quinta-feira, 3 de maio de 2018

SÃO AS ELEIÇÕES, ESTÚPIDO!


A articulação criminosa - com Supremo, com tudo -, que assumiu o poder a partir da sequência de golpes conta a presidenta Dilma e a coalizão em torno de Lula, apostou até sua última ficha que a prisão do ex-presidente seria o cheque-mate do jogo sujo que instaurou no país com sua estratégia de vale-tudo. Porém nem a deposição de Dilma se deu como essas forças planejaram, nem um mar de rosas neoliberal floresceu no país, nem a prisão de Lula encerrou o jogo.

Empurradas para as urnas - uma vez que cogitaram inclusive adiar as eleições -, esses agentes se dão conta de que a cada golpe de sua sequência de golpes em série, Lula, Dilma e a esquerda recuperaram terreno na arena política, e o próprio campo golpista se foi esfarelando.

O PSDB de São Paulo, o mais consistente até as eleições de 2014, virou pó junto com Aécio. Seu candidato a presidente, o protofascista Geraldo Alckmin, foi traído por seu cafajeste favorito, Dória, que tentou esfaqueá-lo para se tornar o candidato do partido a presidente. Não consumando sua traição inteiramente, este se fez engolir a seco como candidato a governador, quando Alckmin jogava todas as suas fichas em Márcio França, seu vice.

Hoje a situação dos tucanos de rapina de São Paulo é esta:
  • seu candidato a presidente patina nos 5%  do eleitorado, perde para Lula e Bolsonaro no estado em que o tucanato governa há um quarto de século, e que deu a Aécio, em 2014, nada menos de que 66,5% dos votos;
  • seu candidato a governador, Dória, vê seus índices de rejeição na Capital explodirem, após abandonar o governo, de péssima gestão, após 15 meses de posse e nada de governo - e é rejeitado pelo próprio candidato a presidente do partido;
  • o governo do estado foi entregue a Márcio França, impedido de apoiar Alckmin, pois está obrigado pelo PSB a apoiar o candidato do próprio PSB, Joaquim Barbosa;
  • Dória e França, ambos da base tucana, se esfaqueiam mutuamente - o primeiro tentando atrair o eleitor tucano, que não se identifica a priori com ele, pois sua identidade é mais DEM do que PSDB; o segundo, se apoiando na máquina do governo e na articulação de com as 645 prefeituras do estado.

Esse, o de São Paulo, é o melhor PSDB do Brasil hoje. No Rio de Janeiro e em Minas, os tucanos estão completamente destruídos. O MDB-máfia de Temer-Jucá  tenta a todo custo se reerguer da lama  e com a lama ocupando o espaço do finado tucanato local desses estados. A intervenção militar no Rio era parte desse golpe, mas todos são unânimes: fracassou.

A tentativa de golpe contra Pimentel em Minas é uma jogada de risco, e não parece de fácil consecução. A provocação, na forma de intervenção federal no estado do Maranhão, também não dá sinais de ir em frente, pois o próprio Temer é posto na defensiva em face novas e consistentes denúncias sobre sua sabida liderança no esquema podre de corrupção pesada no porto de Santos.

Embora a mídia golpista faça contorcionismo para eliminar Lula dos noticiários, desde que que o roteiro de seu encarceramento foi sacramentado pelo STF, Lula não sai do topo das redes sociais, muito mais influentes hoje do que a rede Globo - prova-o massacre midiático sofrido por Lula e o aumento de seu prestígio junto à população, medido pelos mesmos institutos mantidos por essa mídia prostituída.

Quanto mais o golpe impôs sua agenda e sua estratégia de extermínio de Lula, de Dilma, do PT e da esquerda, mais a esquerda se consolidou e aumentou seu prestígio - e mais o próprio polo golpista se esfarelou. A se manter essa polarização (esquerda X golpistas), as eleições de 2018 serão plebiscitárias: o pior dos mundo para a direita, para os traidores do Brasil e para a corja golpista, encrustada nos três poderes da República, máfia que enoja o país e o atirou numa de suas piores crises políticas, econômicas e morais da história.


JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


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