segunda-feira, 8 de junho de 2015

Malcolm X: A união é a religião certa

De aluno exemplar e menino órfão, ele – abismado pela cidade grande, representada por Boston e, depois, por Nova Iorque –, abandonando os estudos, converte-se em trabalhador de baixa qualificação (engraxate, lavador de pratos, menino de ferrovia a vender sanduíches nos vagões, faxineiro de trem, balconista etc.); depois em pequeno vigarista, a dar golpes no carteado e a bater carteiras; até ingressar de  uma vez no tráfico de drogas, no comércio do sexo, na vida bandida e ser preso.

Sua conversão na cadeia ao islamismo (num momento em que o Islã se apresentou como alternativa de resistência ao racismo – não por acaso ídolos negros fizeram o mesmo, a exemplo do campeão de box Muhammad Ali), marca o nascimento de um dos maiores intelectuais negros dos EUA e do mundo. Porém, esse intelectual devorador de livros de linguística, história, geografia, sociologia, filosofia, literatura, atualidades, entre outros, teve como placenta não os currículos de bacharelado ou doutorado das universidades, mas apenas sua extraordinária capacidade autodidata e suas reconhecidas habilidades de linguagem e oratória.

Do momento em que saiu da prisão, em 1952, até o momento em que foi vítima do atentado que o vitimou, aos 39 anos de idade, em 1965, Malcolm X teve apenas doze anos para se tornar no ícone que hoje serve de inspiração a jovens do mundo todo.

Em que pesem a críticas que possam ser feitas a aspectos de seu radicalismo – algumas realizadas por ele mesmo após sua viagem ao Oriente Médio –, deve-se reconhecer o verdadeiro prodígio realizado por Malcolm X nesse tão curto espaço de tempo.

E que prodígio foi esse? O de, recuperando sua história familiar, a dos negros nos EUA   e a dos oprimidos do mundo, operar uma radical metamorfose em si mesmo e oferecer-se de peito aberto como veículo de transformação e luta por justiça social.

Este livro é um instantâneo dessa metamorfose, em relação à qual, não fosse universalmente sabida, seria legítimo dizer: não é verdade, não aconteceu, é pura ficção.


Porém, ela aconteceu, continua pelo tempo a fora... e atende pelo nome Malcolm X.


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