sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

HORA DE TIRAR ESSA CAMISA DA CBF, NÃO ACHA?

Militantes de esquerda ameaçados de linchamento.
Ninguém que diz e faz tantas bobagens em público sai desse estado de embriaguez para o de sobriedade da noite para o dia. Tanto quando um "pileque homérico no mundo", a histeria que tomou conta da classe média paulistana, que irradiou ódio e preconceito pelo país, não passara em um estalo de dedos ou passe de mágica.

Porém já é mais que hora de essa gente esbranquiçada mostrar seu valor (parodiando a conhecida música dos Novos Baianos) para além dos clichês, frases feitas e senso comum com os quais a rede Globo, a revista Veja e os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo a tangeu como gado de abate.

Se bem que não todas, muitas  dessas pessoas de classe média (que ficam vermelhas como eu quando saem ao sol), são muito, muito, mas muito melhor do que as selfies que andaram tirando com PMs, tropa de choque e torturadores na avenida Paulista, ou seus surtos de ira que estiveram bem perto de provocar linchamentos de pessoas com as quais a rigor têm mais identidade do que imaginam
Eu e amigos: a artista plástica Mazé Leite, o metalúrgico
Mário Lima e o metroviário Jair Avellar. Passeata em 2016.

Estão também muito acima do "Ei, Dilma, vai tomar no c...", que andram gritando nos trens do metrô e nos estádio de futebol, crentes que com isso estavam salvando o Brasil, quando na verdade estavam apenas servindo de cortina de fumaça a uma corja de políticos velhacos escondidos atrás do Jornal Nacional, das capas da Veja e do juiz Sérgio Moro, um corrupto com cara de bonzinho, lobo em pele de cordeiro, que usa sua toga, emporcalhando-a, para proteger seus comparsas do PSDB, para favorecer empresas norte-americanas e para usar petistas, comunistas e empresários adversários como bodes expiatórios, mesmo os que nada devem à justiça.

Pelo tamanho do estrago na política e na economia produzido em tão pouco tempo graças ao golpe de Estado resultante dessa histeria, também já é mais do que hora de essa gente esbranquiçada, como eu, pôr essa camisa da CBF para lavar, ao menos, pois está fedendo bastante. A minha, eu pus no saco de lixo não depois dos 7 x 1, mas depois que quase fui linchado na avenida Paulista por estar com uma bandeira vermelha.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo na gestão José Serra. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para o a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.









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