terça-feira, 3 de janeiro de 2017

POLÍTICA, SÓ POLÍTICA, O TEMPO TODO POLÍTICA, TE ENVENENA

FOTO: Marcia Minillo para a revista Brasil Atual.
Participar, estudar, refletir sobre a política é essencial. E como ela é muito dinâmica, ficar desinformado é péssimo para quem precisa transitar com o mínimo de sanidade pelos assuntos relativos a ela.

Porém, vinte e quatro horas de política por dia é um pouco de exgero, não? Tanto mais quando se sabe que os principais veículos de informação sobre a política são meios viciados, corroídos pela maldade, sempre dispostos e a postos para criar manadas para o consumo e para o ódio. Não por acaso são chamados, com justiça, de mídias tóxicas.

Se você não tem uma estante de bons livros, está em maus bocados. Poesias, contos, romances, biografias, artes plásticas, teatro, cinema, jardinagem, fotografia, histórias em quadrinhos entre outros, muitos outros, gêneros e assuntos  fazem parte da vida contemporânea e quando vêm em formato livro permitem uma conexão diferente com o mundo e com a vida - que vale muito mais do que prefeitos fantasiados de garis e outros que a cada palavra inserem "Deus" como se Ele fosse uma vírgula salvadora para cada ideia, sentimento, pensamento e ato mau do político.

Quem lê com frequência já perdeu ponto de ônibus, estação de metrô e até o horário para outros compromissos por causa de um enredo envolvente, de uma crítica de teatro ou cinema bem feita, de um volume de poemas que abriu parênteses na vida real e transportou quem o tinha em mãos para outras partes do mundo, outros tempos, outras sensações que não a do sacolejar do coletivo ou a campainha anunciando o fechar das portas do vagão.

Para enfrentar o turbilhão político do Brasil deste 2017 com o mínimo de equilíbrio, largue o noticiário político alguns momentos e reserve tempo para Drummond, Vinicius, Cecília, Solano Florbela, Vianinha, Leminski, Dias Gomes, Amado, Ramos, Rachel, Fonseca, Shakespeare, Austen, Dostoievski, Steinbeck, García Marquez, Duras, Hemingway, Saramago e seus amigos de páginas. Dê um pouco disso de presente a você todos os dias de 2017, você merece.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para o a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.








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