quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um dia, por toda a América: Eu também!


Diferentemente de dois outros mitológicos líderes negros de influência mundial (Nelson Mandela e Martin Luther King), Malcolm X não alcançou os bancos da universidade, nem teve seus contenciosos com as forças de segurança do Estado limitados às questões políticas.


Enquanto Luther King (com sua estratégia de não violência) e Mandela (por todos os meios) trilharam o caminho da educação formal até se confrontarem abertamente com racismo e com o aparato conservador governamental, Malcolm X, embora filho militantes da causa antirracista, só encontrou seu lugar nessa luta dentro da prisão, a que foi sentenciado por crime comum, quando há muito abandonara a escola, a despeito de ter sido excelente aluno da educação fundamental, em que foi inclusive presidente de turma – em uma instituição de maioria branca.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Malcolm X e o pão nosso de cada dia (e só o pão)

Os 90 anos de nascimento de um líder: assista ao vídeo
Durante a Grande Depressão, passamos muita necessidade. Minha mãe ganhava pães, então... fazia sopa de pão, pudim de pão, pão torrado, ensopado de pão, pão com açúcar, pão com óleo de cozinha e sal, pão com banana. Não ficamos traumatizados porque o pão salvou nossas vidas.
Malcolm X.


Malcolm X nasceu como Malcolm Little em 19 de maio de 1925, em Omaha, estado deNebraska (EUA). Seu pai, Earl Little, marceneiro de profissão, era pregador batista ligado ao movimento do Nacionalismo Negro, do líder jamaicano Marcus Garvey, que teve enorme influência na luta antirracista no início do século XX. Sua mãe, Louise Norton (Little), fluente em francês, era também atuante desse movimento. Ainda criança, Malcolm teve o pai assassinado por racistas de forma violentíssima (espancado, foi atirado em um trilho de bonde para ser atropelado). Com muitos filhos e uma depressão profunda, Louise, sem tratamento adequado, foi internada pelo Estado em um manicômio de condições precárias, do qual seria retirada anos depois, completamente aniquilada.

Os filhos de menor idade foram distribuídos pelo Serviço Social em lares adotivos. Malcolm, após ter sido excelente aluno do ensino fundamental, foi morar em Boston com sua meia-irmã Ella. Nessa cidade, vivendo de subempregos (engraxate, lavador de pratos, faxineiro de trens, entre outros), termina por se envolver com o mundo do crime, que o levará, com pouco mais de vinte anos de idade, em 1946, à prisão. Sentenciado a mais de uma década de pena, cumprirá sete anos em regime fechado. Por meio de uma seita religiosa, a Nação do Islã, tomará consciência das razões da exploração dos negros nos EUA. Ainda preso, se converterá ao islamismo e mergulhará nos livros de filosofia, sociologia, história, geografia , de literatura (menos) e até mesmo de latim, linguística e etimologia.

Desde quando sai da prisão, no segundo semestre de 1952, até o momento de seu assassinato, em 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X evoluiu em seus pensamentos e suas práticas, abandonando o sectarismo e o ódio racial em favor de uma compreensão mais ampla da questão do negro e dos pobres nos EUA. Em 1964, rompe com a Nação do Islã totalmente e encampa a luta pelos direitos civis, por chegar à conclusão de que o ódio e a segregação são empecilhos à justiça social e à superação do racismo. Em seus últimos discursos afirmava: “Uno-me a todos aqueles dispostos a superar a miséria deste mundo”. Superando a visão sectária da Nação do Islã que indispôs com líderes como Martin Luther King, afirmou: “A união é a religião certa”, e ainda: “Quando for lutar contra o racismo, deixe sua religião em casa, no guarda-roupa”.


Se forem descontextualizadas, muitas de suas formulações parecerão erráticas, pois umas se chocarão com outras. Porém, respeitado seu percurso de aprendizagem contínua (retratado em sua Autobiografia, concluída no mês de seu assassinato), o que se observará é um homem de extrema inteligência e coragem, que jamais teve preguiça de estudar, pesquisar e, desde que convencido, mudar de ideia e de prática. Malcolm X não teve medo de romper com o passado, mesmo com o custo da própria vida, porque não teve tempo de ter medo. É esse exemplo, é esse homem, é esse jovem, que inspira tanta gente no mundo todo, que o leitor tem agora em mãos.

LEIA TAMBÉM: Malcolm X: a voz rouca dos guetos, reportagem de Cida Moreira para a Rede Brasil atual.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Um Malcolm X cheio de graça

A imagem que a grande imprensa divulga de Malcolm X é sempre a de um herói trágico, angustiado e deprimido. Porém, quem se dá ao trabalho mínimo de assistir a suas aparições públicas, entrevistas e gravações, sabe que ele tinha um humor extremante sofisticado e ferino, que era usado sempre como arma afiadíssima contra seus adversários de debates.

Vários reitores de universidades nos EUA foram vítimas de suas anedotas em discussões quentíssimas, com auditórios abarrotados e ansiosos por suas pérolas de oratória radical, mesmo quando engraçadas. O próprio Malcolm X revela e se diverte, em sua Autobiografia, ao recordar essa faceta de sua militância.

Em O jovem Malcolm X, o capitulo final é todo uma coletânea dessas suas frases lapidares, algumas das quais compartilharei neste espaço, como a que aqui se lê, até a data do lançamento do livro.


terça-feira, 5 de maio de 2015

90 anos de Malcolm X e o racismo no Brasil

Por Vladimir Miguel Rodrigues*

Em comemoração aos 90 anos de nascimento de Malcolm X, além do lançamento no dia 9 de junho d'O Jovem Malcolm X (com mesa redonda na livraria Martins Fontes-Av. Paulista), o prof. Vladimir Miguel Rodrigues, autor de O X de Malcolm e a questão racial norte-americana, convida para mesa de debates.

Malcolm X foi figura extremamente importante nos EUA, na década de 1960, tendo lutado ativamente pela construção das liberdades individuais dos negros. Muçulmano, inicialmente adepto da Nação do Islã, propagava um discurso radical contra os brancos, de autodefesa contra a violência institucional, afirmando que os negros deveriam criar um país dentro dos EUA e viver em separado da América branca. Após viajar em 1964 a Meca e aos países africanos recém-independentes, reformulou seus ideais, abandonou o discurso considerado “violento” e a Nação do Islã, caminhando para uma fala socialista, moderada, conciliatória que objetivava a emergência de uma identidade afro-americana. Sua vida teve fim em 1965, quando proferia uma palestra e foi brutalmente assassinado. Este ano de 2015 é significativo para as questões raciais nos EUA. Primeiramente, por serem lembrados os 90 anos do nascimento de Malcolm (21 de Fevereiro) e os 50 anos de sua execução (19 de Maio). Essas reminiscências, relacionadas ao atual contexto racial dos EUA, marcado por inúmeros atos criminosos em relação à população negra, como vimos, recentemente em atos brutais contra cidadãos negros, como em Nova York, Saint Louis e, ainda mais recente, em Baltimore, mostram que o discurso de Malcolm X continua atual e os problemas raciais que, muitos acreditavam que haviam sido superados, continuam onipresentes. Para que essa temática possa ser ampliada, realizaremos um debate para discutir Malcolm X e sua relação com o contexto brasileiro, marcado por um racismo institucional, como foi dito pela própria ONU em relatório sobre as questões étnico-sociais no país.

90 anos de Malcolm X e o racismo no Brasil
Local
Unorp – 19 de Junho de 2015 às 19h, São José do Rio Preto-SP
Participantes
Vladimir Miguel Rodrigues
Professor e escritor (autor de O X de Malcolm e a questão racial norte-americana)
Jeosafá Fernandez Gonçalves
Professor e escritor (autor de O jovem Malcolm X)
Douglas Belchior
Professor e ativista (Uneafro-SP)
William Reis
Ativista (Afroreggae-RJ)

Tiago Vinícius André dos Santos
Mestre e Doutorando em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da USP, presidente do Conselho Afro brasileiro de São José do Rio Preto. 


Bacharel em Letras com habilitação em Tradutor pela UNESP/Ibilce, concluído em Novembro de 2007 e licenciado em Filosofia pelo Instituto Claretiano, concluído em Novembro de 2012. Em Fevereiro de 2008, ingressou no Mestrado em Teoria da Literatura pela Unesp/Ibilce, na linha de pesquisa História, Cultura e Literatura (HCL), com o projeto "Malcolm X: entre o texto escrito e o visual", tendo obtido o título de mestre por esta instituição em Agosto de 2010. No ano de 2012, teve sua dissertação selecionada pelo Programa de Publicação de Dissertações de Docentes da Unesp, tendo publicado em Agosto de 2013, pela Editora Unesp, o livro "O X de Malcolm e a questão racial norte-americana". Desde o início de 2004 trabalha com o Ensino das Humanidades. Atua como professor de Filosofia, Sociologia, História e Atualidades no Ensino Médio e Cursinho pré-vestibular na rede particular de São José do Rio Preto e região. Escreve artigos de opinião e crônicas regularmente para os principais jornais da cidade e para revistas eletrônicas de alcance nacional.