segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O OLHO POR OLHO DENTE POR DENTE DA GLOBO

Jovem tomado de fúria tenta rasgar bandeira do PT com os dentes.
Pagar com ódio o ódio estimulado por Rede Globo, revistas Veja e Istoé, jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, entre outros, é aceitar o vale tudo, o Códio de Hamurabi, com sua lei de Talião (Olho por olho, dente por dente), cujo resultado é sempre o massacre dos mais fracos, dos trabalhadores e de grupos sociais alijados do poder econômico. Deixar um bêbado de ódio falando sozinho é a melhor receita para a vitória da democracia e da justiça social.

Comparo o período pelo qual o Brasil passa com uma imensa bebedeira. Há bêbados hilários, sonolentos, aqueles que saem beijando todos no bar e... aqueles que quebram tudo, arrumam confusão e, se não forem salvos, matam e morrem. Ocorre que depois de toda bebedeira vem sempre a ressaca e as consequências, sim, porque ninguém fica de porre eternamente. E elas, as consequências, vêm em muito maior proporção do que os transtornos ou as desgraças causadas pela fúria cega.

Se pretendemos tirar alguma lição deste período pelo qual estamos passando, precisamos, por maiores que sejam as ofensas que nos façam, responder e agir com sobriedade.

Gandhi: mestre da não violência.
Não se trata aqui de dar a outra face, mas de evitar pagar ofensa com ofensa, agressão com agressão, falta de educação com grosseria.

Atrás das palavras más, logo vêm os maus atos - e o uso exagerado de linguagem ofensiva é um tipo bem nefasto de bebedeira que antecede a pancadaria, a força bruta, a crueldade.

O melhor a fazer quando alguém em nossa time line nos ofende, à nossa religião ou a alguém que estimamos, é bloqueá-lo, ou simplesmente desfazer a amizade, e ponto final. Todos sabem que brigar com bêbado é duplamente perigoso: se batemos, é covardia, se apanhamos, é humilhação.

Deixe um bêbado de ódio falando sozinho, pois pagar ódio com ódio não é uma boa ideia. E isso vale para os bêbados do lado de lá... e para os do lado de cá também, pois eles existem dos dois lados. O ódio é o império do vale tudo, em que o dinheiro e a força bruta falam mais alto do que a razão e a justiça. Quanto menos espaço dermos à prevalência da fúria cega, mais espaço se abre para o retorno do país à normalidade democrática, de que tanto necessitam trabalhadores, jovens, mulheres, negros, LGBT, aposentados, Sem-Terras, Sem-Tetos etc. para realizarem suas conquistas.



Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo na gestão José Serra. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para o a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.
















ZONA SUL é o terceiro romance do ciclo Era uma vez no meu bairro. Resultado de mais de vinte anos de pesquisa sobre a violência, particularmente contra crianças e jovens, em jornais, livros, documentos oficiais e a partir de entrevistas em trabalho de campo, ZONA SUL é a terceira estação de uma obra cujo enredo, em forma de espiral, tendo partido da ZONA NORTE e passado pela ZONA LESTE, viajará ainda pela ZONA OESTE até atingir o CENTRO. Cada região da metrópole, um romance enraizado na realidade e, como ela, cheio de surpresas, expectativas e, naturalmente, sonhos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário