segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O PIOR AINDA ESTÁ POR VIR

Se ilude quem acha que o pior contra o PT, Lula, a esquerda, os trabalhadores, o povo seus sindicatos e entidades representativas já aconteceu. Não se trata de pessimismo, mas de dedução: os que engendraram a monstruosa máquina do golpe não darão marcha à ré nela, por nada no mundo: irão até as últimas consequências.

Para consolidar seus propósitos PSDB, PMDB, Rede Globo, Editora Abril, Congresso Nacional, STF, Ministério Público Federal, Polícia Federal e juiz Sérgio Moro, assessorado diretamente pelo Departamento de Estado dos EUA, via FBI, puseram em movimento uma gigantesca máquina golpista, engendrada em detalhes na clandestinidade típica de máfias dispostas a tudo.

O golpe de Estado em pleno curso e se aprofundando no Brasil é uma ruptura institucional drástica  com repercussões gravíssimas e imediatas nos campos político (restrição às liberdades democráticas e repressão), econômico (desemprego, quebra de setores estratégicos de nossa economia, como as cadeias do petróleo e da engenharia) e social (aumento da miséria) –, ruptura que não se deterá ou regredirá por conta própria, pelo simples fato de que, se o fizer, aqueles que o engendraram arcarão pesadamente com o ônus da traição que praticaram.

Por essa simples razão os responsáveis pelo golpe de Estado no Brasil estão forçados a ir às últimas consequências, inclusive as piores, mais violentas e traumáticas. Mesmo que desejassem reverter aspectos mais graves do que fizeram, não podem mais, pois já não são donos do demônio que tiraram da garrafa. O chamado "turning point" já foi ultrapassado há muito, não há retorno possível no que fizeram, pois queimaram suas pontes de regresso (nas palavras do poeta da Revolução Russa Maikósvki).

O golpe assumiu vida e dinâmica próprias, se retro e autoalimenta, inclusive daqueles que o pariram, e é evidente que não há na sociedade hoje forças para detê-lo, porque a única forma de detê-lo seria destruí-lo.

Preparem-se, pois,  para viver dias ainda mais sombrios do que estes que já vivemos. Mesmo que reunamos a certa altura forças suficientes para destruir o golpe, isso implicará em atingir os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em nível federal e a mídia golpista, em nível nacional, de uma só vez em vagas gigantescas de mobilizações populares. Alguém crê que isso seja possível sem abalos ainda maiores do que os que já vivemos desde 2013?

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


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