terça-feira, 18 de setembro de 2018

ELE NÃO!


A campanha #EleNão se alastra pelo país como uma grande onda plebiscitária contra Jair Bolsonaro, o candidato de extrema direita que assumiu definitivamente o ideário fascista. A menos de vinte dias das eleições, ele tenta surfar no discurso do ódio, da intolerância, do preconceito e da ignorância, porém vinte dias é tempo suficiente para ele se tornar a figura mais execrada do Brasil.

Enquanto se prestou como arma para discriminar negros, nordestinos, pobres, mulheres, LGBTs, idosos, refugiados entre outros, ele se beneficiou das circunstâncias, da empolgação de grupos neonazistas e de uma mídia verdadeiramente imoral

Porém, desde que as mulheres de mobilizaram na semana passada por meio das redes sociais, iniciou-se seu inferno astral. Convenhamos, 20 dias de inferno astral talvez seus fascismo irracional e indecente não suporte.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica, em projetos para jovens em situação de risco social.


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

FACADA NO ESTÔMAGO AFETOU MEMÓRIA DE JAIR BOLSONARO


"Nunca fiz mal a ninguém", teria afirmado o candidato de extrema direita à presidência da República, Jair Bolsonaro, após recobrar a consciência. Vamos ajudá-lo a recuperar a memória.

O suposto atentado ao candidato à presidência da República Jair Bolsonaro é consequência direta do clima de ódio que ele e a Rede Globo disseminam no país há pelo menos cinco anos ininterruptamente.

Indivíduo agressivo, truculento e provocador, que ofende acintosamente seus adversários diante de câmeras de TV e de microfones, Jair Bolsonaro esta semana incitou em comício eleitoral seus seguidores a "fuzilarem" militantes de esquerda, ele mesmo dizendo que o faria, tão logo eleito.

No passado recente, incitou a massa furiosa de verde-amarelo a linchar nas ruas pessoas que usassem camisas vermelhas. Como resultado dessa pregação desmesurada de ódio, até cães acidentalmente portando coleiras vermelhas chegaram a ser agredidos por pessoas tomadas por fúria irracional e incontrolável.

Machista, homofóbico e misógino, seu discurso preconceituoso incentiva e legitima o estupro, a violência e até o assassinato de mulheres e pessoas cujas práticas sexuais se afastem de sua moral reacionária e perversa.

Ao se referir à população negra quilombola, numa palestra na Hebraica em abril de 2017, disse ele: "não servem nem para procriar", acrescentando em tom de humilhante galhofa: “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”, tratando a quem se referia não como um ser humano, mas como gado de corte.

Não há entrevista que dê e pronunciamento que faça em que não elogie torturadores e linchadores. Ao se referir à ditadura, afirmou em entrevista televisiva que o erro dos militares foi não terem matado mais gente, chegando ao cúmulo de afirmar que o Brasil, para ser consertado, em seu ponto de vista, teria de matar ao menos 30 mil pessoas - como se já não bastassem as mais de 50 mil vítimas anuais de homicídio no país.

Também em comício eleitoral do mês de agosto, afirmou que, em seu governo, policial que matasse mais teria prêmios e estímulos de toda ordem.

A lista de absurdos que esse indivíduo espalha pelo país contamina todo o tecido social. Professores são humilhados em sala de aula por alunos que legitimam suas práticas no discuso de ódio de Jair Bolsonaro. Seguidores de Jair Bolsonaro agridem e matam suas mulheres repercutindo sua ausência de filosofia e sua língua sem freio. Policiais se sentem liberados para atirar primeiro, perguntar depois, movidos pela irracionalidade fascista assumida por Bolsonaro. E, não se enganem, mesmo entre criminosos cruéis Bolsonaro é tido como referência, pois assume o figurino de "matador": iguala-os o desprezo pela vida humana e o amor pela morte... dos outros, logicamente.

Bolsonaro, assim, não é vítima inocente de um atentado, mas coautor de seu próprio ódio. Jamais imaginou ele, em o fato divulgado pela imprensa cada vez mais suspeita tendo sido verdadeiro, tornar-se alvo do ódio por ele mesmo preconizado contra os outros. Nunca imaginou, embora a história seja pródiga de exemplos, Mussolini e Hitler não são casos isolados, na hipótese de o ódio ser uma espécie incontrolável de bumerangue, que um dia retorna ao ponto de onde partiu.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica, em projetos para jovens em situação de risco social.