sexta-feira, 28 de julho de 2017

ESPERANÇA, CADÊ VOCÊ?

Eu queria enviar hoje uma mensagem de esperança, mas não vai ser possível, não. Não há esperança à vista. Porém, pensando bem, lutar com alegria quando há uma esperança nos esperando na esquina para tomar uma cerveja é fácil. Quero ver é lutar com a mesma garra sem esperança nenhuma nem ali na esquina, nem em nenhum horizonte próximo, por mais que a gente caminhe na direção do sol.

O tempo que vivemos hoje no Brasil, é preciso assumir essa conta dolorosa, não é de esperança - nana, nina nana. Quem está caçando esse combustível no Facebook, no Instagram, no zapzap vai dar com os burros n'água.

Amigo, amiga, não temos que buscar esperança nenhuma, porque ela escafedeu-se deste país já faz algum tempo. Temos, isso sim, que oferecer nossa fé cega na vida e nas voltas que o mundo dá. Temos que oferecer nossa garra de resistir a todo custo, nossa vontade louca e viver do jeito que der, mesmo se não der.
Um romance de resistência
Estamos não às vésperas de uma aurora, mas mergulhados num tempo captado com delicadeza por Mário de Andrade em Meditação sobre o Tietê: "É noite. E tudo é noite".

Tem muita gente afoita por qualquer esperança vagabunda e ilusória. Mas esse tipo de esperança não tem valor, é breve, não presta, e dá azar.

A esperança que interessa está escondida atrás dessa noite, que precisamos atravessar com paciência, e cuidado, meio às cegas, passo a passo, mas sem parar - e mesmo sem expectativas de encontrá-la lá.

Quanto durará essa noite? Só dá para saber se a atravessarmos até o fim. E para a atravessarmos até o fim, é preciso que estejamos, no mínimo, vivos. Façamos, então, um pacto pela vida: resistir, até que a noite desista de nós.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

2 comentários:

  1. Belíssimo! Parabéns e obrigado!

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  2. Grato. Enquanto as pilhas de provas e trabalhos de meus alunos vão aumentando, vou escrevendo esses artigos que podem ser úteis. Abração.

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