quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A LIBERDADE NO FIO DA NAVALHA


Os tanques do exército tomam as ruas de Vitória, no Espírito Santo, na pior crise de segurança pública já vivida por aquele estado. Pô-los na rua é fácil, difícil é fazê-los voltar aos quartéis.

Como resultado previsível do golpe de Estado perpetrado por Temer, Aécio Neves, PMDB, PSDB, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Câmara e Senado federais, STF e mídia golpista comandada pela rede Globo e revista Veja, os tanques do exército tomam as ruas de Vitória, não para reprimir alguma manifestação popular, mas para cumprir a função de polícia, quando esta simplesmente se amotinou em protesto à política do governador Paulo Hartung, do mesmo PMDB de Temer, que executa naquele estado a mesma política do presidente golpista.

O governo desastroso de Temer só cria situações potencialmente explosivas, cujas soluções vão-se tornando cada vez mais difíceis e dramáticas. Embora Hartung diga que se afasta do PMDB e de Temer por discordar de seu governo, na verdade emprestou seu partido e a estrutura de seu estado para manipular a população que, enganada, embarcou no Fora Dilma, cujas consequências se vai conhecendo agora mais claramente. Sua política de ajuste fiscal, que afundou as finanças do estado, que arruinou os serviços púbicos, inclusive a ponto de paralisar a polícia, não é obra do PT, de Dilma ou Lula, mas de sua opção neoliberal e de sua participação direta no golpe de Estado.

O problema que ensejou o envio de tropas ao Espírito Santo tem a mesma natureza daquele que paralisa o estado do Rio de Janeiro, cujo governador e vice, para aumentar o caos político, foram cassados esta semana por corrupção. Se a escalada de caos também nesse estado assumir as proporções da que ocorre no estado vizinho, pelo peso político e econômico do Rio de Janeiro, fatalmente  tropas do Exército irão para as ruas, com consequências explosivas e em cadeia para o restante do país. A crise se espalhará como rastilho de pólvora para os demais estados da Federação e o "inverno da nossa desesperança" terá apenas se iniciado.

O golpe, no cenário que se desenha neste início de 2017, é um caminhão que envelheceu em poucos meses e que agora despenca sem freios ladeira abaixo. É preciso reconhecer que o país acaba de cruzar uma linha perigosíssima, para além da qual nossos piores pesadelos nos esperam de dentes arreganhados.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

Um comentário:

  1. Laerte Zimmer: O filho de uma prima minha que é soldado na base aérea aqui de Canoas-RS foi "convocado" (não se é a palavra correta) para ir para o Rio de Janeiro na próxima quarta-feira. Disse ele que se até segunda-feira não forem dispensado, embarcam na quarta.

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