segunda-feira, 10 de abril de 2017

MORO NÃO REÚNE CONDIÇÕES SEQUER MORAIS PARA JULGAR LULA

Ele persegue e tortura psicologicamente suas vítimas; comete crimes aberrantes contra a Constituição; organiza esquema clandestino para destruir por ódio seus inimigos, empregando maus funcionários do Ministério Público e da Polícia Federal; financia filme com dinheiro da corrupção para atacar réu a quem cabe julgar; considera que dinheiro criminoso de propina tucana na Suíça não faz mal a ninguém e... quer julgar Lula.

Porém, como a situação do golpe de Estado vai se deteriorando a olhos vistos, a cada palavra que Sérgio Moro diz, sua língua tucana se enrosca no bico. Em Harvard, tentando justificar por que não prende tucanos envolvidos em corrupção, saiu com a pérola transcrita acima.

Nesta segunda-feira (10/04/07), ao colher novas delações de Marcelo Odebrecht à base do "eu digo o que você quer ouvir e você me solta", o juiz, durante o próprio depoimento, que ocorre sob segredo de justiça, é avisado de que a audiência está sendo vazada on line em tempo real por um site de direita.

Todos dão por certo que, seja qual for a verdade, Moro condenará Lula e tentará prendê-lo (não necessariamente nessa ordem), não em nome da justiça, mas em nome de seu projeto de poder, intimamente ligado aos do PSDB. Cabe aos democratas, trabalhadores e movimentos sociais exigirem o afastamento imediato de Moro do processo movido por ele contra o presidente Lula, pois não há a menor possibilidade de ele agir com o mínimo de isenção que o exercício da toga reclama. Moro é inimigo de Lula, tem interesse pessoal e político direto em sua condenação, por isso não pode e não deve julgá-lo.

Sobre o vazamento em tempo real, leia clicando aqui.
Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

http://www.lojanovaalexandria.com.br/catalogsearch/result/?q=era+uma+vez+no+meu+bairro

14 comentários:

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    1. Sinto alguém covarde se escondendo no anonimato para ameaçar... Porém você estava logado quando comentou, RODRIGO ROZENDO, de maneira que foi fácil saber sua identidade. Tome coragem e assuma seus comentários. É mais elegante... Ou então seja mais competente quando for fazer comentários anônimos.

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  2. Um texto muito bem redigido e coeso. Um estilo impecável! Parabéns, professor!

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    1. Prezado Manoel, agradeço o estímulo. Escrevo esses textos enquanto corrijo provas e trabalhos de meus alunos, preencho diários escolares e faço e refaço planejamentos. É uma das formas que encontrei para contribuir para a luta contra o autoritarismo que esmaga o Brasil hoje.

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  3. Moro tem um colegiado de desembargadores que podem revisar suas decisões. É,como já foi dito, um simples juiz de 1a instância. Acreditar que basta falar o que eu quero ouvir é mais do que suficiente, não leva é consideração o princípio da delação premiada que é exatamente a consistência da informação. Moro acerta quando expõe as feridas, olhe como está o Brasil atual.Desemprego, descrédito internacional..Não foi obra do Moro ...

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    1. Prezado "siqmiles". A quem tenta convencer com essa conversa mole? Por acaso toma o autor e os leitores deste blog por idiotas?

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  4. E sobre os recentes vazamentos Doutores Moro e Dallagnol deram declarações que é uma pouca-vergonha (no popular).
    Caixa 2 já não é mais crime.
    E quanto ao Dr. Dallagnol: "e se fosse o Lula que tivesse comprado os dois imóveis da Minha Casa Minha Vida só para especular?".

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    1. Prezado amigo, nosso judiciário está corroído até o osso.

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  5. Todos sabe que moro (com letra minúscula) não tem isenção para julgar. Digo mais, nem moro e nem parte dos que estão nos tribunais superiores. Tudo isto só não é mais vergonhoso porque destes sujeitos não há que se esperar coisa boa. Praticam um desserviço a nação, as custas do trabalho alheio, que o trabalho que exercem não servem ao povo.

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    1. Prezado colega, Moro é desprovido de dois freios morais essenciais: vergonha e culpa.

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  6. Indo para a lista dos favoritos... Bacana demais, o blog! Parabéns, Professor!

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    1. Obrigado pela força, Carlos. Escrevo esses artigos entre pilhas de trabalhos e provas. ABS.

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  7. Para além desse raciocínio, professor, gostaria que você expusesse sua opinião de como teremos que agir para contribuirmos com o avanço da nossa democracia. Sou médico com 30 anos de profissão e sempre tive horas de trabalho voluntário, não em igrejas, mas no proprio local de trabalho (publico e privado) para contribuir com a diminuição do sofrimento coletivo

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    1. Prezado dr. Antonio: Sou professor e como o sr. realizo trabalhos voluntários com jovens e outros públicos, seja por meio da língua e da literatura, seja por meio do cinema (sou cineclubista também). Porém isso é insuficiente. O trabalho que o senhor eu realizamos (e também uma de minhas irmãs, também médica, como o sr., no Rio de Janeiro) é essencial, deve continuar, sempre que possível agregando outras pessoas, mas influi apenas nas micro-relações. O problema pelo qual o país passa exige ações no nível das macro-relações. É preciso eliminar o poder de influência do dinheiro, legal ou ilegal, na política, na imprensa e no Judiciário, pois isso promove uma perversão grotesca das instituições em escala astronômica. É preciso que nas próximas eleições legislativas e executivas sejam eleitas pessoas que tenham projetos concretos para eliminar essa influência. Salários astronômicos de políticos, juízes e funcionário públicos devem ser abolidos. Juízes da suprema corte devem ser eleitos para mandatos com tempo determinado, como nos poderes Executivo e Legislativo, sem direito a reeleição. O uso da imprensa para fins de grupos políticos deve ser duramente punido, assim como o monopólio os meios de comunicação, proibido pela Constituição, mas exercido por um punhado de famílias e políticos ao arrepio das leis. A representação de setores dos trabalhadores e da classe média nos três poderes precisa se equacionada. Em razão dessa sub-representação, esses setores são esmagados tanto nas câmaras e assembleias legislativa, quanto no Judiciário, onde impera o poder das grandes corporações. São algumas ideias que venho amadurecendo há tempos. É preciso aproveitar o sofrimento que estamos vivendo para atacar suas causas: a influência do poder econômico sobre o Estado - seja por meio de leis que o favorecem, seja pela corrupção que ele (o poder econômico) financia. Continuemos nossa conversa, pois não podemos deixar para nossos filhos e netos um país pior do que encontramos. Vozes como a do senhor precisam ecoar mais alto e forte. Abraço forte e parabéns por sua ação voluntária.

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