terça-feira, 24 de janeiro de 2017

PT e PCdoB Golpistas?

PT e PCdoB acertam em não renunciarem ao esforço de conquistar trincheiras de poder no atual Congresso Nacional, o mesmo que golpeou nossa democracia. Se abrirem mão disso, o mais coerente seria a renúncia coletiva de seus respectivos parlamentares, hipótese absurda.

A composição do atual Congresso Nacional, das piores dos último 50 anos no Brasil, é resultado do voto direto. Todos sabemos como o voto de parte significativa da população é manipulado pelo poder econômico e, mais ainda, pelas máquinas ideológicas (mídias, igrejas, clubes e líderes conservadores, escolas de perfil liberal etc.) que escravizam a consciência dos trabalhadores. Aqui a máxima Vox populi, vox Dei não traduz a realidade, pois ela é distorcida pelo dinheiro e pelo canto de sereia do consumo.

Porém disso PT e PCdoB já sabiam quando elegeram seus deputados e senadores, de maneira que, ao legitimarem o estágio em que nossa democracia se encontra, participando das eleições, concordaram em lutar no âmbito da Câmara Federal e do Senado, ainda em condições muitíssimo desfavoráveis.

O fato de a maioria do atual Congresso ter corroborado no golpe de Estado que assistimos colocou para esses dois partidos, em meu ponto de vista, um dilema:

a) partir pura e simplesmente para o ataque aos demais parlamentares, em denúncia do golpe, isolando-se e expondo-se, portanto, a todo tipo de violência de uma maioria realmente inescrupulosa;

b) partir para a denúncia do golpe, todavia assumindo uma atitude defensiva, evitando a todo custo maiores perdas, o isolamento e lutando para ocupar sejam quais forem  as trincheiras que se apresentarem.

Setores hoje do PT e mesmo do PCdoB consideram que, ao participarem de articulações para sucessão das presidências da Câmara e do Senado com perspectivas reais de ocuparem espaços nas mesas das casas, esses dois partidos estariam se curvando àqueles que patrocinaram o golpe de Estado.

Esse raciocínio é equívoco, porque ao se realizarem alianças ocasionais não se assume a identidade do aliado - a não ser que se queira (não me parece que PCdoB e PT queiram semelhanças com golpistas). A questão então não é se esses dois partidos se tornam golpistas ao realizarem negociações com golpistas, mas se deve-se ou não ocupar trincheiras de luta no Congresso, sejam quais forem.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para o a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.






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