domingo, 8 de abril de 2018

UM NASCE PARA OS BRAÇOS DO POVO, OUTROS PARA ENFEITE DE PUTEIRO

E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

As duas imagens mais simbólicas produzidas pela realidade brasileira nos últimos dias são a do presidente Lula carregado nos braços do povo e a da homenagem de Oscar Maroni, proprietário do puteiro de luxo Bahamas, em Moema, São Paulo, a Sérgio Moro e Carmen Lúcia.

Após a negação do habeas corpus a Lula, na 4a. feira passada (04/04/18), e a decretação de prisão expedida por Moro, sem que o STF tivesse tido sequer tempo de publicar sua decisão, a mídia golpista entrou em frenesi à cata da imagem perfeita para estampar em seus noticiários e suas capas de jornais e revistas.

Porém a decisão tomada por Lula de resistir à prisão, tanto quanto o mandado de prisão ilegal de Moro, deixou essa mesma mídia carniceira como barata tonta. Sobrevoando o Sindicato dos Metalúrgicos, a Rede Globo, roubando o sinal da TVT, tentava a todo custo a primeira imagem de Lula preso. Gastou fortuna em combustível, e saiu frustrada.

Demais emissoras e jornais tentavam antecipar, como abutres, no interior do Sindicato ou em sua porta, o momento da derrota do maior líder que a classe operária já produziu no país. Porém essa derrota não vinha e a iniciativa, que esteve com o STF e depois com o juizeco de Curitiba, agora estava totalmente com Lula, que magistralmente passou a controlar tanto o protocolo de sua apresentação à justiça, quanto a narrativa do momento e (o pior para a mídia e para os próprios golpistas) o monopólio da produção verdadeiramente industrial de imagens - daquelas incessantes de resistência no Sindicato, difundidas pela própria mídia golpista em tempo real durante três dias, àquelas dos protestos em 24 capitais do país em apoio a Lula.

De quinta feira ao momento de sua saída a pé do Sindicato para ingressar no comboio passivo e derrotado da Polícia Federal, depois sua chegada a Curitiba ontem, (07/04/18) com a Polícia do PSDB atirando contra manifestantes, Lula este esteve soberano, e converteu sua prisão num momento apoteótico, de glória e resistência, cujas imagens se espalham agora pelo mundo.

Porém, desse oceano de imagens, duas viralizaram nas redes sociais: a do presidente carregado nos ombros por uma multidão à porta do Sindicato, e a dos retratos de Sérgio Moro e Carmen Lúcia na parde do puteiro de luxo Bahamas, do cafetão condenado e solto pelo STF, Oscar Maroni, que ofereceu cerveja de graça em comemoração à decisão dos dois data venia ilustres magistrados. E assim ficou resumido este estágio da luta: um nos braços do povo, outros, comemorados no puteiro.

(A foto histórica de Lula nos braços do povo é do jovem de 18 anos Francisco Proner).

DISCURSO DE LULA ONTEM

Eu tenho dito em todo discurso: não adianta tentar de me impedir de andar por este país, porque tem milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste país para andar por mim. Não adianta tentar acabar com as minhas idéias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês", disse Lula.

Não adianta achar que tudo vai parar o dia que o Lula tiver um infarto, é bobagem, porque o meu coração baterá pelos corações de vocês, e são milhões de corações. Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque eu não sou um ser humano, sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês, e eu tenho certeza que companheiros como os sem-terra, o MTST, os companheiros da CUT e do movimento sindical sabem, e esta é uma prova, esta é uma prova, eu vou cumprir o mandado e vocês vão ter de se transformar, cada um de vocês, vocês não vão se chamar chiquinho, zezinho, joãozinho, albertinho...

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.




2 comentários: