terça-feira, 30 de janeiro de 2018

ACIMA DE DEUS, A BURGUESIA E SEUS EMPREGADOS DE LUXO: OS JUÍZES


Os supersalários e a vida de sultão dos juízes se justificam: eles exercem no Estado a função de guardiões do cofre da burguesia. Se falhar tudo no sistema capitalista, incluso as Forças Armadas, e o povo sonhar assumir o poder, resta ainda essa muralha inexpugnável : o poder judiciário.

ACIMA DE DEUS, A BURGUESIA E SEUS EMPREGADOS DE LUXO
Soneto 22

Quando era bem pequeno, eu olhava para cima
Crendo que depois das nuvens e do azul
Havia um Deus de barba branca e justo,
Porém ao crescer descobri Dele acima a burguesia.

Ela mais que Ele está em todo lugar, tudo controla, tudo vê.
O olho descuidado de Deus tantas vezes erra.
Errou logo de cara, prova-o o caso de Adão e Eva,
Porém não erram  os milhões de olhos de celulares e TVs.

Acima de Deus a burguesia ainda promoveu
Uma malta entojada de mór desinfelizes
Cuja moral hipócrita enoja o pior fariseu 

Com suas poses ridículas e togas bregas - os juízes.
Estes, sem ter onde enfiar tanta grana que a burguesia lhes deu,
Torram-na em toalete como sói acontecer a ricas meretrizes.

(Cibio Bote. A burguesia e seus amigos).

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Los três mofinos

Cães da guarda da burguesia imoral que tomou o poder no país atiçada pela máfia midiática, os juízes da Lava Jato retribuem com bônus o dinheiro de supersalários, que recebem exatamente para fazer o que estão fazendo. Por essa razão, merecem ser lembrados para sempre.

MALANDRO MÓR
Soneto 23

Encontrando pela frente um bandido
Todos têm a chance de se sair bem:
Se o vilão dá um cochilo
É mandá-lo para o além.

Outro tipo descarado também
De se dar mal corre sério risco:
O diabo sabe que não convém
Encher o saco de Jesus Cristo.

Mas existe na natureza um tipo
Para quem o diabo é aprendiz
E a malandragem do bandido

É mesmo de fazer rir.
Encontrá-lo é o maior perigo:
Esse tipo é o juiz.

(Cibio Bote. A burguesia e seus amigos).

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 20 de janeiro de 2018

CAMINHOS QUE LEVAM À FÉ

Num momento em que a intolerância, o ódio e o racismo vicejam nas redes sociais – a bem da verdade cada vez mais combatidos e em franca defensiva – um samba enredo de São Paulo responde aos iracundos não na mesma moeda, mas com a moeda de ouro da beleza. Assim, a escola de samba Colorado do Brás, vermelha até no nome, vem para o Carnaval de 2018 com um belíssimo samba enredo que encaixa em todos os sentidos.

O ritmo e a cadência de CAMINHOS DA FÉ vai num crescendo contagiante que torna impossível a quem o ouve ficar parado um só instante. A força dos tambores africanos atravessam a pele, a musculatura, os nervos, os ossos e atintem diretamente o coração, que passa então a pulsar na frequência portentosa da bateria. Quem participa dos ensaios da Colorado do Brás sai dizendo que sentiu o sangue fluir quente pelo corpo:

Mãe África derrame seu Axé
Semeando a cultura
Em teu sangue a bravura
Aos ventos de Orum Ori Aláfia
Eparrey Oyá

Não só o ritmo encaixa: a harmonia encaixa perfeita na letra, que articula línguas, culturas e religiões de Brasil e África. É um verdadeiro poema hibrido em que Brasil e África se abraçam numa comunhão de idiomas, mas também de almas. A saudação a Oxóssi, ligado às forças da floresta, fauna e flora, abre uma segunda estrofe do samba que é uma saudação ao orixá caçador, mas é também um chamado contagiante à cultura e à religiosidade de matriz afro:

Okê Arô Ora Yêyêo
Odoya Kawo Kabecilê
Salubá Nãnã Atotô Obaluaê
Ogunhê Arroboboy Oxumarê

O refrão mescla apelo ao ecumenismo, súplica humilde de filho e exaltação das raízes, tem uma força de atração e de sentido que por si só age como antídoto poderoso contra a intolerância.

Bahia de todos os santos
Acolhe teus filhos herdeiros da força
De seus ancestrais

O samba enredo é coroado com versos que convidam à retomada de seu próprio início, numa metáfora de abre alas de rara beleza: o ciclo da vida, das águas, da festa precisa ser sempre retomado, eternamente:

Hoje vai ter Xirê. Hoje vai ter Xirê.
Roda baiana. Salve todos orixás.
Axé! Colorado vai passar.

Dessa forma a Colorado do Brás dá seu recado a esse tempo confuso em que vivemos: com um samba cuja beleza em todos os sentidos deixa racistas, perseguidores da cultura afro, intolerantes e “donos da verdade” simplesmente mudos, catatônicos, sem chão debaixo dos pés para sambar.


Compositores: Marcio Pessi, Edson Dafféh, Gilson Caffé, Magrão da Caprichosos e Hermes Sobral.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

AGORA NÃO CABE O MENOR VACILO

Há momentos na história das pessoas, das comunidades e dos povos em que não cabe vacilação. Nesses momentos, ações decididas e firmes determinam a superação de situações críticas. Por outro lado, a hesitação implica em longos períodos de infelicidade e dor.

Por essa razão intelectuais e artistas nos reuniremos com Lula no próximo dia 18 de janeiro em São Paulo, na Casa de Portugal (av. Libverdazde, 602), 19h. Não se trata apenas de defender o direito de Lula a ser candidato à presidência da República nas eleições de 2018: trata-se de dar um basta no arbítrio que tomou conta do país a partir de um conluio criminoso de setores do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público com PSDB, PMDB e DEM. 

Contamos com seu apoio e sua presença nesse dia. Por favor, compartilhe.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.





terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Mau juiz, mau caráter e mau casado

Quando Sérgio Moro envereda pela perseguição, abandonando os autos dos processos para proferir suas sentenças eivadas de prepotência, autoritarismo e ódio, torna-se um juiz da pior espécie, parcial e corrupto, aquele que emprega o cargo não para os fins da promoção da justiça, mas para atingir desafetos e para favorecer membros de seu grupo político, que todos sabem é o PSDB.

Quando monta um esquema que envolve, além de juízes e promotores comparsas, hordas de imbecis tangidos como gado pela mídia, age como pau mandado de máfia, cujos interesses estão no início, nos meios e nos fins de todas as ações, sejam elas nos tribunais, sejam elas diante das câmeras.

Quando emprega a foto da esposa, acusada de envolvimento em venda de sentenças e delações premiadas e desvio de verbas milionárias da APAE, para se autopromover nas redes sociais, ou assume que tem consciência do que ela faz, assumindo, em decorrência, coautoria nos crimes de que ela é acusada; ou é por ela feito de idiota - hipótese bem pouco provável, haja vista as denúncias de Tacla Duran.

No primeiro caso, é mau juiz, no segundo, mau caráter; no terceiro, na melhor das hipótese, mau (com u mesmo) casado.

JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);   O jovem Malcolm X A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.