sexta-feira, 30 de março de 2018

O MEGANHISMO DO CINEASTA MARIA BATALHÃO

Entrevista baseada em fatos livremente surreais do cineasta meganha.

OH!GranDIOsoFÁ: Querido, de onde você tirou essa ideia de jerico?

Zé Meganha: Qual delas? Você sabe, sou muito criativo, e as ideias vão surgindo assim numa verdadeira... numa verdadeira....

OH!GranDIOsoFÁ: Diarreia mental?

Zé Meganha: Isso, totalmente descontrolada.

OH!GranDIOsoFÁ: Falo da série O Meganhismo, que está bombando nos apês classe média paneleira.

Zé Meganha: Ah, isso vem do primeiro revólver de brinquedo que ganhei na infância. Sempre gostei de me imaginar metendo bala a torto e a direito. Como não tive coragem de virar nem bandido nem polícia, virei cineasta rs rs rs. Assim invento porrada e todo mundo manda bala à vontade kkkk.

OH!GranDIOsoFÁ: Putz, que criativo. Não sei como ninguém tinha pensado nisso antes, tipo assim, John Wayne, Rambo, Sergio Leone...

Zé Meganha: Esses caras até tinham talendo, mas faltou a eles...

OH!GranDIOsoFÁ: A Mentelixo?

Zé Meganha: Isso. Os caras faziam filme pra passar em cinema... Isso já era. Cinema tá com nada, o negócio é TV, cara, isso é a evolução da sétima arte.

OH!GranDIOsoFÁ: Por que tu enfiou conversa de um na boca de outro no seu Meganhismo.

Zé Meganha: Ah, isso foi outra sacada de infância. Quando ganhei o boneco do Falcon, aquela porra não falava, então eu tinha que ficar inventando as falas dele para conversar com ele. Como não conseguia inventar, decorei o que meus pais falavam e, quando era a deixa do Falcon, eu imitava a voz deles.

OH!GranDIOsoFÁ: Tipo assim... papagaio.

Zé Meganha: O conceito é esse... Deu certo com o Falcon, então inovei a arte cinematográfica com essa puta sacada...

OH!GranDIOsoFÁ: Pô, Zeca, mas as meninas vivem conversando com suas bonecas e o diálogo entre elas rola solto, sem essa, meu!

Zé Meganha: Pódi crê, mas eu não conseguia imaginar a fala da porra do boneco, então a saída de decorar o que os outros falavam e repetir na vez do boneco deu certo pacarai.

OH!GranDIOsoFÁ: Você acha que deu certo n' O Maganhismo também? Tá rolando umas críticas aí...

Zé Meganha: Tudo invejoso que não conseguiu virar nem bandido, nem policial nem cineasta da bala. Olha, se os atores não se comportassem como bonecos, não teria dado certo, mas eles fizeram certinho o papel do Falcon, então encaixou tudo numa nice, undestand? Nem precisou de muito ensaio. Agora, teve uns que erraram sua fala e lascaram a fala do outro, mas a porra tá tão zoada que ninguém percebeu, nem eu kkk.

OH!GranDIOsoFÁ: E esse seu tesão por cara fardado?

Zé Meganha: Ah... Também vem do Falcon. Ele tinha várias roupinhas, mas a que eu mais gostava era a de soldado com uniforme camuflado. Tenho ele até hoje sob o abajur lilás do meu criado mudo.

OH!GranDIOsoFÁ: Qual seu próximo projeto?

Zé Meganha: Vou refilmar o Bambi do Walt Disney, tudo com dublagem do Alexandre Frota. Vai ser uma loucura...

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quinta-feira, 15 de março de 2018

CAMISAS AMARELAS: VOCÊS SÃO OS MANDANTES


A jovem guerreira e vereadora carioca do PSol, Marielle Franco, foi vítima de um ato covarde, como é praxe em um mundo cão em que criminosos e policiais falam o mesmo idioma, comungam os mesmos objetivos, rezam a mesma cartilha e agem do mesmo modo. Criminosos como esses não agem por motivação própria: são paus mandados, capitães do mato, jagunços contemporâneos a fazerem o serviço sujo a mando daqueles que, para manter seus privilégios, fazem qualquer negócio. Junto com ela, foi vitimado seu motorista, um trabalhador, Anderson Pedro Gomes, que com o suor de seu trabalho defendia sua família.

Eu acuso aqueles que saíram às ruas para defender o golpe de Estado em curso por esse ato covarde e vergonhoso. A manada de camisas amarelas é culpada por esse e outros crimes já ocorridos recentemente e outros que estão por vir, infelizmente.

Ao idolatrarem torturadores, ao pedirem intervenção militar, ao atiçarem o linchamento de militantes de causas humanitárias e sociais, ao emprestarem base social e financeira para o golpe de Estado, esses cretinos furiosos deram a senha para os matadores com os quais sempre contaram, que estão saindo das sombras já sem qualquer inibição.

Ou o país retorna à normalidade democrática e põe fim a esse golpe, ou dias tormentosos nos esperam. Quando Ivan Lins escreveu "Muita água rolou nos olhos do povo. Pelo que vejo agora, neném, vai rolar de novo", nem imaginava que, ao constatar uma realidade da década de 1970, fazia igualmente uma profecia aziaga.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.