segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Quem vai prestar o ENEM precisa saber disso

Ainda dá tempo para buscar desempenho acima da média na prova de Redação.
A prova de Redação do ENEM  tem um grande peso. Não é à toa que a imprensa busca dar destaque aos melhores colocados nesse quesito: ela serve de linha demarcatória entre os que vão para o topo da classificação geral. Ainda dá tempo para você buscar um desempenho acima da média nessa prova. Vamos ver como isso é possível?

A dissertação objetiva, ou o texto dissertativo-argumentativo, deve respeitar critérios temáticos, de estrutura (ou forma) e de linguagem. Não é nenhum mistério escrever um texto desse tipo, mas é necessário planejar e seguir o planejamento com rigor. Porém, nenhuma dissertação se salva se tratar de temas (ou assuntos) irrelevantes. Naturalmente, conforme se vai estudando e produzindo concretamente textos desse tipo, melhor e mais rápido se produz.

Esta dissertação foi produzida coletivamente pelos jovens do Grupo de Estudos Malcolm X - Morro Doce. Eles se reúnem sob minha orientação nesse bairro da zona Noroeste de São Paulo todas as quintas-feira à noite para estudar para o ENEM e demais vestibulares da universidade públicas.

Imigrantes à deriva no Mediterrâneo
Seguem algumas dicas para a produção de uma dissertação objetiva (argumentativa) sobre um tema específico (no caso, A crise humanitária na Europa hoje).

O tema

Do ponto de vista do TEMA, a dissertação objetiva deve se desenvolver de forma direta e progressiva. E o que significa isso? Significa que:
  • não se pode fugir do tema;
  • o tema tem que ser abordado sem rodeios, sem frases de efeito, sem estratégias retóricas usadas apenas para “encher linguiça”;
  • os tópicos (T1, T2, T3) relacionados ao tema devem ser dispostos em ordem direta, ou seja, se no parágrafo introdutório eu disse que tratarei de X, Y e Z aspectos, não poderei inverter a ordem nos próximos parágrafos, nem ficar voltando ao que já foi tratado.

A estrutura


Do ponto de vista da ESTRUTURA, ou forma, a dissertação objetiva precisa ter início, meio e fim - ou introdução, desenvolvimento e conclusão:

INTRODUÇÃO: Primeiro parágrafo (que deve apresentar o tema e os tópicos relacionados a ele). Deve ser objetivo, tendo, para uma redação de 30 linhas, no máximo, entre 4 e 6 linhas. Sua única função é avisar o leitor sobre o tema a ser tratado, os tópicos relacionados a ele e a ordem em que serão abordados no texto.

DESENVOLVIMENTO: Os parágrafos intermediários tratam, cada qual, de seu tópico específico. Para cada tópico, um parágrafo. Mas o que é um parágrafo? Uma unidade escrita que trata de um único tópico. Numa redação de 30 linhas, deve-se selecionar não mais do que 3 tópicos (T1, T2, T3), pois não haverá espaço para mais, uma vez que um parágrafo de desenvolvimento temático aceitável fica em torno de 8 linhas.

CONCLUSÃO: O último parágrafo é o dedicado à amarração do texto, a partir das argumentações empregadas nos parágrafos de desenvolvimento temático. Deve ser sucinto, portanto, menor que os intermediários, e apresentar claramente proposta de solução para os problemas elencados – ainda que essa proposta seja algo generalizante e não conclusiva.

A linguagem

Do ponto de vista da LINGUAGEM, deve ser empregado o português culto, formal - porém sem pedantismo ou floreios:

Na ortografia: letras legíveis, correção na escrita, na acentuação das palavras e na pontuação das frases (jamais aqui empregar o ponto de exclamação (!) ou reticências (...), pois eles indicam emoção, o que não é admitido em uma dissertação objetiva, que deve primar pela razão e pelo equilíbrio.

Na morfologia: emprego do português formal, culto, evitando-se o empregos de adjetivos expressivos (que expressam emoção), porém usando-se verbos de reflexão, que possibilitem análise e interpretação de problemas, eventos, fatos etc. (observar, dividir, considerar, segmentar, comparar, analisar, interpretar, deduzir, somar, extrair, refletir,  inferir, apreciar etc.) Se houver predominância de verbos auxiliares (ser, estar, ter, haver, ficar, parecer, semelhar) ou sinônimos ocasionais, estaremos no campo da descrição, não da dissertação, o que desfigura o texto dissertativo. Por outro lado, se empregarmos, por descuido, excesso de verbos de ação (cair, levantar, ir, pegar, correr, fazer, transmitir etc.), estaremos no reino da narração. Para articular (ou seja, juntar palavra com palavra, conjuntos de palavras, orações) devem ser empregadas as preposições, as conjunções coordenativas e as subordinativas, e os pronomes (com especial atenção para os relativos). Não custa nada ir ao livro de gramática ou na internet e ver como eles funcionam. Com relação a adjetivos, advérbios, palavras ou frases expressivas (péssimo, horrorosa, horrível, maravilhosa, genialmente): esses usos expressivo implicam em emoção. Emoção significa subjetividade – o que deve ser evitado a todo custo num texto objetivo.

Na sintaxe: Deve predominar os períodos compostos, de preferência por subordinação. Neles, as conjunções (coordenativas e subordinativas) são decisivas, pois são elas as principais responsáveis pela articulação das orações em períodos compostos. Também são elas que introduzem na forma de orações subordinadas os argumentos lógicos (pois sua função é exatamente essa) – há conjunções explicativas, conclusivas, temporais, consecutivas etc. Orações curtas e simples não favorecem o desenvolvimento da argumentação, daí a importância do emprego das orações subordinadas.

Planejamento

A segmentação temática

A primeira coisa a ser feita quanto já temos um tema definido, é segmentá-lo, ou seja, dividi-lo. Às vezes, é necessário comparar dois ou mais textos para extrair deles o nosso tema. Porém, uma vez feito isso, a sequência de produção da dissertação objetiva é a mesma.
Como fazer para segmentar um tema? Podemos pesquisar assuntos relacionados a ele, se estivermos em casa ou se tivermos tempo para isso. Porém, diante de uma prova, o que devemos fazer é deixar a mente livre para pensar no tema e ir anotando num rascunho palavras-chave ligadas a ele. Por exemplo:

“A crise humanitária na Europa hoje”.

Vamos supor um “brain storm” de uma mente só, a sua, sobre esse tema que o leve a anotar:

Repressão aos imigrantes
Navio afundado com imigrantes
Imigração clandestina
Foto de menino afogado na praia da Turquia
Guerras e destruição nos países de origem dos imigrantes
Medo de terrorismo nos países da Europa
Crise econômica mundial
Crise econômica na Europa
Repercussão na mídia mundial
Socorro às vítimas de naufrágio
Rejeição das populações europeias aos imigrantes
Ajuda humanitária aos refugiados
Sanduíches atirados aos sobrevivente de naufrágio
Família agarrada a trilho de trem na Hungria.
Repressão aos imigrantes
Travessia do Mediterrâneo
Reação das populações locais
Condições dos países de origem
Condições dos países de destino
Quantidade de imigrantes
Opinião pública mundial
Preconceito contra imigrantes
Terrorismo
Qualidade do acolhimento dos imigrantes
O peso econômico dos imigrantes nas economias europeias
Mortes nas travessias
Desemprego nos países de origem e destino

A definição dos tópicos

Se observarmos bem, podemos agrupar essas ideias soltas REGISTRADAS POR ESCRITO em três conjuntos: questões políticas, questões econômicas e questões estritamente humanitárias.

Aí estão os três tópicos relacionados ao tema, dos quais trataremos cada qual em seu respectivo parágrafo, explorando os itens anotados, que podem ser em quantidade maior do que o que se registrou no quadro acima, selecionados e ordenados hierarquicamente.

A ordem dos tópicos na redação ainda não precisa ser decidida nesse momento. O momento é de planejar cada parágrafo, decidindo quais itens listados serão tratados em cada um, e em que ordem.

Redigindo o parágrafo dissertativo-argumentativo

Para cada parágrafo, precisamos definir 3 itens relevantes, a serem hierarquizados, ou seja, dispostos uma após outro de maneira lógica e direta.

Por que apenas 3 itens? Porque para um parágrafo de 8 linhas, se gastarmos em média duas linhas e meia para cada item, já teremos atingido o limite.

Comecemos pelo tópico “questões políticas” relacionadas ao tema.

Como pode ficar nosso parágrafo? É só dispor os itens e redigir nas lacunas entre eles:

ITEM 1: O terrorismo.
ITEM 2: Guerras em curso no Oriente Médio.
ITEM 3: Imigração clandestina.

Na esfera política europeia, o terrorismo é uma enorme ameaça que já tem feito vítimas recentemente, e que tem origem nas guerras em curso no Oriente Médio, cuja consequência imediata é a imigração clandestina.

(Como se trata aqui de  um rascunho, pode haver erros, que devem ser sanados na redação final).

Agora as estritamente o tópico “questões humanitárias”:

Como pode ficar nosso parágrafo? É só dispor os itens e redigir nas lacunas entre eles, como no anterior:

ITEM 1: Condições dos países de origem dos imigrantes.
ITEM 2: Viagens clandestinas e desastres na travessia do Mediterrâneo repercutidos pela mídia.
ITEM 3: Conflitos na fuga para a Alemanha e reação das populações locais.

No que diz respeito às questões humanitárias, devem ser levadas em consideração as precárias condições dos países de origem dos imigrantes, países que se encontram destruídos econômica, política, social e culturalmente; devido a tais condições, os habitantes testam a sorte em viagens clandestinas, cujos resultados são os desastres na travessia do Mediterrâneo e os conflitos na fuga para a Alemanha, tão repercutidos pela mídia. Outro aspecto a ser levado em consideração é a reação das populações locais, que nem sempre são cordiais.


Agora o tópico sobre as “questões econômicas”:

T1: Infraestrutura destruída dos países de origem.
T2: Desemprego nos países de origem e nos de destino.
T3: Crise econômica mundial.

Como pode ficar nosso parágrafo? É só repetir a estratégia:

Com relação aos aspectos econômicos devem ser levados em conta fatores decisivos para a compreensão dessa tragédia humana contemporânea, entre os quais o da infraestrutura destruída dos países de origem dos imigrantes pelas guerras no Oriente Médio. Outro fator envolvido é o desemprego nos países de origem e no destino dos imigrantes. O desemprego, como se sabe, causa fome, miséria, violência, trabalho infantil e escravo; o que acentua a desigualdade social.Um terceiro fator decisivo para a compreensão dessa tragédia é a crise econômica mundial.Essa crise agrava os problemas já citados, e os órgãos econômicos internacionais não estão correspondendo às necessidades do momento.

Finalizando a dissertação

Compondo a redação

Redigidos esses parágrafos, é o momento de decidir qual é, na parte do desenvolvimento temático da redação, o primeiro, o segundo e o terceiro. Dependendo da ordem, pequenos ajustes precisarão ser feitos para dar maior coesão entre eles.

Redigindo os parágrafos introdutório e conclusivo

Feito isso, escreve-se o parágrafo introdutório, que nada mais é do que o tema, mais os tópicos selecionados, na ordem em eles aparecerão na forma final da redação:
A crise humanitária na Europa, amplo senso, envolve três dimensões: a política; a humanitária (estrito senso); e a econômica.

Se você observou bem, a argumentação surge quando um tópico (argumento) é abordado concretamente em seus itens específicos. Isso você fez quando preencheu as lagunas entre os itens de maneira lógica (isso se chama sustentar o argumento).

Por fim, redige-se o parágrafo de conclusão, que deve ser coerente com os argumentos apresentados nos parágrafos de desenvolvimento temático.

            A crise, assim, necessitaria de soluções amplas, complexas e ao longo, talvez, de décadas.

Resumo

Assim a redação ganha a seguinte forma:

Introdução
1º parágrafo
Tema + T1 + T2+ T3
Desenvolvimento
2º . parágrafo
3º. Parágrafo
4º. parágrafo
Desenvolvido por argumentação e contra-argumentação (Tópico do parágrafo mais itens selecionados, organizados e abordados em ordem direta e sequencial).
Conclusão
5º. Parágrafo
Amarração dos argumentos e apresentação de proposta coerente com os problemas levantados

Observe que o desenvolvimento temático não é um acaso, mas é fruto do planejamento que, ao definir os tópicos e ordená-los um após outro, obriga-nos a, seguido com rigor, tem como resultado a progressão da argumentação, que vai de um a outro tópico, sem possibilidade de retorno a itens já tratados.

A dissertação finalizada

Se você percebeu, a produção da dissertação objetiva, argumentativa, tem 3 etapas: o planejamento, a redação e a composição, que a rigor é um processo de montagem de partes produzidas em momentos diferentes. Por isso que a produção  de redação é  também legitimamente chamada de “composição”.

Vejamos como fica uma dissertação objetiva concretamente produzida para esse tema, com correções e eventuais ajustes (a lógica e o processo vale para todas):

A crise humanitária na Europa hoje

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A crise humanitária na Europa, amplo senso, envolve três dimensões intimamente ligadas: a política; a humanitária estrito senso; e a econômica.

Na esfera política, o temor em relação a ações terroristas é enorme, pois ele tem feito vítimas em território europeu recentemente; esse tipo de violência, nos dias atuais,  tem origem nas guerras em curso no Oriente Médio, cuja consequência imediata é a imigração clandestina em massa.

No que diz respeito às questões humanitárias, devem ser levadas em consideração as precárias condições   dos países de origem dos imigrantes, países que se encontram destruídos econômica, política, social e culturalmente. Devido a tais condições, os habitantes testam a sorte em viagens clandestinas, cujos resultados são os desastres na travessia do Mediterrâneo e os conflitos na fuga para a Alemanha, tão repercutidos pela mídia.Outro aspecto a ser levado em consideração ainda é a reação das populações locais, que nem sempre são cordiais.

Por fim, com relação aos aspectos econômicos, devem ser levados em conta alguns fatores decisivos para a compreensão dessa tragédia humana contemporânea, entre os quais o da infraestrutura dos países de origem dos imigrantes, destruída por guerras sucessivas; outro fator envolvido é o desemprego nos países de origem e nos de destino dos imigrantes. O desemprego, como se sabe, causa fome, miséria, violência, trabalho infantil e escravo, problemas que acentuam a desigualdade social;  um terceiro fator econômico decisivo para a compreensão dessa tragédia é a crise econômica mundial, que agrava ainda mais os problemas já citados, sem que os órgãos econômicos internacionais correspondam às necessidades do momento.

A crise humanitária na Europa, assim, é uma no interior de outras ainda maiores, todas necessitando de soluções amplas, complexas e no curso, talvez, de décadas.
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RESUMO ESQUEMÁTICO



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Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo na gestão José Serra. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para o a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 15 de outubro de 2016

Sérgio Moro: um anão moral com delírios de grandeza

Lula pede prisão de Moro por abuso de autoridade com provas robustas.
Agora que Lula decidiu processar Moro na ONU e também no Brasil PEDINDO INCLUSIVE SUA PRISÃO (ver Folha de São Paulo). Rasga-se o véu de bom-mocismo com que a mídia o pinta dia e noite para convencer você. Agora é Lula X Moro, vamos ver como o anão moral de Curitiba se sai no enfrentamento com a maior liderança popular da história do Brasil.

Do Senado, lobo em pele de cordeiro, saiu tosquiado...

Por enquanto você ri dos casuísmos, arbitrariedades, truculências e escárnios praticados pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, estranhamente convertido em mais poderoso do que o STF, o Senado e a Câmara Federal juntos. (Estadão).

Você não se pergunta de onde vem tanto poder, nem até onde esse cavalheiro, na falta de adjetivo mais apropriado, pretende chegar, contanto que ele descarregue sobre PT, Lula, Dilma e demais partidos, personalidades e movimentos de esquerda o seu ódio – que você também não sabe de onde vem, nem está preocupado neste momento em saber.

Faz bem a você vê-lo e a seus pares de ideologia ditatorial perseguir Lula, Dilma e o PT (e olha que
não sou petista).

Faz bem a você vê-lo mandar prender para investigar (esse absurdo da ditadura que a Constituição de 1988, em vigor, enterrou com sete palmos de democracia), principalmente dirigentes e militantes do PT, mas agora também do PMDB.

Faz igualmente bem a você vê-lo empurrar para debaixo do tapete com o bico de seu sapato, lustrado como espelho, as falcatruas e crimes de Eduardo Cunha, Aécio Neves, Romero Jucá, Renan Calheiros, Michel Temer, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, e escândalos como os do Metrô de São Paulo, do helicóptero com quase meia tonelada de cocaína que ia dar direto no mesmo Aécio Neves; da merenda tucana em São Paulo entre muitos, muitos, muitos outros.

Você está rindo porque escolheu seu herói, ainda que seu herói seja um adepto do linchamento público, da destruição das leis do país, de suas empresas de engenharia (prontamente substituídas por norte-americanas), e de prerrogativas básicas do Estado de Direito, como a voz sagrada das urnas.

Você está rindo agora, mas em breve aquilo que esse anão moral com delírios de grandeza dissemina como um câncer em metástase na sociedade brasileira atingirá você. Sim, porque o que ele faz (sendo um péssimo juiz de primeira instância que não sabe se é delegado de polícia, promotor público ou estrela de seriado vagabundo da rede Globo) qualquer anão moral incrustado no judiciário estará autorizado a fazer, com qualquer um - e não se esqueça: eu e você somos o "qualquer um".

Sérgio Moro, um juiz que não sabe se é delegado de polícia,
promotor público ou 'public relation' da Rede Globo.
Quando sua empresa for levada à justiça, justa ou injustamente, quando seu cliente "meter você no pau", com razão ou por despeito, quando você se meter em qualquer confusão, por mais ridícula que seja; ou não, se algum desafeto seu ou um idiota que queira apenas prejudicá-lo, sendo amigo de juiz, mexer os pauzinhos do compadrio, comece a torcer para que um desses anões morais do judiciário não esteja sentado na cadeira do juiz a sua frente, pois nesse caso, na ausência de um Lula – porque esse é da alçada do anão moral de Curitiba – o Lula da vez será você. Não sei se devo parabenizá-lo pelo herói que escolheu, mas se fosse você, começaria a deitar a cabeça no travesseiro com menos tranquilidade

Bem, fique você com seu herói.  Um dos meus é esse, com quem rio de você na foto. Deixo para você pensar o vídeo abaixo, Georgia (canção adotada hoje como espécie de hino da Georgia), feita por Ray Charles, esse gigante moral que atravessa o tempo e já é lenda, como uma espécie de resposta ao racismo da elite desse estado norte-americano que, guardadas as devidas proporções, semelha-se muitíssimo à burguesia paranaense que serve de placenta a perversões como a que assistimos estarrecidos nestes dias, tipo Moro, com as quais você concorda e das quais... ri, já com um gosto e dente apodrecido na boca.

Você ri, nós, também, mas em sentido inverso.



https://amplexosdojeosafa.blogspot.com.br/2016/11/lula-x-moro-agora-as-aguas-ficaram.html


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo na gestão José Serra. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para o a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.













segunda-feira, 3 de outubro de 2016

ALCKMIN ELEITO PRESIDENTE DA REPÚBLICA com dois anos de antecedência

Alckmin esmaga Serra e Aécio e torna-se presidente da República
com dois anos de antecedência.
No dia de ontem Alckmin transferiu a seu candidato a prefeito de São Paulo a mesma votação que deu a Aécio Neves nas eleições presidenciais de 2014. Ao vencer o pleito em primeiro turno, esmagou não apenas a esquerda, mas no PSDB destruiu como um trator tanto candidatura José Serra quanto a do mesmo Aécio.

Ao impor a candidatura Dória à prefeitura de São Paulo, Alckmin promoveu um racha no PSDB que resultou na debandada de tucanos históricos para a candidatura Marta, que ficou relegada a um desonroso quarto lugar. Com isso, no PSDB foram enterradas as pretensões de Serra de ser o virtual candidato tucano ao planalto em 2018.

Porém, com a forma da vitória alcançada ontem, também Aécio foi completamente destruído, restando a Alckmin resolver o problema de o mineiro ser presidente nacional da sigla - algo não muito difícil de resolver, pois o governador paulista faz um PSDB esfrangalhado ressurgir das cinzas (o próprio FHC admitiu dias atrás que o partido caminhava para a morte).

O que os paulistanos fizeram ontem foi eleger não o prefeito da cidade, mas passar o recibo do golpe de Estado dado contra Dilma este ano e eleger  o presidente da República mais conservador de nossa história com dois anos de antecedência. Resta saber se os demais brasileiros estão preparados para o receituário truculento que virá.

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Jeosafá é escritor e professor doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria),  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora, e no mesmo ano A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela Mercuryo Jovem. Leciona para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados de São Paulo.

domingo, 2 de outubro de 2016

QUANDO FOR VOTAR HOJE, pense nos próximos 20 anos

Está tudo certo, está tudo bem, você despreza a política, os políticos e tudo que se relaciona com a administração pública. Ninguém vale nada, são todos corruptos e, se fosse por vontade própria, você nem iria votar no dia de hoje. Tudo certo, tudo bem, mas essa atitude é corrupta até a medula.

Rejeitar a política e os políticos corruptos não o faz melhor que eles, pois quando coloca todos no mesmo saco - e você se põe fora desse saco -, você está entregando nas mãos deles sua cidade, seu estado e seu país. Sendo assim, você também, fora do saco dos corruptos, é corrupto e da pior maneira: fingindo que não tem nada a ver com isso.

Quando você se cala diante do golpe de Estado dado contra a primeira mulher a ocupar a presidência da república do país, você está sendo corrupto. Quando você "desce pau" na corrupção e vai à urna para votar em candidatos golpistas, você também está sendo além de corrupto, golpista. E não adianta se esconder atrás do segredo das urnas: isso está estampado na sua cara.

Ver uma mulher agredida e não mover uma palha para defendê-la o torna cúmplice da agressão. Não adianta dizer a si e aos outros "Não tenho nada a ver com isso". Tem e muito. É no seu silêncio cúmplice que mulheres são estupradas, crianças são violentadas, negros, índios, homossexuais, refugiados, moradores de ruas são discriminados, espancados e muitas vezes assassinados.

Quando for para sua urna de votação hoje, pense que seu voto pode condenar o golpe e criar condições para a restauração da democracia no mais breve tempo possível.

Porém não tente esconder se seu voto sacramentar uma ditadura que se constrói de cima, a olhos vistos, por meio de políticos corruptos como Michel Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Gilmar Mendes entre outros,  e por baixo, com seu voto enrustido, tipo Pilatos.

Por isso, quando for à urna de votação hoje, pense nos próximos 20 anos, no mínimo. Você está preparado para as consequências de seu voto? Não diga depois: "Não tive nada a ver com isso", pois tem, tanto se ajudar a barrar o golpe, quanto se apoiá-lo. Sua atitude omissa o faz irmão gêmeo de corrutos e golpistas. E não pense que você engana alguém com sua conversa fiada: pois a semelhança entre você e eles está na cara.

Nas eleições deste domingo NÃO VOTE EM CANDIDATOS GOLPISTAS. Em São Paulo votarei em Haddad 13 para prefeito e em Sharilayne 65.030 para vereadora (leia a entrevista com ela clicando aqui), pois ambos representam meus ideais de liberdade, democracia e justiça.

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Jeosafá é escritor e professor doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria),  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora, e no mesmo ano A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela Mercuryo Jovem. Leciona para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados de São Paulo.



sábado, 1 de outubro de 2016

GOLPE DE 2016: Uma ditadura ao alcance dos olhos

Enquanto professor, do chão da sala de aula, e enquanto escritor, do chão das letras, não cabe calar diante do golpe que põe uma ditadura ao alcance dos olhos.

Só há três formas de mudar governos: pelo voto, pelo golpe ou pelas armas. Sou contra as duas úlltimas, pois sempre o povo paga caro. Na situação de hoje, o voto é a melhor resposta ao golpe. Domingo o que se julgará não é quem é o melhor candidato a prefeito, mas quem é contra ou a favor do golpe. Três candidatos em São Paulo são a favor do golpe: Dória, Russomano e Marta; dois são contra: Haddad e Erundina. Desses dois, só Haddad tem alguma chance. Votar nulo ou em branco é lavar as mãos, como fez Pilatos.

No próximo domingo, o golpe vai ao banco dos réus para ser julgado na pior corte para ele: as urnas. Muitos creem que as disputas para prefeituras e câmaras municipais do país são meramente locais. A depender da época, isso é bastante defensável. Porém, não é o caso destas eleições municipais de 2016.

Avesso à democracia, o grupo que tomou o poder num golpe vergonhoso, dado contra a primeira mulher eleita democraticamente pelo voto direto do povo, teme as urnas como o diabo teme a cruz. Para se legitimar, os golpistas precisam desesperadamente vencer estas eleições nas principais cidades e na maioria dos municípios do país, e eleger o máximo de veredadores possível para dar base de apoio à uma ditadura que se vai desenhando no horizonte.

Por isso derrotar os candidatos golpistas nas urnas nesta eleições municipais não é uma questão secundária: é a maneira mais rápida de debelar o golpe. Sem base de apoio em prefeituras e municípios, o golpe se esfacelará como um biscoito de polvilho molhado.

Este meu blog é dedicado principalmente à Literatura e à Educação, porém o chão da sala de aula de que falo foi profanado por um governo ilegítimo que, tão logo assumiu o poder, despejou bombas de destruição sobre a educação brasileira.

Sendo assim, defender a Educação e a Literatura é lutar pelo retorno da democracia, cujo caminho mais correto e rápido são as urnas – maior pesadelo de quem deu o golpe exatamente por não conseguir nada por meio delas.

Por isso, nas eleições deste domingo NÃO VOTE EM CANDIDATOS GOLPISTAS. Em São Paulo votarei em Haddad 13 para prefeito e em Sharilayne 65.030 para vereadora (leia a entrevista com ela clicando aqui), pois ambos representam meus ideais de liberdade, democracia e justiça.

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Jeosafá é escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria),  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora, e no mesmo ano A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela Mercuryo Jovem. Leciona para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados de São Paulo.