. pecado capital de Gilmar Mendes: a vaidade.
Por isso ele se sente tão à vontade para interpelar desaforadamente (e mesmo ofender) seus colegas de Tribunal, achincalhar a legislação pela qual deveria zelar e a qual está obrigado a fazer cumprir, e para expor com tanta franqueza e falta de escrúpulos sua lógica baseada inteiramente no dinheiro.

O julgamento da chapa Dilma-Temer pode seguir eventualmente um caminho que derrote Gilmar Mendes, porém é preciso constatar: lamentavelmente todos os demais juízes do TSE se borram de medo dele - aliás, os do STF também.

Errou Lula quando disse que todo o Judiciário está acovardado: Gilmar Mendes, não! Ele é uma espécie de Ricardo III, imoral certamente, e talvez a um passo da insanidade, mas... medroso? Não. Ele aterroriza e inspira asco, mente, atraiçoa, ameaça, coage, incita, destrói os que estão em seu caminho. Porém, não esperem dele o que Ricardo III, vilão da peça de Shakespeare, disse em sua última fala, em face da derrota humilhante: "Meu reino por um cavalo". Mais fácil é que Gilmar Mendes saia, ainda que derrotado, montado a cavalo em um de seus colegas de Corte.

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  
Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


domingo, 4 de junho de 2017

DOSSIÊ DALLAGNOL: O CARRASCO DA VEZ DE LULA

Deltan Dallagnol é filho do procurador de justiça Agenor Dallagnol. Protestante da igreja Batista, é formado em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em direito por Harvard. É procurador do MPF desde 2003, e especialista em crimes contra o sistema financeiro nacional  e lavagem de dinheiro, com atuações em casos como o do Banestado; atualmente coordena e integra a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Casado e pai de um casal de filhos, Dallagnol se apresenta no twitter e redes sociais como “um seguidor de Jesus”, e "líder de célula religiosa". Com a família, frequenta a Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba.

O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato é movido por sua fé. Deltan Martinazzo Dallagnol acredita que pode mudar a forma de combater a corrupção no país. De cabelo bem aparado, óculos de aro fino e trajado de terno preto, gosta das câmeras de TV e corre na direção delas sempre que fabrica um novo ato bombástico da Operação — o mais recente é o pedido de condenação em regime fechado contra o ex-presidente Lula.

A imagem de Dallagnol também se associou às 10 medidas de combate à corrupção, cujo animador mor, também procurador, Ângelo Goulart Villela, foi preso recentemente por corrupção, envolvido na delação dos donos da JBS, por vazar informações sob segredo de justiça exatamente para os investigados. (Para saber mais, clique aqui).

Em busca de apoio, o procurador peregrinou por igrejas batistas.

Porém, ruim de discurso e pior ainda de powerpoint, seu sucesso mesmo entre os fiéis de sua igreja anda balançando. Que pastor midiático esperaria que seu rebanho virasse as costas e saísse do templo no momento em que seu púlpito fosse entregue a um procurador responsável pela Lava Jato? Pois isso ocorreu em agosto passado na igreja da Lagoinha, em Belo Horizonte, no “culto fé” dirigido pelo pastor e cantor André Valadão.

Enquanto Dallagnol falava, apresentando um powerpoint, as pessoas começaram a sair do templo, esvaziando o local (confira clicando aqui).

Em 2014, no início da Lava-Jato, viajou para surfar na Indonésia, o que revela um estilo de vida bem pouco modesto para quem tanto vende para as câmeras a imagem de bom moço, recatado e do lar.

Embora pose de bom moço, e receba um salário de marajá do judiciário, foi flagrado na compra de dois apartamentos do Minha Casa Minha Vida para especular no mercado imobiliário.

Suas ligações, e as de Sérgio Moro, com serviços secretos dos EUA são um escândalo à parte, mas que toda a impresa conhece. Ele e o juizeco de Curitiba repassam ao FBI e ao Departamento de Estado norte americano informações privilegiadas da Petrobrás e das empreiteiras investigadas, bem como intemedeiam ilegalmente depoimentos de réus brasileiros a autoridades daquele país, interessado em abocanhar o pré-sal e o trilhonário mercado da construção civil (sobre isso clique aqui e leia mais).

Cada vez mais questionado por suas "convicções" sempre desacompanhadas de provas, em debates, ouve juristas reclamarem do teor de suas acusações, consideradas pesadas contra os réus, capazes de criar um Estado policialesco.

Na 96a. Assembleia da Convenção Batista Brasileira, ele afirmou:

“O meu único objetivo de estar no Ministério Público desde que eu ingressei, em razão do meu perfil cristão, é estar lá para buscar fazer justiça, buscar amar o próximo distribuindo a justiça e dando o meu melhor para que a justiça seja feita no nosso País”.

Só não se informou o ilustre procurador de que o Estado brasileiro é laico e que ele não foi concursado para usar o cargo para realizar a justiça divina pelo ótica de sua igreja em particular.
Evangélico ou maçon?
Na verdade, Dallagnol, como Sérgio Moro, faz parte de um esquema ultraconservador, ligado ao PSDB e ao DEM (clique aqui e veja as amizades do bonitinho), cujo objetivo é destruir a esquerda brasileira empregando o álibi fácil da corrupção. Sob a ação desses dois "paladinos da justiça" da rede Globo, bilhões do escândalo Banestado escorreram sob seus narizes direto para fora do país. Os investigados nunca foram punidos e Youssef, verdadeiro sócio de Moro em processos bilhonários, após "delatar", mas não muito, nesse escândalo e sair impune, voltou a delinquir, a delatar e a ser solto pelo mesmo Sérgio Moro, agora na operação Lava Jato. Condenado a 121 anos de prisão, ele não cumpriu mais de três, saiu livre, por decisão de Moro, e com o dinheiro no bolso (clique aqui e leia mais).

Para Dallagnol "Deus colabora com a Lava Jato", porém ele só não disse em favor de quem o Deus dele colabora, uma vez que tucano, por mais denunciado com provas que seja (e são, e muito!), nenhum foi preso e sequer indiciado por ele e Moro.

Em abril deste ano disse que "sem provas, não faríamos acusação a Lula". Porém, no apagar das luzes desta semana, nas considerações finais do famigerado processo do Triplex, não apresentou uma única prova sequer, baseando seu pedido de condenação em regime fechado do ex-presidente em "juízo de convicção", pinçado em um livro autobiográfico que lançou recentemente em busca de promoção pessoal, e em citações de Rosa Weber  (aparentada de Aécio Neves por parte de prima, Letícia Weber, casada com ele) no processo do mensalão, no qual condenou José Dirceu assumidamente sem provas porque "a jurisprudência permitia".

Esse é o naipe do procurador de holofotes, que se fundamenta no "senso comum", como afirma, ao invés de basear no senso de justiça (ou do ridículo), que exige a condenação, sem provas, de Lula, em regime fechado, com a pena máxima que seu "juízo de convicção" religiosa, lhe inspira.

Fontes: Consciência Cristã News; Conversa Afiada, Diário do Centro do Mundo, Falando Verdades, GGN, Notícias Gospel Mais, Outras Palavras, Tijolaço, UOL, Vi o Mundo.

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  
Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Pra estraçalhar o golpe temos que estraçalhar CADA discurso dele com a nossa linguagem TORTA e LOUCA

DERROTAR O GOLPE NO CAMPO DA LÍNGUA
Precisamos atacar o preconceito contra os trabalhadores, que é a base do golpe contra o qual estamos lutando agora. Ele se expressa por meio da língua. As humilhações que Lula sofre não é porque ele é "analfabeto" (como insistem os preconceituosos para destruí-lo), mas porque é o melhor e mais forte representante dos trabalhadores hoje.

Se não desmontarmos e derrotarmos esse preconceito no campo da linguagem, que legitima as ações dos reacionários, ele será empregado (e é) contra nós: "Trabalhador não sabe escrever, sequer falar, quanto mais governar!"

Temos que combater nessa frente: a do preconceito linguístico - base da famigerada "escola sem partido". Noutras palavras: não dá para derrotar o golpe e reconquistar a democracia sem desconstruir o que eles dizem, a partir da afirmação da nossa identidade linguistica, social e de classe. E nossos "erros" de português fazem parte dela. 
Na língua portuguesa cabe todo mundo.
Por isso devemos responder aos discursos fascistas e golpistas não na língua e nos termos deles, mas nos nossos! Se formos capazes de enfrentar o preconceito, inclusive os nossos mesmos, se desmontarmos o preconceito no coração de nossos parentes, amigos e pessoas mais próximas, estraçalharemos o golpe de baixo para cima, saíremos desta difícil jornada melhores e com um Brasil melhor, porque fruto de um povo melhor.

E quem não suportar nossos "erros" de português, que vá errar em inglês em Miami.

Brigaduuuuu pela leitura.
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Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

VOCÊ NÃO FOI ENGANADO POR NINGUÉM. ESSE CRIME AÉCIO NÃO COMETEU


Você não foi enganado por ninguém. Você realmente e do fundo do seu fígado desejou o linchamento de petistas e comunistas, mas também de homossexuais, de negros, de pessoas em situação de rua, de jovens infratores, de índios e de corruptos, desde que não fossem do seu partido e do seu gosto.

Ninguém enganou você, nem você se enganou. Você quis mesmo a volta da ditadura militar, da tortura, da censura, da pena de morte, o fim das eleições - e por conseguinte da democracia, não obstante elegendo os piores corruptos para o atual Congresso Nacional.

Você quis sim, e festejou, a derrubada por meio de um golpe, de um governo eleito por voto direto. Você riu, sim, do adesivo infame da presidenta Dilma de pernas abertas na entrada de um tanque de combustível, riu também do apelido dado por Moro a Lula, Nine, por causa de sua deficiência física em uma das mãos.

Aécio não enganou você, nem você se enganou com Aécio. O que ele era todos sabíamos, e o que você lamenta agora não é o roubo bilionário que ele promoveu - e você sabia disso, sim. Você se lamenta de ter sido flagrado com ele, você lamenta que seu Facebook esteja cheio de fotos e mensagens de apoio a ele.

Resumindo, você diz que foi enganado, mas na verdade quer apenas fugir do flagrante, só isso. Até porque você continua apoiando linchamentos morais e físicos de petistas e comunistas mas também de homossexuais, negros, pessoas em situação de rua, jovens infratores, índios - e corruptos que não sejam do seu time. Você continua do fundo do seu fígado desejando a volta da ditadura militar, da tortura, da censura, da pena de morte, o fim das eleições e da democracia.

Você não mudou nem se arrependeu do que fez, está apenas terceirizando para o Aécio a parte grande da culpa que lhe cabe. Não, ninguém enganou você: você é que nos quer enganar agora.

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

O COLAPSO DO GOLPE


TEMER E AÉCIO SE APERTAM NO ABRAÇO DE AFOGADOS.

Somente um curto-circuito generalizado no bloco golpista abriria espaço para ofensiva das esquerdas. E esse curto-circuito apocalíptico está em curso e aumentando hora a hora.

A delação dos donos da JBS vazada diretamente para a rede Globo na noite de 17/05/17, novamente, além de enterrar de uma vez o moribundo governo Temer, que vai resistir o quanto puder, como qualquer máfia, revelou a face sombria do golpe.

Numa linguagem direta e sem meias palavras, Aécio Neves, sustentáculo do golpe, encomenda o assassinato do próprio primo, que ao dar com a língua nos dentes, caso preso, o que efetivamente ocorreu, exporá seus crimes e sepultará sua vida política de uma vez por todas.

O portal Brasil 247 informa:

"Gravações feitas pelos donos da JBS Friboi revelam pedido de propina de R$ 2 milhões por parte de Aécio Neves; o mais estarrecedor do áudio, no entanto, é a sugestão do presidente do PSDB para matar o recebedor da propina antes que haja uma delação; "Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação", disse o tucano; depois, Aécio diz: "Vai ser o Fred, com um cara seu [Joesley]. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho"; Fred, a quem Aécio se refere, é Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador e ex-diretor da Cemig, que acabou recebendo o dinheiro, em uma cena filmada pela Polícia Federal"

As manifestações deste fim de semana pelo país jogaram papel importante na mobilização do Ocupa Brasília do próximo dia 24/05/27, que exigirá a saída de Temer e a convocação de eleições diretas já.

Acompanhe a análise de primeira mão do jornalista Antônio Martins, do portal Outras Palavras:


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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Hei, Globo! Vai... ver se eu tô na esquina!

Não precisamos nem da Globo nem  de nenhuma das emissoras ou dos jornais desse punhado de famílias prepotentes que escravizam a mente dos brasileiros. Este modesto blog Amplexos do JeosaFÁ, de um também modesto professor, que também escreve entre pilhas de provas e trabalhos de alunos, ultrapassou a jato hoje à noite a barreira de 3.000.000 de acessos, dois dos quais nos últimos doze meses, com postagens contra o golpe de Estado e seu principal instrumento, o pretenso juiz Sérgio Moro.

Enfrentar a guerra midiática de que Hugo Chaves falou é tarefa dos revolucionários deste início de século XXI. 

Passeata contra o golpe no início de 2014.


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GLOBO DEVE DEMITIR SÉRGIO MORO NAS PRÓXIMAS HORAS POR TER BROCHADO PELA 3a. VEZ

Pela terceira vez consecutiva o deputado federal do PSDB no judiciário de Curitiba Sérgio Moro fracassa em prender Lula. Fontes afirmam que o departamento de teledramaturgia da rede Globo, descontente com o desempenho do ator na novela da Lava Jato, já estuda um nome para substituí-lo na função de pato amarelo caçador de sapo barbudo.

A rede Globo deu chances de sobra para que seu galã da novela Lava Jato ]Sérgio Moro desempenhasse com algum efeito midiático seu papel de mocinho em novela de 5a. categoria. Porém o ator fallho miseravelmente nas três oportunidades que os irmão Marinho lhe proporcionaram.

Na primeira, em 4 de março de 2016, uma sexta feira, além do grupo especial da Polícia Federal, fantasiado de tropa de invasão do Iraque, até jatinho especialmente preparado havia no aeroporto de Congonhas para levar o ex-presidente Lula algemado para Curitiba. Porém, três ou quatro centenas de militantes e mais, segundo consta, setores da Aeronáutica, estragaram a performance do Durango Kid de Maringá city.

Na segunda, 3 de maio passado (2017) o próprio Durango Kid errou na data da prisão, pois a agendou para depois de uma Greve Geral, seguida de um 1o. de Maio cheio de protestos pelo país - o que o colocava numa posição tipo aquela em aque Napoleção pedeu a guerra. Nesse caso, ele mesmo reconheceu o fracasso antecipado, disconversou e empurrou a data mais para frente, tentando rechear a pisada no tomate com duas delações podres (Léo Pinheiro e Renato Duque), que foram enterradas tão logo divulgadas pela rede Globo, pois fediam a carniça e saíram pela culatra.

No dia de ontem, a terceira tentativa já no avançado da hora, Moro não podia falhar: tinha que dar voz de prisão a Lula, senão... Porém o juizeco brochou pela terceira vez, o que causou um curto-circuito na novela da Lava Jato, principal atração da empresa afundada em dívida da família Marinho. 

Do depoimento em que Lula deveria sair algemado para servir de matéria exclusiva para o Jornal Nacional, o líder operário saiu para a consagração popular de uma República de Curitiba tomada de populares vindos de todos os estados do país para impedir sua prisão arbitrária, cantada em verso e prosa por William Bonner.

Como perdeu a deixa, a cúpula da rede Globo já avalia que o juizeco de Curitiba não tem mais qualquer serventia e ainda onera sobremaneira sua folha de pagamento. Com isso, a Lava Jato contribui para o aumento do desemprego, porque a partir de agora Sérgio Moro passará a ser apenas um funcionário público (embora regiamente remunearado), deixando vago o cargo de caçador de sapo barbudo (que a rede Globo terá muita dificuldade para preencher no judiciário em curto prazdo, pois um capacho como Moro não se forma da noite para o dia).

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