sábado, 10 de dezembro de 2016

Odebrecht abriu a cratera, que virou buraco negro num estalo

O turbilhão de lama que draga Temer e o Congresso Nacional promete grandes emoções a partir de já, pois  o buraco negro colossal das delações premiadas da Odebrecht que se abriu de uma vez na sexta-feira (09/12/16) aumenta seu vórtice com a confirmação de Marcelo Odebrecht noticiada pelos jornais hoje (14/12/16): Temer levou, sim, 10 milhões de bolada  – e  Cunha e Cabral ainda sequer deram com a língua nos dentes.


Quando o noticiário desta sexta-feira,  09/12/16, pôs no radar  a acusação contra Geraldo Alckmin, apelidado de "o santo" na lista da empreiteira, o qual teria levado uma bolada de 2 milhões de reais em dinheiro vivo em propina fartamente documentada, aqueles que acompanham com atenção o desenrolar da crise pensaram: "Bem, o terremoto do fim de semana é este, e vai dar muito o que falar".

Cândido engano: nem tiveram tempo de chegar à última linha da notícia quanto já outra, em tom maior, fazia a escala Hichter da imprensa acrescentar picos sobre picos e alcançar as alturas. Numa sequência que é só o início da Sodoma e Gomorra política em curso, na mesma delação premiada Temer é acusado  de receber  10 milhões de propina também em dinheiro vivo, inclusive com e-mail de prova  que é um verdadeiro recibo de crime e burrice; Aécio e Serra são citados inequivocamente como clientes vip da política de propina institucionalizada da empresaAgripino Maia, de receber numa só bolada 1 milhão de reais, a pedido do mesmo Aécio; Romero Jucá, outros 22 milhõesRodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, de embolsar outros 600 mil em propina – e mais outros não menos de 130 políticos do PSDB, PMDB, DEM e outros da base de Temer, num fim de semana que nem tinha começado ainda.

O Jornal Nacional, o maior esgoto que a imprensa já foi capaz de produzir, decidiu pôr Temer na cena do crime e não pouco sensacionalismo. Com sua tradicional falta de compostura, o noticiário visou desviar o terremoto para um ponto em que seja confortável para os coronéis Marinho manobrar. É possível que obtenha sucesso, mas é possível também que seja vítima de sua própria corrupção, pois todos sabem que a emissora está até o último fio de cabelo envolvida nela.

Com a confirmação de Marcelo Odebrecht, o arcordão que pôs no mesmo saco de dinheiro PMDB, PSDB, Congresso Nacional, STF, rede Ministério Público Federal, Sérgio Moro,  Globo, Abril, Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo entre outros pode ser sugado pelo vórtice que eles mesmos arreganharam.

Para os que gostam de filmes-catástrofe: preparem a pipoca, pois a sessão já começou.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo na gestão José Serra. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para o a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.










Um comentário:

  1. Oi Jeosafá! Como não acompanhei o noticiário da sexta, seu artigo esclarecedor veio me manter informado sobre a grande cratera causada pelas deleções da Odebrecht. Punição não seria o bastante, o povo se fosse politizado ia fazer revolução até que devolvesse todo o dinheiro afanado, roubado mesmo.

    Abraços e versos!

    Cacá Lopes

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